14/Jan/2026
A Copa-Cogeca, importante entidade que representa os agricultores e cooperativas agrícolas da União Europeia, anunciou, nesta terça-feira (13/01), que apoiará oficialmente a manifestação convocada para o dia 20 de janeiro, em Estrasburgo. A entidade destacou que os anúncios recentes feitos após a reunião extraordinária de ministros da Agricultura e Pesca (AGRI-FISH) com a Comissão Europeia foram insuficientes para tratar da urgência e dos desafios enfrentados pelo setor. Além disso, o comunicado destaca que a votação no Conselho da União Europeia e as manobras políticas para a aprovação do acordo com o Mercosul aumentaram as frustrações dos produtores rurais. Segundo a organização, os agricultores encontram-se num cenário de "esmagamento de preços", pressionados entre o aumento dos custos de fertilizantes e insumos e a queda na renda, num momento de extrema volatilidade para a produção de cereais e pecuária. O foco da mobilização agora se volta para o Parlamento Europeu.
A Copa-Cogeca declarou que espera que os deputados europeus assumam as demandas do setor, uma vez que têm os meios para agir sobre essas questões urgentes. A nota ressalta que cabe aos parlamentares demonstrarem na prática o apoio que afirmam dar às comunidades agrícolas para garantir a segurança alimentar da Europa. Enquanto as instituições da União Europeia não apresentarem respostas concretas que melhorem a competitividade e a resiliência do campo, a mobilização continuará. O apoio institucional da Copa-Cogeca ocorre em meio a uma onda de protestos que já toma conta do continente. Na França, agricultores bloquearam o porto de Le Havre para controlar importações. Cerca de 350 tratores percorreram avenidas de Paris nesta terça-feira (13/01) em direção ao Parlamento para protestar contra a baixa renda e o acordo comercial da União Europeia com o Mercosul, que a categoria teme ameaçar seus meios de subsistência.
Os agricultores franceses afirmam que seus ganhos estão sendo pressionados pelo aumento dos custos de combustível, fertilizantes e ração animal, além de regras ambientais mais rígidas e pressão de preços por parte de varejistas e empresas de alimentos. Escoltados pela polícia, os tratores atrapalharam o trânsito na hora do rush enquanto desciam a Champs-Elysées e outras avenidas parisienses, cruzando o Rio Sena até a Assembleia Nacional. Os sindicatos que lideram os atos exigem "ação concreta e imediata" para defender a segurança alimentar da França. Assim como produtores em toda a União Europeia, os franceses denunciam o planejado acordo comercial do bloco com as nações do Mercosul (Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai). Eles argumentam que o pacto inundaria o mercado com importações mais baratas de carne bovina, aves, açúcar e outros produtos agrícolas produzidos sob padrões diferentes, prejudicando os produtores europeus e derrubando os preços.
O presidente da França, Emmanuel Macron, e seu governo também se opõem ao acordo, que está em negociação desde 1999. O governo francês fará novos anúncios em breve para ajudar o setor. No entanto, espera-se que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assine o tratado no Paraguai no sábado (17/01), após uma maioria qualificada de Estados-Membros da União Europeia ter apoiado o texto na semana passada. O acordo seguirá, então, para o Parlamento Europeu, que inicia um processo de aprovação de meses na próxima semana. Na Irlanda, tratores ocuparam as ruas de Athlone contra o tratado com o bloco sul-americano. A entidade europeia reiterou que decisões políticas decisivas são mais necessárias do que nunca para restaurar a visibilidade e a estabilidade a longo prazo do setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.