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12/Jan/2026

Inflação abaixo do teto da meta do BC em 2025

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou dezembro com alta de 0,33%, ante um avanço de 0,18% em novembro. O resultado acumulado em 12 meses foi de 4,26% até dezembro, ante taxa de 4,46% até novembro. A alta de 0,33% em dezembro foi o resultado mais baixo para o mês desde 2018, quando havia subido 0,15%. Em dezembro de 2024, a taxa tinha sido de 0,52%. Como consequência, a taxa acumulada em 12 meses arrefeceu pelo terceiro mês consecutivo, passando de 4,46% em novembro de 2025 para 4,26% em dezembro, menor resultado desde agosto de 2024, quando estava em 4,24%. O IPCA do ano ficou assim abaixo do teto (de 4,5%) da meta de inflação de 3% perseguida pelo Banco Central, 0,57% abaixo do IPCA de 2024 (4,83%) e abaixo do teto da meta (4,5%) de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O resultado de 2025 foi o menor acumulado para o ano desde 2018, quando fechou em 3,75%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve alta de 0,21% em dezembro, após uma elevação de 0,03% em novembro. A taxa em 12 meses mostrou alta de 3,90%, ante taxa de 4,18% até novembro. O INPC mede a variação dos preços para as famílias com renda de um a cinco salários-mínimos e chefiadas por assalariados. O resultado de 2025 foi influenciado principalmente pelo grupo Habitação, que acelerou de 3,06% em 2024 para 6,79%, registrando o maior impacto (1,02%) no acumulado do ano. No ano anterior, o impacto havia sido de 0,47%. Na sequência, as maiores variações vieram de Educação (6,22% e 0,37%), Despesas pessoais (5,87% e 0,60%) e Saúde e cuidados pessoais (5,59% e 0,75%). Os quatro grupos juntos responderam por, aproximadamente, 64% do resultado do ano. Em dezembro, os preços de Transportes subiram 0,74%, após alta de 0,22% em novembro. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,15% para o IPCA, que subiu 0,33% no mês.

Os preços de combustíveis tiveram alta de 0,45% em dezembro, após recuo de 0,32% no mês anterior. A gasolina subiu 0,18%, após ter registrado queda de 0,42% em novembro, enquanto o etanol avançou 2,83% nesta leitura, após alta de 0,39% na última. Os preços de Alimentação e bebidas aumentaram 0,27% em dezembro, após queda de 0,01% em novembro. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,06% para o IPCA. Entre os componentes do grupo, a alimentação no domicílio teve alta de 0,14% em dezembro, após ter recuado 0,20% no mês anterior. A alimentação fora do domicílio subiu 0,60%, ante alta de 0,46% em novembro. Os preços de Alimentação e bebidas aumentaram 0,27% em dezembro, após queda de 0,01% em novembro. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,06% para o IPCA, que subiu 0,33% no mês. Entre os componentes do grupo, a alimentação no domicílio teve alta de 0,14% em dezembro, após ter recuado 0,20% no mês anterior. A alimentação fora do domicílio subiu 0,60%, ante alta de 0,46% em novembro. Em 2025, houve aumento em Alimentação e bebidas, alta de 2,95% e impacto de 0,64%.

Os preços dos alimentos para consumo em casa voltaram ao território positivo em dezembro, após seis meses seguidos de quedas. Apesar da aceleração, o resultado veio brando, considerando a época de aumento sazonal nesses produtos. A mudança de bandeira tarifária, que resultou em queda na tarifa de energia elétrica, deu a maior contribuição para deter o IPCA de dezembro, mas a maior oferta de alimentos importantes na cesta de consumo das famílias também ajudou a segurar a inflação. Teve uma oferta de produtos alimentícios maior, o que ocorreu o ano todo. A maior oferta de alimentos também contribuiu para segurar a inflação. Os alimentos têm o maior peso no orçamento das famílias. O grupo Alimentação e bebidas saiu de um recuo de 0,01% em novembro para uma alta de 0,27% em dezembro, uma contribuição de 0,06% para a taxa de 0,33% registrada pelo IPCA do último mês. O índice de difusão de itens alimentícios, que mostra o percentual de itens com aumentos de preços, passou de 64% em novembro para 55% em dezembro.

O custo da alimentação no domicílio subiu 0,14%, puxado por altas na cebola (12,01%), batata-inglesa (7,65%), carnes (1,48%) e frutas (1,26%). Entre as carnes, os destaques foram os aumentos no contrafilé (2,39%), alcatra (1,99%) e costela (1,89%), enquanto, entre as frutas, subiram o mamão (7,85%) e a banana-prata (4,32%). Na direção oposta, houve recuos no leite longa vida (-6,42%), tomate (-3,95%) e arroz (-2,04%). A alimentação fora do domicílio subiu 0,60% em dezembro: o lanche aumentou 1,50%, e a refeição teve elevação de 0,23%. Os preços de Transportes subiram 0,74% em dezembro, após alta de 0,22% em novembro. O grupo deu uma contribuição positiva de 0,15% para o IPCA, que subiu 0,33% no mês. Os preços de combustíveis tiveram alta de 0,45% em dezembro, após recuo de 0,32% no mês anterior. A gasolina subiu 0,18%, após ter registrado queda de 0,42% em novembro, enquanto o etanol avançou 2,83% nesta leitura, após alta de 0,39% na última. Os aumentos nos custos das passagens aéreas e dos transportes por aplicativo pressionaram as despesas das famílias com transportes em dezembro. O grupo deu uma contribuição de 0,15% para a taxa de 0,33% do mês.

A passagem aérea contribuiu sozinha com 0,08% para o IPCA de dezembro, subitem de maior pressão na inflação do mês. A segunda maior pressão partiu de transporte por aplicativo, com aumento de 13,79% e impacto de 0,04%. Os combustíveis aumentaram 0,45%. Houve altas no etanol (2,83%), gás veicular (0,22%) e gasolina (0,18%), mas queda no óleo diesel (-0,27%). O ônibus urbano recuou 2,63%. O metrô subiu 4,11%, o trem avançou 3,77%, e a integração transporte público encareceu 1,01%. O grupo Saúde e cuidados pessoais saiu de um recuo de 0,04% em novembro para alta de 0,52% em dezembro. O grupo deu contribuição de 0,07% para a taxa de 0,33% do IPCA do último mês. O grupo foi pressionado pelos aumentos no plano de saúde (0,49%) e nos artigos de higiene pessoal (0,52%). O grupo Despesas pessoais saiu de uma alta de 0,77% em novembro para um aumento de 0,36% em dezembro. O grupo contribuiu com 0,04% para a taxa de 0,33% do IPCA do último mês. Os destaques foram os aumentos em cabeleireiro e barbeiro (1,28%) e empregado doméstico (0,48%).

Na direção oposta, houve redução de 3,10% na hospedagem em dezembro, após a alta de 4,09% em novembro. Os gastos das famílias brasileiras com Habitação passaram de uma alta de 0,52% em novembro para uma queda de 0,33% em dezembro, uma contribuição de -0,05% para a taxa de 0,33% registrada no último mês. A energia elétrica residencial recuou 2,41% em dezembro, maior impacto negativo individual no mês, -0,10%. A queda foi puxada pela entrada em vigor, em dezembro, da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, em substituição à bandeira tarifária vermelha patamar 1, que vigorava em novembro e acrescentava R$ 4,46 para o mesmo nível de consumo. Além disso, houve reajuste de 21,95% em uma das concessionárias em Porto Alegre (RS) em 22 de novembro e de 10,48% em Rio Branco (AC) a partir de 13 de dezembro. Ainda em Habitação, a taxa de água e esgoto subiu 0,96%, e o gás encanado aumentou 1,80%. O grupo Artigos de residência saiu de uma queda de 1% em novembro para alta de 0,64% em dezembro. O grupo contribuiu com 0,02% para a taxa de 0,33% do IPCA do último mês.

Em dezembro, houve pressão dos aumentos em TV, som e informática (1,97%) e nos aparelhos eletroeletrônicos (0,81%). Porém, esses subitens tinham recuado 2,28% e 2,37%, respectivamente, em novembro. A queda de 2,41% na energia elétrica residencial exerceu o maior alívio individual sobre a inflação de dezembro, um impacto de -0,10% para a taxa de 0,33%. Figuraram ainda no ranking de principais alívios sobre o IPCA o leite longa vida (-0,04%), ônibus urbano (-0,03%), hospedagem (-0,02%), tomate (-0,01%) e arroz (-0,01%). Na direção oposta, a principal pressão partiu da passagem aérea, com alta de 12,61% e influência de 0,08%. Houve contribuições positivas também do transporte por aplicativo (0,04%), lanche fora de casa (0,03%), etanol (0,02%), aparelho telefônico (0,02%), taxa de água e esgoto (0,02%) e plano de saúde (0,02%). Oito dos nove grupos que integram o IPCA registraram altas de preços em dezembro. Houve aumentos em Alimentação e bebidas, alta de 0,27% e impacto de 0,06%; Artigos de residência (0,64%, impacto de 0,02%); Comunicação (0,37% e impacto de 0,02%); Saúde e cuidados pessoais (0,52% e impacto de 0,07%); Vestuário (0,45%, contribuição de 0,02%), Despesas pessoais (0,36%, impacto de 0,04%), Educação (0,08%, impacto de 0,00%); e Transportes (0,74%, impacto de 0,15%). O único grupo com recuo foi Habitação, queda de 0,33% e impacto de -0,05%.

Apesar da trégua em dezembro, a energia elétrica residencial foi a maior vilã da inflação no ano de 2025. Por outro lado, os alimentos ajudaram a deter o IPCA. A energia elétrica subiu 12,31% em 2025, subitem de maior impacto individual, uma contribuição de 0,48% para a inflação de 4,26% registrada no ano. A energia elétrica pressionou o IPCA de 2025 por conta de bandeiras tarifárias, mas também por reajustes. Figuraram ainda no ranking de principais pressões sobre o IPCA de 2025: cursos regulares (alta de 6,54% e impacto de 0,29%), plano de saúde (6,42% e 0,26%), aluguel residencial (6,06% e 0,22%), lanche (11,35% e 0,21%), produtos farmacêuticos (5,42% e 0,19%), refeição (4,97% e 0,18%), café moído (35,65% e 0,18%), higiene pessoal (4,23% e 0,17%), empregado doméstico (5,36% e 0,15%), condomínio (5,14% e 0,12%) e taxa de água e esgoto (4,50% e 0,08%).

Na direção oposta, os principais alívios na inflação de 2025 partiram de arroz (-26,56% e -0,20%), leite longa vida (-12,87% e -0,10%), aparelho telefônico (-6,27% e -0,05%), eletrodomésticos e equipamentos (-6,01% e -0,05%), seguro voluntário de veículo (-5,67% e -0,05%), automóvel usado (-2,26% e -0,04%), batata-inglesa (-13,65% e -0,03%), feijão-preto (-32,38% e -0,02%), azeite de oliva (-21,04% e -0,02%), alho (-15,88% e -0,02%) e TV, som e informática (-3,73% e -0,02%). Pelos números de 2025, se vê claramente a inflação sendo influenciada por alimentação. Os alimentos foram os que mais contribuíram para taxa contida. Alimentação realmente foi o principal fator para essa taxa menor do IPCA de 2025. A alta de 2,95% no grupo Alimentação e bebidas em 2025 foi a oitava mais branda desde a implementação do Plano Real. A safra agrícola recorde de 2025 contribuiu para os alimentos pesarem menos no bolso das famílias e, consequentemente, na inflação. A melhora nos preços também pode ser explicada pela desvalorização do dólar ante o Real e por uma redução nos preços de commodities.

Segundo o Banco ABC Brasil, a alta de 0,33% do IPCA em dezembro surpreendeu a projeção do Banco Central, de 0,41%. A tendência é de que a inflação no primeiro trimestre continue surpreendendo a autoridade monetária. Isso reforça a estimativa de corte na Selic em março. Houve um comportamento muito benigno da parte de alimentos em domicílio, com inflação de alimentos e bebidas em 2,9%, e de bens industriais rodando 2,4% em 2025. Ambos abaixo do padrão histórico dos últimos 25 anos, de 7,7% e 4,6%, respectivamente. Na parte de serviços, ainda há certa rigidez. Serviços subjacentes recuou discretamente, mas roda em 5,9%, acima do intervalo da meta que o Banco Central persegue. O IPCA acelerou de 0,18% em novembro para 0,33% em dezembro. No ano, a inflação acumulou alta de 4,26%, abaixo do teto da meta inflacionária, de 4,5%. Segundo a XP Investimentos, a inflação de alimentos não deve ter uma dinâmica tão benigna para o IPCA de 2026 como observado em 2025. A alimentação no domicílio fechou 2025 bem abaixo do esperado no começo do ano.

A safra recorde e a apreciação do Real ajudaram a moderar os preços, além da dinâmica super bem-comportada da carne. Os preços da carne devem voltar a subir em 2026. Geralmente, o movimento observado é de desaceleração na inflação da carne no começo do ano, enquanto há uma aceleração no fim. Com a salvaguarda chinesa, no entanto, os importadores chineses podem correr para preencher a cota bovina, o que pode fazer com que a carne suba ao longo do primeiro trimestre e tenha altas menos acentuadas no fim do ano. Com a moderação da inflação em 12 meses nas últimas leituras do IPCA, o Banco Central deve priorizar, por ora, os dados do mercado de trabalho para os próximos passos da política monetária. Além disso, com o mercado de trabalho ainda forte, a inflação de serviços deve continuar no radar da autarquia. Para 2026, a XP espera desaceleração da inflação de serviços para 5,3%, devido às expectativas inflacionárias, que contribuem para a formação de preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.