16/Jan/2026
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a piora no desempenho das trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos foi um dos elementos a reduzir o superávit da balança comercial brasileira na passagem de 2024 para 2025. A perda, porém, foi parcialmente compensada pelo aumento nas remessas para a Argentina. Para 2026, volta a preocupar a imprevisibilidade de medidas do governo do presidente norte-americano Donald Trump sobre o comércio internacional. O ano de 2025 foi marcado pelas incertezas trazidas pela imprevisibilidade e total desrespeito às regras do comércio mundial pelo governo Trump. Entre as três notícias que marcam o início de 2026 está a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, após 26 anos de negociações. Os efeitos não são imediatos, pois os cronogramas de desgravação tarifária são longos podendo chegar a 30 anos para carros de novas tecnologias, no caso brasileiro.
Em adição, os ganhos da agropecuária para o Brasil foram reduzidos com imposição de cotas para produtos sensíveis. A segunda questão foi o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que poderia afetar a balança comercial indiretamente através de impactos no petróleo e instaura uma preocupação porque passa a pairar sempre a possibilidade de políticas mais intervencionistas na região. A terceira foi o anúncio de uma tarifa de importação de 25% incidente sobre os produtos de países que negociam com o Irã. Em 2025, o Irã respondeu por 0,84% das exportações do Brasil, sendo por 0,03% das importações. Os percentuais são pequenos. No entanto, o pior impacto é novamente a incerteza e a imprevisibilidade que Trump traz para o comércio e a economia mundial. A expectativa que, em 2026, Donald Trump ficaria mais voltado para as questões domésticas dos Estados Unidos parece que não vai se realizar. O ano de 2026 iniciou com um cenário internacional com potencial conflitos e a isso se junta o ano de eleições no Brasil, onde apostas em candidatos tendem a gerar volatilidade cambial que afetam as decisões do comércio exterior.
A balança comercial brasileira teve um superávit entre US$ 68,3 bilhões no ano de 2025. O volume de exportações aumentou 5,9% em relação a 2024, enquanto as importações subiram 7,1%. Em relação ao desempenho de 2024, o superávit encolheu US$ 5,9 bilhões. As trocas comerciais do Brasil com os Estados Unidos passaram de um déficit de aproximadamente US$ 300 milhões em 2024 para um déficit de US$ 7,5 bilhões em 2025. O comércio com a China resultou num superávit US$ 1,6 bilhões menor, passando de US$ 30,7 bilhões em 2024 para US$ 29,1 bilhões em 2025. As trocas com a União Europeia encolheram de superávit de US$ 1,05 bilhão em 2024 para déficit de US$ 0,5 bilhão em 2025. A corrente de comércio com a Argentina contribuiu positivamente, com superávit de US$ 5,2 bilhões em 2025, ante US$ 0,2 bilhão em 2024.
Ainda, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o acordo com a União Europeia não interfere na negociação com os Estados Unidos para reduzir ainda mais o tarifaço imposto pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump. Ele ressaltou que os Estados Unidos são muito importantes porque é para onde o Brasil exporta produtos de valor agregado. O governo brasileiro vai continuar trabalhando para reduzir ainda mais a alíquota e abrir mais mercados. Ele afirmou que houve avanços: a primeira ordem executiva afetava 37% dos produtos com a tarifa de 10%+40%. Foi reduzida para 36%, para 34%, para 33%, para 22% e hoje está em 19%. A ideia é trabalhar para reduzir a alíquota e excluir mais produtos. Café, carne, frutas, suco de laranja, avião, determinados produtos de madeira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.