ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

12/Jan/2026

Mercosul-UE beneficiará o Agronegócio brasileiro

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, comemorou a aprovação pelos países europeus do acordo entre Mercosul e União Europeia. "É um momento histórico da diplomacia mundial, com a criação do maior bloco econômico do mundo. Não tenho dúvidas que foi graças à dedicação do presidente Lula. Se fosse fácil teria saído há 26 anos", disse Fávaro. Para o ministro, o agronegócio brasileiro será um dos grandes beneficiados do novo tratado comercial. Fávaro defendeu que se olhe o "copo cheio" do acordo, pelo aspecto das oportunidades e do crescimento. O acordo tem mecanismos para que todos os lados possam se ajustar.

Se tem salvaguarda para o agro do Mercosul, que será um grande beneficiado, tem mecanismo para que esse agro possa continuar vendendo no maior bloco econômico da história, afirmou ao comentar a aplicação de salvaguardas agrícolas pela União Europeia no escopo do acordo. As salvaguardas são ações recíprocas que podem ser debatidas conjuntamente durante os processos de negociação. Agora é aguardar a formalização. Questionado sobre o receio de alguns países, como a França, de que o Mercosul possa "inundar" o mercado europeu com produtos agrícolas, Fávaro afirmou que momentos como esses mostram quem defende o multilateralismo e quem tem apenas a retórica favorável ao livre comércio.

“A França, talvez apegada à reação dos produtores, não vê as oportunidades. Queijos, vinhos, produtos franceses de valor agregado poderão ser vendidos sem tarifas aos consumidores brasileiros. Os produtores brasileiros, por sua vez, poderão vender mais carne bovina e de aves ao povo francês", avaliou o ministro. "É a mostra de que o multilateralismo é o grande modelo de oportunidades para o mundo", apontou. O agronegócio brasileiro espera ampliar as exportações de produtos agropecuários, como carnes, frutas e pescados, para países europeus com a desgravação tarifária progressiva prevista no acordo, atrelada a cotas.

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) afirmou que, apesar de ser um avanço histórico, a medida é acompanhada por salvaguardas que garantem um elevado grau de protecionismo ao mercado agrícola europeu. Segundo a entidade, a Comissão Europeia adotou duas frentes principais de restrições. Em setembro, foram fixados tetos para a entrada de produtos como carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol, prevendo intervenções em caso de desestabilização do mercado. Além disso, novas regras permitem investigações se os preços do Mercosul forem 8% inferiores aos europeus, acompanhadas de um aumento súbito de importações

Outro ponto de preocupação levantado pela entidade refere-se às restrições ambientais e sanitárias. A proibição de substâncias como o tiofanato-metílico afeta diretamente as exportações de citros, mangas e papaias. Adicionalmente, a Lei Antidesmatamento da UE (EUDR) é criticada por não considerar a rigidez do Código Florestal brasileiro, podendo impactar negativamente cadeias produtivas como a carne bovina, soja, café e couro. A entidade classifica como de "baixa assertividade" a postura do governo brasileiro perante as medidas unilaterais dos europeus. “Em vez de tratar as barreiras como distorções graves, o governo parece acomodar-se para não comprometer o acordo.

Isso gera um desequilíbrio onde se aceita a liberalização no papel, mas se normaliza o risco permanente para o exportador do Mercosul.” Apesar das ressalvas, a Farsul reconhece os benefícios imediatos e graduais previstos no texto, como a liberação ampla que garante que cerca de 93% das linhas tarifárias da União Europeia estarão isentas de tributos em até 10 anos. O acordo prevê, ainda, cota de 99 mil toneladas com tarifa de 7,5% para a carne bovina e eliminação imediata da tarifa da Cota Hilton. As aves terão 180 mil toneladas com tarifa zero. Haverá a eliminação completa de tarifas para abacates, limões, melões e maçãs.

Arroz e mel também serão beneficiados com volumes de 60 mil e 45 mil toneladas, respectivamente, com tarifa zero na entrada em vigor. A Farsul reforça que o acordo ainda não produz efeitos jurídicos imediatos. O texto precisa de aprovação do Parlamento Europeu, onde há resistência de um bloco significativo de cerca de 150 eurodeputados, e dos parlamentos nacionais dos países do Mercosul. Até lá, a Farsul permanecerá monitorando o que define como "um cenário de baixa previsibilidade para o produtor rural". Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.