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13/Jan/2026

Mercosul-UE: protestos de agricultores na Europa

Centenas de agricultores passaram a noite de sábado (10/01) na entrada do porto de Le Havre, no noroeste da França, e montaram no domingo (11/01) uma barreira para controlar a entrada de caminhões em protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A ação visa controlar produtos alimentares que entram e saem do porto. Os manifestantes pretendem bloquear a passagem de alimentos que não respeitem as normas sanitárias e ambientais impostas aos produtores franceses e europeus. Segundo a entidade Jovens Agricultores de Seine-Maritime, a operação visava se preparar para esta segunda-feira (12/01), quando são esperados cerca de 5 mil caminhões por dia no local. Não há "oposição direta" das forças de segurança, que acompanham a ação à distância. As manifestações ocorriam simultaneamente em diversos pontos da França no domingo (11/01).

Na Saboia, cerca de 50 agricultores bloqueiam desde quinta-feira (08/01) o depósito de petróleo de Albens, na comuna de Entrelacs. Barreiras também estão montadas nas rodovias A63, em Bayonne, e A64, em Carbonne, ao sul de Toulouse. A mobilização francesa faz parte de uma série de protestos na Europa nos últimos dias. Na sexta-feira (09/01), também houve protestos na Polônia e na Itália, seguidos por ações na Irlanda e na Espanha no sábado (10/01). A Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola (FNSEA), principal organização dos agricultores do país, anunciou que vai "prosseguir sua maratona de mobilizações para obter resultados concretos". O documento reconheceu avanços pontuais nas negociações com o governo, notadamente sobre o apoio aos setores em crise (grandes culturas e viticultura), mas criticou a ausência de medidas estruturantes.

A organização delineou uma estratégia em três etapas para as próximas semanas. Primeiro, realizar controles de produtos importados nos portos e rodovias. A segunda etapa da estratégia prevê uma mobilização em Estrasburgo. A FNSEA e os Jovens Agricultores convocaram um grande protesto para 20 de janeiro em frente ao Parlamento Europeu. A ida a Estrasburgo visa "prosseguir o combate contra o acordo Mercosul-UE, lembrando que parlamentares "dispõem de alavancas jurídicas e políticas". A terceira frente de ação envolve a apresentação de uma proposta de lei sobre soberania alimentar. A FNSEA lembra que os agricultores precisam de uma visão clara da política agrícola conduzida pela França para alcançar a soberania alimentar. A ratificação do acordo comercial ainda depende de uma votação no Parlamento Europeu. A assinatura do acordo está prevista para o sábado (17/01), no Paraguai.

Na Irlanda, milhares de agricultores irlandeses reuniram-se no sábado (10/01) na cidade de Athlone para uma manifestação contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O protesto, marcado por um comboio de tratores. A manifestação, organizada pelo partido Independent Ireland, reflete a preocupação do setor pecuário local. Os produtores temem que a abertura do mercado ameace as exportações de carne bovina irlandesa devido à entrada de produtos brasileiros de menor custo, que, segundo eles, não cumprem os mesmos padrões ambientais e sanitários da Europa. A Associação de Agricultores Irlandeses (IFA), saudou o voto "não" do governo, mas insistiu que as salvaguardas propostas no documento são insuficientes. "Os nossos eurodeputados têm agora um papel crucial na construção de alianças (...) para construir oposição ao acordo", afirmou a IFA. A batalha se desloca agora para o Parlamento Europeu, que precisa ratificar o tratado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.