ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

20/Jan/2026

EUA: Trump renova ameaças tarifárias e UE reage

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou os líderes europeus que resistiram aos seus esforços para adquirir a Groenlândia, que ele diz ser necessária para garantir a segurança nacional contra ameaças externas. "A Europa deveria se concentrar na guerra com a Rússia e a Ucrânia porque, francamente, você vê onde isso os levou", disse Trump. "É nisso que a Europa deveria se concentrar, não na Groenlândia." Quando questionado se ele seguirá adiante com os planos de impor tarifas às nações europeias na ausência de um acordo sobre a Groenlândia, Trump disse: "Eu vou, 100%." As autoridades europeias passaram a enfatizar o papel do G7 como fórum de coordenação diante da escalada de tensões comerciais provocada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou impor tarifas a países europeus caso não haja concordância com a venda da Groenlândia aos Estados Unidos.

O vice-chanceler e ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, afirmou que a Europa responderá de forma coordenada. "Não vamos nos deixar chantagear", disse, ao acrescentar que os países europeus estão "preparando contramedidas junto com nossos parceiros europeus". Para ele, a postura de Trump representa uma sucessão de choques e "o limite foi alcançado". Em coletiva de imprensa conjunta com Klingbeil, o ministro da Economia da França, Roland Lescure, classificou a ameaça tarifária como "chantagem", algo que considerou "obviamente inaceitável". Os ministros das Finanças do G7 devem se reunir nos próximos dias para discutir a resposta ao governo norte-americano, ressaltando que os europeus precisam permanecer prontos para usar "todos os instrumentos" disponíveis.

O The Guardian destacou que Lescure pretende usar o G7 como espaço central para coordenar a reação política, enquanto reafirmou que a França está "totalmente ao lado da Groenlândia e da Dinamarca". De acordo com a Euronews, líderes da União Europeia também decidiram convocar uma cúpula de emergência em Bruxelas ainda nesta semana, após a Comissão Europeia apresentar aos Estados-membros opções que incluem a reativação de um pacote de retaliação tarifária de 93 bilhões de euros contra produtos dos Estados Unidos. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reforçou que "qualquer decisão sobre o futuro da Groenlândia pertence ao povo da Groenlândia e ao Reino da Dinamarca". Starmer afirmou que o uso de tarifas contra aliados é "completamente errado" e advertiu que uma guerra comercial "não é do interesse de ninguém", ainda que tenha reiterado que o Reino Unido e os Estados Unidos seguem sendo aliados e parceiros próximos.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse nesta segunda-feira (19/01) a uma delegação bipartidária do Congresso dos Estados Unidos que as novas tarifas relacionadas a questão da Groenlândia vão contra os interesses comerciais e de investimentos de ambos. A reunião com os legisladores aconteceu nos arredores do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Von der Leyen reiterou às autoridades dos Estados Unidos a necessidade de respeitar a soberania da Groenlândia e da Dinamarca, afirmando que esse ponto é fundamental para a relação entre europeus e norte-americanos. A União Europeia continua pronta para trabalhar em estreita colaboração com os Estados Unidos, a Otan e outros aliados, em cooperação próxima com a Dinamarca, para avançar nossos interesses comuns de segurança, defendeu ela.

A alta representante da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que a segurança do Ártico é um interesse transatlântico comum, e um tema que pode discutir com “aliados norte-americanos". A diplomata afirmou que "as ameaças tarifárias não são o caminho a seguir" e que a "soberania não serve para fins comerciais". Kallas afirmou que o bloco não tem interesse em iniciar uma disputa, mas que irá manter sua posição. "A Europa possui um conjunto de ferramentas para proteger seus interesses", concluiu. A declaração veio após Kallas se reunir com o vice-primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, com o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, e com a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que ainda é muito cedo para avaliar o impacto das últimas tensões comerciais, em referência às tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos contra países europeus. Desviar as relações comerciais do caminho normal pode levar a uma queda no crescimento econômico. O melhor caminho para resolver isso é fazer um acordo, o que vale para qualquer lugar no mundo. A China reagiu nesta segunda-feira (19/01) às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia e pediu que o governo norte-americano abandone o que classificou como narrativa de "ameaça chinesa" para justificar interesses próprios na região.

Questionado sobre o anúncio de tarifas norte-americanas a países europeus ligados ao impasse em torno da ilha, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China Guo Jiakun afirmou que o país "já deixou clara várias vezes sua posição sobre a questão da Groenlândia". O direito internacional, baseado nos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, é o fundamento da ordem internacional vigente e deve ser respeitado. A China pede que os Estados Unidos parem de usar a chamada 'ameaça chinesa' como pretexto para obter ganhos privados. A declaração ocorre após Trump anunciar tarifas progressivas sobre produtos de oito países europeus, condicionando a suspensão das medidas a um acordo para a "aquisição completa e total" da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.

O presidente norte-americano justificou a pressão econômica alegando riscos à segurança internacional e afirmou, em diversas ocasiões, que a China e a Rússia conduzem exercícios militares na região do Ártico. A China tem rebatido essas acusações. Em manifestações anteriores, o governo chinês declarou que suas atividades no Ártico "visam promover a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sustentável" e que "os direitos e liberdades de todos os países para conduzir atividades na região, de acordo com a lei, devem ser plenamente respeitados". A escalada retórica sobre a Groenlândia ampliou tensões entre Estados Unidos e aliados europeus e provocou reações de líderes da União Europeia, que alertaram para o risco de o tema aprofundar divisões no bloco ocidental e até beneficiar China e Rússia. Fontes: NBC News e Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.