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14/Jan/2026

Brasil-Noruega: oportunidades com Mercosul-UE

Segundo o cônsul-geral da Noruega no Brasil, Mette Tangen, o comércio bilateral Brasil-Noruega, que em 2024 movimentou US$ 4,5 bilhões, deve entrar numa nova fase de oportunidades com a ratificação do acordo Mercosul-UE. Os dados de comércio são substanciais e há uma oportunidade de aumentar agora. A Noruega vai ratificar o acordo assim que concluir os processos técnicos. E, por parte do Brasil, a expectativa é de que seja antes das eleições. De acordo com o Norway in Brazil: Investment and Trade Report 2025, lançado nesta terça-feira (13/01), o Brasil é o principal parceiro comercial da Noruega na América Latina. Em 2024, as exportações norueguesas para o Brasil totalizaram US$ 2,1 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 2,4 bilhões. Os investimentos noruegueses no Brasil alcançaram quase US$ 14 bilhões em 2024, posicionando a Noruega como o 12º maior investidor estrangeiro no mercado brasileiro.

Num mundo cada vez mais incerto, é uma parceria sólida, baseada em confiança e previsibilidade. Essa relação gera investimentos, empregos e valor local no Brasil. As empresas norueguesas estão no Brasil por um longo prazo, trazem alto padrão para e o Brasil é um parceiro fundamental em muitas frentes. As empresas norueguesas investiram US$ 1,8 bilhão em energia renovável no Brasil nos últimos dois anos. A publicação destaca que os recursos eólicos brasileiros e conhecimento offshore da Noruega colocam os países em posição de liderar um novo capítulo em energia renovável. Uma outra frente a ser explorada é o hidrogênio verde. O Brasil se coloca como líder regional em hidrogênio verde graças a avanços na legislação, no desenvolvimento do mercado e nos sistemas de certificação. A Noruega, que abriga uma das indústrias de hidrogênio mais avançadas da Europa, está bem-posicionada para contribuir com sua expertise e investir em novas instalações de produção no Brasil.

As colaborações em hidrogênio entre Brasil e Noruega já estão em curso, com um acordo entre a Fuella e o complexo portuário e industrial Porto do Açu para reserva de área no hub do porto dedicado a hidrogênio de baixo carbono e derivados. O Brasil reúne todas as oportunidades de ganhar nesse cenário de transição energética, mas é preciso um trabalho conjunto para garantir condições favoráveis de investimentos. Os empreendedores noruegueses gostam do Brasil e de fazer negócio no Brasil. A tendência é que as empresas continuem no País e tenham um crescimento orgânico. As empresas norueguesas são responsáveis por mais de 34 mil empregos diretos e 84 mil indiretos no Brasil. Dentre as 160 empresas norueguesas que atuam no País e empregam localmente, metade pretende aumentar a contratação, enquanto apenas 5% revelaram que pretende reduzir a força de trabalho.

A perspectiva positiva se confronta com alguns entraves. Há desafios no setor elétrico, como os cortes forçados (curtailment). Diversas companhias estão se expandindo mais rapidamente no Brasil do que em seu mercado doméstico e em outros mercados internacionais. O relatório aponta a Equinor, que aumentou sua força de trabalho no Brasil em cerca de 70% desde 2019. A empresa teve avanços em projetos importantes, como o campo de Bacalhau, que iniciou a produção em 2025, e está desenvolvendo o campo de gás de Raia, na Bacia de Campos. Outra empresa que teve um salto nas contratações foi a Hydro Rein, que atua com energia solar, de mais de 150%. O Brasil é a maior localidade da Hydro em termos de força de trabalho, empregando mais pessoas do que na Noruega. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.