19/Jan/2026
A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) estima que as exportações de alimentos industrializados do País podem crescer entre R$ 400 milhões e R$ 3,5 bilhões por ano com o acordo entre Mercosul e União Europeia. Com o acordo de livre comércio, as exportações do setor podem crescer entre 1% e 2% no curto prazo, entre 3% e 5% no médio prazo e entre 6% e 8% no longo prazo. Esse incremento pode gerar entre 3 mil e 30 mil empregos diretos e indiretos ao longo do tempo. O acordo é visto como um instrumento estratégico para o fortalecimento da segurança alimentar, da previsibilidade comercial e da capacidade de agregação de valor das cadeias produtivas.
Seu valor econômico central reside menos na redução tarifária isolada e mais na previsibilidade institucional, na estabilidade das regras de acesso ao mercado e na mitigação de incertezas regulatórias, fatores decisivos para a atração de investimentos produtivos de médio e longo prazo. Ao integrar dois dos maiores blocos econômicos do mundo, o acordo consolida o acesso a mercados de elevado poder aquisitivo e alta densidade regulatória, com efeitos diretos sobre a sofisticação da pauta exportadora, a diferenciação de produtos e a inserção da indústria brasileira em segmentos de maior valor agregado. Os efeitos do acordo se tornam ainda mais relevantes em contexto global de aumento das exigências sanitárias, técnicas e ambientais.
Em um cenário internacional caracterizado por instabilidade geopolítica, choques climáticos, fragmentação do comércio e uso crescente de barreiras comerciais, o acordo amplia a resiliência dos sistemas de abastecimento ao consolidar regras estáveis de acesso a um dos mercados consumidores mais exigentes do mundo. Ao mesmo tempo, contribui para a atração de investimentos produtivos, para a organização das cadeias e para o reposicionamento estratégico do Brasil no comércio internacional de alimentos industrializados.
Foram ressaltados como aspectos positivos do acordo a previsibilidade regulatória, a cooperação institucional, a integração entre cadeias produtivas, a ampliação de oportunidades de internacionalização e estímulo a investimentos em segmentos associados à bioeconomia, a ingredientes alimentares e a alimentos processados de maior valor agregado. Com isso, contribui para consolidar o Brasil como fornecedor confiável de alimentos industrializados, produzidos sob elevados padrões de qualidade, segurança e sustentabilidade. No último ano, a indústria de alimentos exportou US$ 66,8 bilhões, sendo cerca de US$ 8,7 bilhões para o bloco europeu. A indústria de alimentos e bebidas processa 62% de tudo o que é produzido no campo no País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.