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15/Jan/2026

Entrevista com Manuel Alcalá - Smurfit Westrock

Em 2025, a Smurfit Westrock, uma das maiores fabricantes globais de embalagens de papel, anunciou investimento de mais de R$ 800 milhões nas suas fábricas brasileiras até este ano. "O Brasil é estratégico para a Smurfit Westrock por sua base produtiva, disponibilidade de recursos florestais renováveis e crescente demanda por embalagens sustentáveis de alto desempenho", justifica o CEO da subsidiária brasileira, Manuel Alcalá, informando que a companhia detém cerca de 54 mil hectares de florestas próprias para esse fim. De acordo com o executivo, novos setores têm demandado embalagens de papel no País em substituição ao plástico e ao isopor, como, por exemplo, o comércio de bens duráveis. "O setor de embalagens no Brasil deve consolidar, até 2050, uma transição acelerada para a economia circular, com foco em materiais renováveis, redução de insumos de origem fóssil e soluções alinhadas às metas de neutralidade de carbono", prevê. "O País reúne condições únicas para liderar essa transformação." A Smurfit Westrock é resultado de uma fusão entre a irlandesa Smurfit Kappa e a norte-americana Westrock, concluída em julho de 2024. No Brasil, a companhia está presente em seis Estados, com nove fábricas. Segue a entrevista:

O mercado global de embalagens recicláveis deve alcançar US$ 460 bi até 2035. A Smurfit Westrock no Brasil já tem se beneficiado desse crescimento?

Manuel Alcalá: Sim. O Brasil já se beneficia do crescimento global das embalagens recicláveis, e a Smurfit Westrock tem papel ativo nesse movimento ao ampliar sua capacidade e acelerar a oferta de soluções sustentáveis no País. Em 2025, anunciamos um investimento de US$ 150 milhões (quase R$ 810 milhões), a ser realizado até este ano em várias unidades, direcionado principalmente à produção de papel e à expansão da capacidade de embalagens sustentáveis. Esse movimento fortalece nossa presença em segmentos estratégicos da economia e sustenta a expectativa de crescimento.

Quais segmentos têm tido maior apetite por essas embalagens hoje no Brasil?

Manuel Alcalá: Os principais segmentos são alimentos, bebidas, proteínas, saúde, beleza e bens de consumo, setores que estão na vanguarda da adoção de soluções sustentáveis, especialmente à medida que os consumidores se tornam mais conscientes do impacto ambiental dos produtos que consomem. A indústria alimentícia, por exemplo, tem buscado cada vez mais opções de embalagens que não apenas protejam os produtos de forma eficiente, mas que também possam ser recicladas após o uso. O sistema de governança da Smurfit Westrock assegura que todas as etapas da cadeia respeitem padrões internacionais de responsabilidade socioambiental, e temos desempenhado um papel crucial ao fornecer soluções de embalagem que são não só sustentáveis, mas também otimizadas para o transporte e a distribuição. Com isso, reduzimos a necessidade de materiais adicionais e melhoramos a eficiência logística.

Que inovações o mercado tem exigido em relação às embalagens?

Manuel Alcalá: O mercado tem exigido embalagens mais estratégicas, que unam eficiência logística, impacto de marca e sustentabilidade. Há maior demanda por formatos inteligentes, especialmente para e-commerce, com design estrutural sob medida, melhor proteção, redução de desperdícios e uma experiência de unboxing (abertura de embalagem) mais relevante. Também tem crescido a busca por impressão de alta qualidade e impressão digital, que permitem personalização e agilidade no lançamento de produtos. A sustentabilidade tem sido um eixo central, com exigência por embalagens monomaterial, recicláveis e à base de papel, substituindo materiais não recicláveis, sem perda de desempenho. Além disso, o mercado vem exigindo soluções que facilitem a reposição no ponto de venda, permitindo que a embalagem vá diretamente do transporte para a prateleira, com abertura fácil e boa exposição do produto.

O sr. diz que o Brasil tem papel estratégico na transição para embalagens sustentáveis. Que investimentos ou parcerias estão sendo planejados para aproveitar esse potencial?

Manuel Alcalá: O Brasil é estratégico para a Smurfit Westrock por sua base produtiva, disponibilidade de recursos florestais renováveis e crescente demanda por embalagens sustentáveis de alto desempenho. No País, a companhia detém cerca de 54 mil hectares de florestas próprias, com certificação dupla FSC e PEFC, sendo 43% das áreas destinadas à preservação ambiental e habitat de mais de 600 espécies nativas, inclusive ameaçadas. Essa base florestal contribui para a remoção significativa de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e garante matéria-prima renovável, fortalecendo uma cadeia integrada de papel e papelão ondulado alinhada à economia circular. A empresa tem ampliado investimentos industriais e fortalecido parcerias de cocriação com clientes e varejistas brasileiros para capturar esse potencial. As equipes locais de design têm desenvolvido soluções customizadas que combinam sustentabilidade, eficiência logística e desempenho no ponto de venda, apoiadas por centros de experiência como o Experience Center, em São Paulo.

O sr. disse recentemente que ‘a embalagem deixou de ser um invólucro funcional e passou a ser uma extensão da identidade ambiental das marcas’. De que forma?

Manuel Alcalá: A embalagem passou a ser uma extensão da identidade ambiental das marcas porque se tornou um dos elementos mais visíveis e mensuráveis de seus compromissos ESG. Os consumidores, investidores e reguladores avaliam a embalagem como uma evidência prática de responsabilidade ambiental, e não mais apenas como um componente funcional do produto. Na Smurfit Westrock, esse conceito se traduz em soluções baseadas em fibras renováveis, design circular e rastreabilidade de origem, que permitem às marcas comunicarem propósito, coerência ambiental e inovação diretamente no ponto de venda. A embalagem passa a expressar valores, posicionamento e visão de longo prazo.

Fonte: Broadcast Agro.