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14/Jan/2026

Banco Mundial: Perspectivas Econômicas Globais

Segundo o mais recente relatório Perspectivas Econômicas Globais, do Banco Mundial, a economia global está se mostrando mais resiliente do que o esperado, apesar das persistentes tensões comerciais e da incerteza em relação às políticas econômicas. O crescimento global deve permanecer amplamente estável nos próximos dois anos, desacelerando para 2,6% em 2026 antes de subir para 2,7% em 2027, ante uma alta de 2,4% e 2,6%, respectivamente, do relatório divulgado em junho. Essa resiliência reflete um crescimento melhor do que o esperado, especialmente nos Estados Unidos, que respondem por cerca de dois terços da revisão positiva da projeção para 2026. Ainda assim, se essas previsões se confirmarem, a década de 2020 caminha para ser a mais fraca em termos de crescimento global desde 1960. O ritmo lento da atividade amplia a desigualdade nos padrões de vida ao redor do mundo. Ao final de 2025, quase todas as economias avançadas apresentavam renda per capita acima dos níveis de 2019, enquanto cerca de uma em cada quatro economias em desenvolvimento tinha renda per capita inferior.

Em 2025, o PIB global teve impulso do aumento no comércio antes de mudanças de política econômica e por ajustes rápidos nas cadeias globais de suprimento. Esses fatores devem perder força em 2026, à medida que o comércio e a demanda interna enfraquecem. No entanto, a flexibilização das condições financeiras globais e a expansão fiscal em várias grandes economias devem ajudar a amortecer a desaceleração. Ao mesmo tempo, a inflação global deve recuar para 2,6% em 2026, refletindo mercado de trabalho mais fraco e preços mais baixos de energia. O crescimento deve ganhar impulso em 2027, à medida que os fluxos comerciais se ajustem e a incerteza de políticas diminua. O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,9% em 2025 e deve desacelerar para alta de 4,4% em 2026. As estimativas representam um aumento em relação ao levantamento divulgado no ano passado, em que as previsões eram de 4,5% e 4,0%, respectivamente. Para 2027, a entidade projeta crescimento do PIB chinês de 4,2%. A economia chinesa mostrou-se mais robusta do que o previsto, principalmente em razão do estímulo fiscal e do aumento das exportações para mercados fora dos Estados Unidos.

O crescimento da China deve desacelerar ao longo de todo o horizonte de projeção, pois os efeitos do estímulo fiscal contínuo e de outras medidas de apoio às políticas públicas são superados pela confiança fraca em meio a uma desaceleração estrutural da economia. O relatório justifica o aumento das projeções para a economia chinesa em relação aos dados de junho devido a novo estímulo fiscal do governo chinês, à resiliência contínua das exportações e à melhora do sentimento dos investidores, em razão de uma política comercial relativamente mais estável e de alívio parcial nas tarifas. Para 2027, o Banco Mundial projeta que o crescimento diminua ainda mais, para 4,2%, à medida que desafios estruturais, como a queda do crescimento da produtividade, os altos níveis de endividamento e fatores demográficos adversos, continuem a pesar sobre o crescimento potencial. O crescimento econômico da Europa e da Ásia Central perdeu fôlego em 2025, mas deve se estabilizar em 2026 antes de ganhar alguma tração em 2027.

A expansão regional deve ter desacelerado para 2,4% em 2025, mesma projeção anterior, ante avanço de 3,6% em 2024, refletindo sobretudo consumo privado mais fraco, em especial na Rússia, como efeito defasado de uma política monetária restritiva. Para 2026, o crescimento da região permanecerá estável em 2,4%, ante projeção de 2,5% no relatório anterior, sustentado por demanda doméstica sólida, que deve compensar os efeitos negativos de um ambiente externo mais fraco. Em 2027, a expansão é esperada em 2,7%, inalterada em relação a estimativa anterior, impulsionada principalmente pela aceleração da atividade na Turquia e pela recuperação gradual das exportações. Indicadores de alta frequência apontam atividade moderada no segundo semestre do ano passado, com índices de gerentes de compras da indústria em território contracionista em economias como Rússia, Turquia e Polônia, enquanto o setor de serviços mostrou resiliência. O comércio foi afetado por incerteza elevada sobre políticas comerciais e pelo crescimento contido da zona do euro, limitando exportações, especialmente na Europa Central e nos Bálcãs Ocidentais.

Apesar da melhora esperada, o crescimento segue limitado por "gargalos estruturais" e pelo envelhecimento populacional, além de riscos relevantes. Entre eles estão uma escalada das tensões comerciais, inflação mais persistente e o prolongamento da guerra na Ucrânia. Por outro lado, um eventual arrefecimento do conflito e ganhos de produtividade associados à inteligência artificial (IA) podem apoiar o crescimento acima do cenário base. A economia dos Estados Unidos perdeu ritmo em 2025, mas deve manter crescimento relativamente sólido em 2026 antes de desacelerar novamente em 2027. O PIB norte-americano cresceu 2,1% em 2025, acima da estimativa anterior de 1,4%, mas ainda inferior ao crescimento de 2,8% de 2024, refletindo a desaceleração do consumo das famílias, o enfraquecimento do mercado de trabalho e os efeitos de tarifas elevadas e maior incerteza de política econômica. A atividade foi afetada pelo shutdown do governo federal no fim do ano passado e por uma estagnação súbita das contratações líquidas no segundo e no terceiro trimestres de 2025, em um contexto de oferta de mão de obra mais restrita, inclusive pela menor imigração.

Em contrapartida, o investimento empresarial avançou de forma robusta no ano passado, impulsionado pela adoção de novas tecnologias e por gastos elevados em equipamentos e propriedade intelectual ligados à inteligência artificial (IA). Para 2026, o Banco Mundial projeta que o crescimento dos Estados Unidos alcance 2,2%, acima da projeção anterior de 1,6% e levemente acima do previsto para 2025. A expansão deve ser sustentada pela reabertura do governo federal e pela extensão de incentivos tributários e outras medidas fiscais aprovadas em meados de 2025, que devem compensar parcialmente o impacto negativo das tarifas mais altas sobre consumo e investimento. Em 2027, no entanto, o crescimento da maior economia do mundo tende a perder força, com o PIB avançando 1,9%, em projeção inalterada, abaixo do potencial estimado, diante da persistência da incerteza de políticas, do impacto prolongado das barreiras comerciais e da dissipação dos estímulos fiscais e monetários anteriores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.