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14/Jan/2026

Mercosul-UE terá impacto limitado no Agronegócio

Segundo o Banco BTG Pactual, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia terá efeitos graduais e escala modesta para o agronegócio brasileiro, sem provocar mudanças estruturais ou significativas no curto prazo. Os setores de café, aves, etanol e açúcar são os mais propensos a mudanças positivas no longo prazo. O tratado é bom, mas não disruptivo. A cota de 99 mil toneladas de carne bovina que será implementada até 2031 representa apenas 0,6% da produção estimada do Mercosul e 1,6% das exportações. Em termos de volume, essa escala dificilmente moverá o ponteiro. Para aves, a cota livre de tarifas de 180 mil toneladas até 2031 pode aumentar em 65% as exportações brasileiras de frango para a União Europeia. O Brasil, que responde por cerca de 90% da produção de aves do Mercosul, deve capturar a maior parte dessa cota.

Ainda assim, mesmo capturando toda a cota em 2026, isso representaria apenas 0,2% da produção brasileira de frango nos últimos 12 meses. Os ganhos virão principalmente pela melhoria no mix de vendas, já que a União Europeia paga prêmios de cerca de 60% sobre o preço médio das exportações brasileiras de carne bovina e de aves. No segmento de açúcar e etanol, o impacto incremental do açúcar será limitado, já que as importações da União Europeia vindas do Brasil já excedem a cota de 180 mil toneladas em cerca de 670 mil toneladas. Para o etanol, a cota de 650 mil toneladas estabelecida representa cerca de metade das exportações totais do Brasil e mais de três vezes o que a União Europeia importou do País em 2025.

Com o etanol à base de milho adicionando cerca de 1 bilhão a 2 bilhões de litros de nova capacidade por ano nos próximos anos, um mercado de exportação mais amplo e em crescimento que paga preços mais altos é uma adição bem-vinda, embora ainda não seja suficiente em termos de volume. Para o café industrializado, principal destino de exportação do Brasil com 47% dos volumes em 2025, as tarifas de 7,5% serão gradualmente eliminadas ao longo de quatro anos, sem definição de cota. Isso deve apoiar as exportações e melhorar o posicionamento competitivo do Brasil nos mercados europeus. O acordo precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu, o que pode introduzir ajustes regulatórios. A distribuição das cotas entre os países do Mercosul só será definida após a ratificação. A maioria das reduções tarifárias e cotas será implementada gradualmente ao longo de vários anos, mitigando qualquer impacto de curto prazo.

O BTG alerta para o mecanismo de salvaguarda bilateral incluído no acordo, que permite à União Europeia suspender temporariamente tarifas preferenciais por procedimentos mais rápidos e simples se as importações forem consideradas prejudiciais aos produtores domésticos. Esse último item pode se mostrar particularmente intrigante, semelhante aos argumentos recentemente levantados pela China para impor salvaguardas contra importações de carne bovina. Entre as empresas da cobertura do banco, JBS, Minerva, BRF, São Martinho, Jalles Machado e Camil podem se beneficiar do acordo no longo prazo, em escala modesta e ritmo gradual. A Camil tem potencial de ganhos por meio de operações no Uruguai e Paraguai. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.