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21/Jan/2026

Mercosul-UE: acordo vai beneficiar os dois blocos

Finalmente no sábado passado, 17 de janeiro, foi assinado entre a União Europeia e o Mercosul um acordo de livre comércio que vinha sendo negociado há mais de 26 anos. O evento aconteceu em Assunção, Paraguai, país onde está funcionando a presidência rotativa do Mercosul. A Europa foi representada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen. Os presidentes da Argentina, Paraguai e Uruguai participaram do evento pelo lado do Mercosul. O Brasil foi representado pelo chanceler Mauro Vieira, na ausência do presidente da República. As discussões que antecederam o acordo duraram uma geração inteira. Houve muita resistência para a sua conclusão por parte dos agricultores de alguns países europeus, especialmente os franceses.

Mas a questão geopolítica provocada pela "mexida" nas tarifas de importação pelos Estados Unidos, acabou apressando as negociações. A Europa precisava de um acordo dessa envergadura para romper um processo de isolamento que ia se acentuando. E o Mercosul precisava buscar sua inserção nas cadeias produtivas globais. Ambos se beneficiarão. Já se falou e se escreveu tudo sobre o pacto assinado no sábado. Já se sabe que com ele foi criada a maior área de livre comércio do mundo, incorporando mais de 720 milhões de pessoas, com um PIB de 136 trilhões de reais, e boa parcela desse pessoal todo com alto poder aquisitivo. Foram comentados fatos como a demora para que o acordo tenha efeitos comerciais concretos, pois dependem de aprovação pelo Parlamento europeu e pelos dos quatro países do Mercosul; a redução das tarifas demorará alguns anos para ser integralizada; as salvaguardas foram referidas, bem como as vantagens e desvantagens dos diferentes setores de ambos os blocos.

Mas também está mais do que estabelecido que o acordo trará, no médio e longo prazo, múltiplos benefícios para todos os consumidores e a maior parte dos produtores agrícolas, industriais e de serviços das regiões envolvidas. Não se trata exclusivamente de comércio. Investimentos virão, serviços especializados mais eficientes, o setor financeiro será mais integrado nos dois blocos. Por isso, este episódio no Paraguai foi, de longe, o mais importante evento para a economia brasileira neste ano, e provavelmente, nenhum outro terá tanta relevância em 2026, a não ser as eleições de 4 de outubro. O agro seguramente terá grandes resultados nos anos vindouros. No entanto, vale a pena fazer uma referência às exportações deste trepidante setor referentes a 2025.

Foram da ordem de 170 bilhões de dólares, em números redondos, ou 5 bilhões a mais que no ano anterior. A Europa foi nosso segundo mercado, com 15% do total. A China foi de longe o maior. Entre os principais produtos exportados pelo agronegócio, a soja foi mais uma vez a campeã, com 43,5 bilhões de dólares, um total de 108 milhões de toneladas, sendo a China o maior importador, com 85,4 milhões de toneladas. A seguir vem as carnes, com 30 bilhões de dólares, ou 22% a mais que em 2024. O café também teve uma exportação 31% maior que no ano anterior, chegando a 14,9 bilhões, graças aos altos preços do produto no mercado mundial. Depois vem os produtos florestais, com 10,3 bilhões, o milho com 8,6 bilhões, o algodão, com 5,1 bilhões de dólares.

Por outro lado, os baixos preços do açúcar reduziram em 24% o seu valor exportado, que ficou em 14 bilhões de dólares. Um número interessante é o valor total exportado pelo agro brasileiro em uma década, de 2016 a 2025: foi de 1,24 trilhão de dólares, com um volume físico da ordem de 2,17 bilhões de toneladas. Impressiona! No quesito importações, o valor verificado em 2025 foi de 38,6 bilhões de dólares, com a prevalência de fertilizantes, com 15,5 bilhões. Com tudo isso, o saldo comercial do setor ficou em cerca de 141 bilhões de dólares. Números significativos, especialmente considerando as dificuldades advindas das tarifas norte-americanas sobre nossas exportações, mais a gripe aviária, que perturbou o comércio de carne de frango, e mesmo os preços internacionais menos remuneradores que em anos anteriores.

Este quadro deve se modificar para mais, no médio prazo, com a paulatina redução de tarifas que virão com o acordo. O Brasil precisa se preparar para isso. Virão outras salvaguardas, inclusive as ambientais que entrarão em vigor em dezembro deste ano. E talvez novas regras limitadoras também venham. Mas há um fato a considerar diante do acordo Mercosul-União Europeia. Dadas as exigências manifestas pelos europeus, o acordo significa que o agro do Cone Sul é sustentável, com boa qualidade e aceitação geral. Por isso, o acordo assinado no sábado passado pode vir a ser um excelente aval para outros acordos ao redor do mundo, na Ásia, no Oriente Médio, na América Latina e do Norte. Este é um tema a ser lembrado neste já inesquecível janeiro. Fonte: Roberto Rodrigues. Broadcast Agro.