12/Jan/2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na sexta-feira (09/01) que a aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia foi uma vitória do diálogo e da negociação. O presidente afirmou ainda que se trata de um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. Lula afirmou ainda que a aprovação do acordo foi importante diante de um cenário de crescente protecionismo e unilateralismo. Segundo o presidente, União Europeia e o Mercosul sinalizam em favor do multilateralismo e o uso do comércio internacional como fator para o crescimento econômico.
"Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões", disse o presidente em rede social. O presidente destacou também que o acordo amplia alternativas para exportações brasileiras e investimentos produtivos europeus ao simplificar as regras comerciais impostas para os dois lados. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou que o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul vai fortalecer o multilateralismo, a sustentabilidade e os investimentos entre os blocos.
Em um momento geopolítico difícil, de instabilidade, de conflitos, é fundamental para o mundo, disse Alckmin. "O acordo mostra que é possível construir o caminho de um comércio com regras, de abertura comercial e de fortalecimento do multilateralismo", acrescentou. Segundo o vice-presidente brasileiro, a expectativa é que o acordo seja assinado nos próximos dias. Os blocos negociam para que a assinatura ocorra no próximo sábado (17/01), no Paraguai. Alckmin disse, ainda, esperar que a vigência do termo comece ainda este ano. Ele explicou que o Congresso brasileiro ainda precisa aprovar uma lei validando o acordo. Se isso for feito no primeiro semestre, o País não vai depender dos outros membros do Mercosul.
Alckmin ainda destacou que o acordo Mercosul-UE será o maior do tipo no mundo e é relevante para o comércio brasileiro. Segundo ele, o bloco europeu foi o primeiro ou segundo destino dos produtos vendidos por 22 Estados do País e por 30% dos exportadores. O acordo também deve promover investimentos e sustentabilidade. "É um ganha-ganha", disse. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o acordo da União Europeia com o Mercosul é benéfico para os "nossos cidadãos, para as nossas empresas e para todos os Estados-Membros". Em comunicado após o anúncio da autorização no Conselho Europeu da assinatura do acordo, ela apontou: "ouvimos as preocupações dos nossos agricultores e do nosso setor agrícola e agimos em conformidade".
"Este acordo contém salvaguardas robustas para proteger os seus meios de subsistência. Estamos também intensificando as nossas ações em relação aos controles de importação, porque as regras devem ser respeitadas, inclusive pelos importadores", afirmou. "Atualmente, 60 mil empresas europeias exportam para o Mercosul, metade das quais são pequenas e médias empresas que se beneficiarão com tarifas mais baixas, economizando cerca de 4 bilhões de euros por ano em impostos de exportação e desfrutando de procedimentos aduaneiros mais simples. Fundamentalmente, isso também proporcionará às nossas empresas melhor acesso a matérias-primas essenciais", disse.
"Há apenas três semanas, no contexto do Conselho Europeu, asseguramos aos nossos parceiros do Mercosul que viajaríamos para encontrá-los e que, juntos, faríamos história. Nesse período, trabalhamos arduamente com os nossos Estados-Membros e as partes interessadas para concretizar esse objetivo. Hoje, esse trabalho árduo deu frutos e saúdo a decisão do Conselho, que nos permite avançar. Aguardo com grande expectativa a assinatura deste acordo histórico em breve, sob a Presidência paraguaia, que acaba de assumir o poder, graças à forte liderança e à boa cooperação do presidente Lula", afirmou a líder europeia.
Em rede social X, o presidente de governo da Espanha, Pedro Sánchez, um dos maiores apoiadores das negociações no bloco, afirmou que, graças a este acordo, "as empresas espanholas poderão entrar em novos mercados, exportar mais e criar mais empregos. E a Europa poderá manter um forte vínculo com a sua região irmã e de importância estratégica". Segundo Sánchez, no mundo atual, "nem tudo são tarifas, ameaças e más notícias". O presidente do Conselho Europeu, o português António Costa, saudou nas redes sociais a decisão tomada hoje pelo órgão de aprovar o acordo da União Europeia com o Mercosul. "Este acordo é bom para a Europa", garantiu, explicitando quatro pontos.
O primeiro, de acordo com ele, é que o tratado traz "benefícios concretos" para os consumidores e empresas europeias e o segundo é porque é importante para a soberania e autonomia estratégica da União Europeia. "Com este acordo, a União Europeia está a moldar a economia global", salientou. Costa também citou que o pacto reforça os direitos dos trabalhadores, a proteção ambiental e as salvaguardas para os agricultores europeus e, por fim, mencionou que demonstra que as parcerias comerciais baseadas em regras são "benéficas para todas as partes". "Hoje é um bom dia para a Europa e para os nossos parceiros do Mercosul", finalizou.
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que o acordo é um “marco na política comercial europeia”. “O acordo UE-Mercosul é um marco na política comercial europeia e um forte sinal da nossa soberania estratégica e capacidade de ação”, escreveu Merz em rede social. “Isso é bom para a Alemanha e para a Europa, mas 25 anos de negociações foram muito longos, precisamos avançar mais rápido”, finalizou. A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, comemorou a aprovação, apesar do voto contrário de seu país. “Estou emocionada! Finalmente, há uma maioria entre os Estados-membros da União Europeia para a assinatura do acordo com o Mercosul”, afirmou Beate.
“Não é nenhum segredo que eu esperava que a Áustria apoiasse o acordo também. Porque uma coisa é clara: nossa economia, nossos negócios e nossa prosperidade se beneficiarão enormemente disso”, acrescentou a ministra. A presidente do conselho de ministros da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que nunca teve objeções ideológicas ao acordo com o Mercosul. A líder apontou que sempre foi a favor, desde que houvesse garantias suficientes para os agricultores europeus. "O potencial do acordo é bom, mas não à custa da excelência dos nossos produtos", por isso "conciliamos diferentes interesses: os dos agricultores e os do setor industrial. Acredito que o equilíbrio é sustentável e espero que o acordo só possa trazer benefícios", explicou a primeira-ministra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.