20/Jan/2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI), na atualização trimestral do relatório de Perspectivas Econômicas Globais da instituição, divulgado nesta segunda-feira (19/01), voltou a reduzir a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026. O País crescerá apenas 1,6% neste ano, 0,3% abaixo da previsão divulgada em outubro. Caso a projeção se confirme, o Brasil deverá registrar uma desaceleração de quase 1% em relação a 2025, quando o PIB doméstico deve ter crescido 2,5%. Parte da revisão nas perspectivas de crescimento do Brasil para este ano se deve à elevação das tarifas sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos. O País foi um dos mais afetados pelas políticas comerciais do governo Donald Trump, com alíquota que chegou a 50%, mas foi reduzida após negociações entre Brasil e Estados Unidos.
Apesar da revogação da tarifa adicional de 40% em novembro do ano passado, bilhões de dólares em produtos brasileiros vendidos ao mercado norte-americano ainda enfrentam a alíquota combinada de 50% (10% de tarifas recíprocas e 40% de tarifas adicionais específicas para o Brasil). O Brasil só deve voltar a acelerar o passo em termos de crescimento econômico em 2027. A expansão do PIB brasileiro deves ser de 2,3% no próximo ano, uma melhora de 0,1% na comparação com sua projeção anterior. Ainda assim, o País deve crescer abaixo da média dos países da América Latina e do Caribe. O Fundo estima expansão para a região de 2,2% neste ano e de 2,7% no próximo. Os países estão em "diferentes posições cíclicas". Há risco de uma escalada "significativa" nas tensões geopolíticas na América Latina, com potencial de desencadear "choques de oferta negativos substanciais".
A discrepância do crescimento econômico do Brasil aumenta quando comparado ao avanço projetado para mercados emergentes e em desenvolvimento. A média estimada para esses países, de 4,2% em 2026, é mais do que o dobro da esperada para a economia brasileira neste ano. Para 2027, os países emergentes também devem crescer em ritmo mais acelerado, chegando a 4,1%. A discrepância do desempenho brasileiro aumenta quando comparada à média estimada para os mercados emergentes e em desenvolvimento. Para 2026, o avanço deve ser de 4,2% para esse grupo, mais que o dobro da taxa prevista para a economia brasileira. Em 2027, os emergentes também devem crescer em ritmo mais acelerado, chegando a 4,1%.
A previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) das duas maiores economias do mundo (China e Estados Unidos) em 2026 foi elevada, mas, para 2027, as projeções foram reduzidas devido a fatores domésticos. O crescimento econômico dos Estados Unidos deve acelerar de 2,1% no ano passado para 2,4% em 2026, ambas as estimativas estão acima do previsto no relatório de outubro, quando se previa alta de 2% e de 2,1%, respectivamente. Em 2027, no entanto, o desempenho deve desacelerar a 1,9%. No caso da economia norte-americana, investimentos e gastos em tecnologia foram responsáveis por adicionar 0,3% para a média anualizada do PIB dos três primeiros trimestres de 2025, compensando parte dos efeitos do shutdown no quarto trimestre.
Para o próximo ano, os incentivos fiscais da "Big Beautiful Bill" devem oferecer suporte no curto prazo junto a gastos mais moderados de tecnologia, se sobrepondo à redução na imigração e no consumo. A economia da China deve desacelerar a 4,5% neste ano e a 4% no próximo, ante avanço de 5% em 2025. Em outubro, as estimativas eram de 4,2% para ambos os anos de 2026 e 2027, com alta de 4,8% em 2025. A China continua enfrentando demanda doméstica fraca e problemas no setor imobiliário, equilibrados em parte com exportações resilientes. Essas dificuldades devem se ajustar no próximo ano, ao mesmo tempo em que a inflação ganha tração. Para economias desenvolvidas, a projeção de avanço é de 1,8% em 2026 e 1,7% em 2027.
Na zona do euro, o PIB deve avançar 1,3% neste ano, ante projeção anterior de 1,2%, e acelerar a 1,4% em 2027. No Japão, o PIB também teve previsão elevada a 0,7% em 2026, mas a projeção de desaceleração a 0,6% em 2027 permaneceu, assim como estimativas de moderação da inflação neste ano e conversão para a meta de 2% no próximo. O aumento de gastos com defesa devido a tensões geopolíticas teve poucas repercussões claras no último ano e deve se materializar apenas nos próximos anos, em ritmo gradual até 2035. Na Europa, gastos públicos da Alemanha e desempenho forte da atividade na Irlanda e na Espanha devem acelerar o crescimento econômico já em 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.