12/Jan/2026
O dólar fechou a sexta-feira (09/01) em baixa no Brasil, após a divulgação de novos dados sobre o mercado de trabalho norte-americano e a aprovação pela União Europeia do acordo de livre comércio com o Mercosul. O movimento no Brasil esteve na contramão do que era visto no exterior, onde a moeda norte-americana subia ante boa parte das demais divisas. O dólar fechou em baixa de 0,42%, a R$ 5,36. Na semana passada, a divisa acumulou queda de 1,06%. O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos informou que foram gerados 50.000 postos de trabalho em dezembro no país, abaixo dos 60.000 projetados por economistas.
Por outro lado, a taxa de desemprego nos Estados Unidos ficou em 4,4%, ante projeção de 4,5%. Em uma primeira reação aos números, os rendimentos dos Treasuries de dez anos (referência global de investimentos) perderam força, assim como o dólar ante boa parte das demais divisas, incluindo o Real. Naquele momento, os investidores se apegaram ao fato de que foram gerados menos postos de trabalho que o projetado. Com a leitura do relatório de emprego mais consolidada, o dólar retomou força ante as demais divisas no exterior, em meio à avaliação de que a taxa de desemprego abaixo do esperado reduz as chances de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em janeiro e em março.
No Brasil, porém, o dólar se manteve em queda, em movimento ampliado após a aprovação do acordo comercial Mercosul-UE. O acordo prevê que a União Europeia eliminará progressivamente as tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul ao longo de um período de até dez anos. Em contrapartida, o Mercosul eliminará as tarifas sobre 91% das exportações da União Europeia ao longo de um período de 15 anos. Segundo a Manchester Investimentos, o acordo Mercosul-UE tem impacto mais estrutural do que tático sobre o dólar, ao favorecer exportações, ampliar o acesso a mercados desenvolvidos e melhorar a percepção de integração e previsibilidade do Brasil, contribuindo para uma redução marginal do prêmio de risco cambial no longo prazo, ou seja, valorização do Real frente ao dólar.
No curto prazo, porém, o efeito é limitado, podendo sim ter uma leve melhora e valorização do real, mas o processo é longo. Após o anúncio do acordo, o dólar atingiu a cotação mínima de R$ 5,35 (-0,69%), ainda que no exterior a moeda norte-americana seguisse em alta ante boa parte das demais divisas. Com efeitos mais diretos na curva de juros, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em dezembro, após elevação de 0,18% em novembro, encerrando 2025 com alta acumulada de 4,26%. Economistas projetavam elevações de 0,35% no mês e de 4,30% no ano.
Apesar do resultado, a abertura dos dados ainda mostrou um cenário de pressão de preços, em especial os de serviços, reforçando as apostas de que o Banco Central não cotará a taxa básica Selic no fim de janeiro. O diferencial entre a taxa de juros norte-americana, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, e a brasileira, que está em 15%, vem sendo apontado como um fator de atração de recursos para o Brasil, mantendo o dólar em níveis mais distantes dos R$ 6,00 nos últimos meses. O Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.