16/Jan/2026
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o ano de 2025 foi um dos três mais quentes dos últimos 176 anos, ao lado de 2023 e 2024. Outro estudo realizado pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, e pela Berkeley Earth, uma organização de pesquisa com sede na Califórnia (EUA), mostra que não há previsão de alívio em 2026. A análise da OMM consolida os registros de oito bases de dados: todas elas apontam os últimos três anos (2023-2025) como os mais quentes já registrados, sendo 2025 o segundo mais quente em dois desses registros e o terceiro ano mais quente nos outros seis. Os dados da OMM também revelam uma tendência de longo prazo, com recordes sucessivos de temperatura nos últimos 11 anos (desde 2015), que não arrefeceu nem com o esfriamento temporário promovido pelo fenômeno La Niña.
Em 2025, a temperatura média global da superfície esteve 1,44°C (com uma margem de incerteza aproximada de 0,13°C) acima da média de 1850 a 1900. A média dos últimos três anos é 1,48°C acima do nível pré-industrial. O ano de 2025 começou e terminou com o resfriamento do La Niña, e ainda assim foi um dos anos mais quentes já registrados globalmente devido ao acúmulo de gases de efeito estufa que retêm calor na atmosfera. As altas temperaturas terrestres e oceânicas impulsionaram no ano passado a ocorrência de eventos climáticos extremos como ondas de calor, chuvas intensas e ciclones, enfatizando a necessidade de se adotar sistemas de alerta precoce. Pela primeira vez, as temperaturas globais ultrapassaram 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, em média, nos últimos três anos, segundo o relatório anual do Instituto Copernicus. O pico de aquecimento observado entre 2023 e 2025 foi extremo e sugere uma aceleração na taxa de aquecimento da Terra, afirmou a Berkeley Earth em relatório separado.
No ano passado, cerca de 770 milhões de pessoas vivenciaram temperaturas médias anuais recordes em suas regiões, enquanto nenhuma média anual de frio recorde foi registrada em nenhum lugar. A Copernicus informa que a Antártida registrou seu ano mais quente de todos os tempos, enquanto o Ártico teve o segundo ano mais quente. Uma análise da AFP com base em dados do projeto Copernicus, divulgada em dezembro, revelou que 2025 foi o ano mais quente da história na Ásia Central, a região do Sahel e o norte da Europa. Há uma década, mais de 190 países assinaram o Acordo de Paris e concordaram em adotar medidas para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima da era pré-industrial. Isso porque a era industrial iniciou a queima de carvão, petróleo e gás em larga escala, liberando gases de efeito estufa responsáveis pela mudança climática.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, declarou no fim do ano passado que ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento nos próximos anos se tornou inevitável. Cerca de 90% do excesso de calor do aquecimento global é armazenado pelos oceanos, o que faz deles sensores importantes da mudança do clima. Um estudo publicado em 2026 por pesquisadores de vários países constatou que a temperatura média global da superfície do mar (SST) em 2025 foi 0,49°C acima do patamar de 1981-2010, sendo o terceiro ano mais quente já registrado. Isso reflete o acúmulo de longo prazo de calor no sistema climático. Cerca de 33% da área oceânica global ficou entre as três condições mais quentes na história (1958-2025), e cerca de 57% ficaram entre as cinco mais quentes, incluindo o Atlântico Tropical Sul, que banha a costa brasileira, o mar Mediterrâneo e o oceano Índico Norte. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.