20/Jan/2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI), na atualização trimestral do relatório de Perspectivas Econômicas Globais (WEO), divulgado nesta segunda-feira (19/01), elevou sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global em 2026, a 3,3%, mas pondera que ainda existem diversos riscos de baixa para o desempenho da atividade econômica, prevendo uma leve desaceleração a 3,2% em 2027. Em outubro, a previsão de crescimento neste ano era de 3,1%. Com a elevação, o PIB global deverá ficar estável em relação a 2025, cuja estimativa permaneceu inalterada em 3,3%. Os ventos contrários das mudanças em políticas comerciais foram contrabalançados pelo salto nos investimentos ligados a tecnologia e inteligência artificial (IA), assim como pelo suporte fiscal e monetário, condições financeiras amplamente acomodatícias e adaptabilidade do setor privado. Os investimentos em tecnologia podem continuar a elevar o crescimento global em 2026, a depender de quão rápida será a adoção de inteligência artificial pelos países.
No melhor cenário, o avanço do PIB pode ser ampliado em 0,3% neste ano e entre 0,1% e 0,8% no médio prazo. Por outro lado, correções na valorização de IA nos mercados acionários e consequente aperto das condições financeiras podem reduzir em 0,4% o PIB global, caso investidores reavaliem suas expectativas de aumento de produtividade com a tecnologia. Outros riscos para o cenário são: tensões geopolíticas e comerciais; aumento de incertezas na economia global; efeitos cascata sobre mercados financeiros, cadeias de oferta e preços de commodities; maiores déficits fiscais e pressão sobre rendimentos de longo prazo. Neste último caso, políticas para restaurar espaço fiscal, preservar preços e estabilidade financeira e implementar reformas estruturais podem contribuir para aumentar o crescimento econômico no médio prazo. As incertezas políticas continuam muito mais elevadas do que estavam em janeiro de 2025, mas reduziram em relação a outubro, enquanto condições financeiras tiveram poucas mudanças apesar de "alguma volatilidade" e aumento nos rendimentos soberanos.
No câmbio, o dólar teve leve recuperação, mas sucumbiu a pressão renovada após o início de investigações contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell. A inflação global deve desacelerar de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026. Os números representam um corte na estimativa para o ano passado, mas uma elevação na previsão para este ano em comparação ao relatório de outubro, que previa alta de 4,2% e 3,7%, respectivamente. As projeções seguem amplamente inalteradas e sugerem que os preços aos consumidores estão retornando para a meta, embora em ritmo mais lento nos Estados Unidos do que em outras economias. Em 2027, a expectativa é de que a inflação reduza o avanço a 3,4%. Os custos de vida norte-americanos são a maior preocupação em pesquisas domésticas, que apontam expectativas inflacionárias no horizonte de um ano e preços ao produtor industrial ainda elevados. Apesar disso, a expectativa é de que os efeitos das tarifas desapareçam ao longo deste ano e os preços de commodities de energia, incluindo petróleo e gás natural, devem cair cerca de 7% em 2026, em um mercado ainda composto por oferta excessiva e demanda fraca, dando alívio a pressões inflacionárias.
Entre os riscos, os possíveis desdobramentos da política fiscal em nível global e tensões comerciais e geopolíticas. Acordos comerciais podem reduzir as tarifas efetivas e gerar ganhos globais de eficiência, enquanto a redução nas tensões geopolíticas pode contribuir para aliviar cadeias de suprimento. Contudo, uma escalada "significativa" geopolítica no Oriente Médio, Ucrânia, Ásia e/ou América Latina pode desencadear choques negativos de oferta ao interromper rotas de frete, viagens aéreas, entre outros efeitos. Este cenário levaria a atrasos e aumentos nos custos, principalmente se infraestruturas críticas forem danificadas, elevando preços de commodities. A previsão é de uma desaceleração acentuada no volume de comércio global, de 4,1% em 2025 a 2,6% neste ano. Apesar disso, o resultado representa uma elevação em comparação às projeções de outubro, de 3,6% e 2,3%, respectivamente. Para 2027, é esperada uma aceleração a 3,1%, previsão inalterada. O comércio global continua relativamente robusto, com expansão em exportações de tecnologia contrabalançando a perda em outras categorias.
O desempenho no ano passado também reflete o adiantamento a tarifas dos Estados Unidos, que ampliou estocagem de produtos em vários países, e os ajustes no fluxo de comércio com as novas políticas. No médio prazo, pacotes fiscais expansionistas em economias com superávit de contas correntes devem contribuir para o declínio de desequilíbrios globais, junto a força do salto de investimentos em negócios ligados à tecnologia. Os Estados Unidos devem ser os maiores beneficiários dos novos fluxos de capital mesmo com alguma moderação no futuro. As estimativas incluem apenas dados do período encerrado em dezembro de 2025, assumindo que as políticas em vigor na época seriam permanentes. Assim, os cálculos não incluem quaisquer mudanças feitas posteriormente, como o recente acordo comercial entre Estados Unidos e Taiwan ou imposição de tarifas a países relacionados ao Irã ou Groenlândia. Em dezembro, a taxa efetiva de tarifas dos Estados Unidos era estimada em 18,5%, abaixo das projeções de 18,7% feitas em outubro. A taxa efetiva de tarifas correspondente do restante do mundo permaneceu inalterada em 3,5%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.