13/Jan/2026
O mercado global de commodities iniciou a semana incorporando com mais cautela o noticiário político e institucional dos Estados Unidos, em um ambiente no qual disputas internas, pressões sobre o sistema financeiro e sinais de estratégia geopolítica de longo prazo passaram a influenciar a formação de preços ao lado dos fundamentos tradicionais. Para StoneX, esse tipo de ruído tende a ganhar peso quando afeta a previsibilidade das decisões econômicas. O mercado não tolera esse tipo de risco institucional. O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de usar o Departamento de Justiça como instrumento de pressão política após a resistência do banco central em acelerar cortes de juros.
Independentemente da versão correta, o episódio amplia a incerteza institucional em um ano sensível para a economia norte-americana. Existem duas possibilidades, e nenhuma delas é boa para o presidente. A percepção de interferência já é suficiente para provocar reação negativa dos mercados. Chamou atenção a proposta do governo norte-americano de pressionar empresas de cartão de crédito a limitar juros a 10% ao ano. A medida não tem base clara de autoridade executiva e dependeria do Congresso. Além disso, o crédito rotativo tem características próprias de risco. Cartão de crédito é dívida não garantida, com nível relativamente alto de inadimplência, e por isso carrega juros mais elevados.
A redução forçada poderia estimular consumo no curto prazo, mas elevar desequilíbrios financeiros mais à frente. No campo geopolítico, a proposta de elevar os gastos militares dos Estados Unidos em cerca de 50%, para algo próximo de US$ 1,5 trilhão, é um movimento com implicações econômicas de longo prazo. Traçando um paralelo com a estratégia adotada por Ronald Reagan nos anos 1980, quando o aumento do orçamento de defesa pressionou a economia da então União Soviética. A lógica é forçar o rival a direcionar recursos para áreas que não geram crescimento, aumentando o estresse fiscal. A China entra nesse processo em posição mais frágil do que aparenta.
Houve uma desaceleração pós-pandemia, crise no setor imobiliário, queda do investimento estrangeiro direto e crescimento acelerado da dívida pública. As tarifas impostas pelos Estados Unidos reduziram o ritmo das exportações chinesas ao Ocidente, e a recuperação não ocorreu como esperado. A economia chinesa nunca se recuperou totalmente do estresse pós-pandemia. Apesar disso, não se projeta um colapso da China como potência global nem uma ruptura imediata nas relações comerciais. Há esforços de ambos os lados para manter canais de diálogo e evitar choques diretos. Tanto Donald Trump quanto o presidente Xi Jinping enfrentam desafios políticos internos relevantes em 2026.
Para o mercado de commodities, a avaliação é que esse pano de fundo amplia a volatilidade e reforça a importância dos fluxos efetivos sobre narrativas políticas. Decisões de compra tendem a ser mais táticas, com menor antecipação e maior sensibilidade a preço, logística e condições financeiras. Isso faz com que o mercado reaja menos a discursos e mais aos dados concretos. Na prática, fatores políticos passaram a integrar o cálculo estrutural de risco das commodities, sem substituir os fundamentos clássicos, mas adicionando uma camada extra de incerteza. Não é só oferta e demanda. O ambiente institucional também entrou na conta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.