16/Jan/2026
De acordo com dados da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, as exportações do agronegócio brasileiro aos países árabes totalizaram US$ 15,91 bilhões em 2025, recuo de 11,19% no ano. O agronegócio respondeu por 72,5% do total vendido pelo país ao bloco. Os embarques totais do País renderam US$ 21,34 bilhões, queda de 9,81% em relação a 2024. Isso refletiu a desvalorização das commodities e impactos sanitários ao longo do ano. No recorte do agronegócio, açúcar (US$ 4,63 bilhões, -29,89%), frango (US$ 3,34 bilhões, -6,40%), milho (US$ 3,07 bilhões, +24,94%), minério de ferro (US$ 2,65 bilhões, -12,70%) e carne bovina (US$ 1,79 bilhão, +1,91%) lideraram as vendas ao bloco. A carne bovina apresentou o melhor desempenho relativo.
As exportações do produto avançaram tanto em mercados tradicionais quanto em destinos que ganharam tração recente para a indústria frigorífica brasileira. O Egito liderou as compras, com US$ 375,35 milhões, crescimento de 24,53%, seguido pela Arábia Saudita, que importou US$ 333,10 milhões, alta de 29,90%. A Argélia consolidou-se como um dos mercados mais dinâmicos, ampliando as aquisições em 40,56%, para US$ 286,58 milhões, intensificando o movimento iniciado em 2024. O resultado reflete tanto a maior atuação dos frigoríficos brasileiros quanto a decisão dos países árabes de reforçar estoques de alimentos, diante do risco de desorganização das cadeias globais de suprimento após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a diversos fornecedores, incluindo o Brasil, que hoje responde por cerca de 50% dos alimentos importados pela região.
Os árabes intensificaram as aquisições, e o Brasil foi particularmente beneficiado na carne bovina porque tinha maior disponibilidade do produto. O reforço dos estoques, no entanto, limitou o espaço para outros alimentos e produziu um recuo no total das exportações. Mesmo assim, o resultado foi muito positivo: o segundo melhor ano da série histórica em exportações e superávit comercial. Os árabes seguem extremamente relevantes para os exportadores brasileiros. Também chamou atenção o desempenho dos insumos usados na produção local de proteínas animais. As exportações de gado vivo para abate cresceram 18,10%, alcançando US$ 695,09 milhões, enquanto as vendas de milho para ração avançaram 24,93%, para US$ 3,07 bilhões.
Mesmo com políticas de incentivo à produção doméstica, a proteína brasileira manteve espaço relevante na região. A Arábia Saudita foi o maior comprador de frango do Brasil em 2025, com alta de 15,14%, totalizando US$ 942,39 milhões. Os Emirados Árabes Unidos mantiveram compras praticamente estáveis, em US$ 937,43 milhões, recuo marginal de 0,97%, com avanço nos volumes embarcados. O comércio entre Brasil e países árabes mostrou resiliência em 2025 e deve ganhar fôlego em 2026. No quarto trimestre, as exportações cresceram 8,2% frente ao mesmo período de 2024. A intensificação de embarques no fim de 2025 reflete a formação de estoques para o Ramadã, que começa em 17 de fevereiro, mas também indica uma normalização do comércio no cenário pós-tarifaço. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.