20/Jan/2026
Segundo o Itaú BBA, a divergência entre os principais modelos de projeção climática traz incerteza adicional sobre o ritmo de avanço da colheita da soja e da janela de plantio do milho 2ª safra de 2026 nas próximas semanas, embora o cenário geral permaneça favorável ao desenvolvimento das lavouras. Enquanto o modelo europeu indica volumes elevados de chuva para grande parte do Brasil, o norte-americano projeta precipitação menores, o que poderia acelerar os trabalhos de campo caso o padrão mais seco prevaleça. Os riscos operacionais são crescentes no Centro-Norte do País. Apesar da divergência, ambas as projeções mantêm tendência de umidade elevada nas regiões produtoras, sustentada por um corredor de umidade que se estende do Norte ao Sudeste.
Até o dia 23 de janeiro, novos sistemas devem reforçar as instabilidades sobre Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Piauí e Bahia, justamente no momento em que a colheita da soja começa a ganhar ritmo nessas áreas. Embora esse cenário beneficie o crescimento das culturas, o excesso de umidade pode dificultar a entrada de máquinas nas lavouras e desacelerar os trabalhos de campo. Caso as precipitações persistam em volumes elevados, em fevereiro, acumulados elevados no Centro-Norte do País podem resultar em invernadas capazes de atrasar a colheita da soja e reduzir a janela ideal para o milho 2ª safra de 2026. Na Região Sudeste e em parte da Região Sul, especialmente no Paraná, apesar da previsão de chuvas intensas, devem ocorrer aberturas suficientes para permitir o avanço das operações, limitando impactos mais severos sobre o cronograma.
O cenário projetado para as próximas semanas se apoia em um dezembro marcado por condições predominantemente favoráveis ao desenvolvimento das safras. As chuvas se confirmaram e ocorreram de forma bem distribuída na maior parte do País, com volumes acima de 150 milímetros em diversas regiões, garantindo reposição hídrica do solo em um momento crucial do ciclo das culturas. Na Região Nordeste, porém, os volumes ficaram abaixo de 50 milímetros em boa parte do litoral e do semiárido, restringindo o armazenamento de água no solo. As precipitações regulares entre as Regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul favoreceram especialmente a soja, permitindo o enchimento de grãos e a continuidade do ciclo das lavouras mais tardias.
Na Região Sudeste, as chuvas também contribuíram para o desenvolvimento de culturas como café, cana-de-açúcar e citros, embora tenham ocorrido abaixo da média histórica e acompanhadas de temperaturas elevadas no fim de dezembro e início de janeiro, o que trouxe preocupação pontual para o café. Nas primeiras semanas de janeiro, o padrão de clima úmido se manteve em praticamente todas as regiões agrícolas do País. A regularidade das chuvas sustentou condições favoráveis ao desenvolvimento vegetativo das lavouras, mas o excesso de umidade já começou a afetar o andamento da colheita da soja e o plantio do algodão em algumas áreas, devido à dificuldade de acesso das máquinas às lavouras.
Apesar das variações regionais e dos entraves operacionais no curto prazo, a combinação de boa umidade acumulada, reposição contínua e tendência de neutralidade climática mantém o panorama geral positivo para a safra, com perspectivas estáveis de produtividade. A atenção do mercado, no entanto, segue concentrada na evolução das chuvas ao longo das próximas semanas e nos seus efeitos sobre o calendário agrícola, especialmente sobre a formação da 2ª safra de milho de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.