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09/Jan/2026

Mercosul-UE: reunião desta sexta-feira é decisiva

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou que haverá mais clareza sobre os próximos passos do acordo Mercosul-União Europeia nesta sexta-feira (09/01), quando a Comissão Europeia poderá obter o aval dos Estados-membros ao acordo. Na quarta-feira (07/01), os 27 ministros da Agricultura da União Europeia tiveram uma reunião informal em Bruxelas. A assinatura do acordo estava prevista para a Cúpula do Mercosul realizada em 20 de dezembro/2025, em Foz do Iguaçu (PR), a última sob a presidência rotativa do Brasil. Mas, a expectativa foi frustrada em razão da oposição de países do bloco europeu, como Itália e França, que pedem mais garantias ao setor agropecuário. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na véspera da reunião do Mercosul, uma carta enviada pela presidente da Comissão Europeia e pelo presidente do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen e Antônio Costa, respectivamente, na qual os europeus falaram de possível assinatura no mês de janeiro. Isso chamou atenção, porque a data prevista inicialmente era 20 de dezembro.

O governo brasileiro espera que a oportunidade não seja perdida, pois é algo que faz sentido do ponto de vista econômico-comercial, faz sentido do ponto de vista geopolítico e do ponto de vista da agenda da sustentabilidade, que era algo que preocupava a União Europeia no passado. O Mercosul "está pronto, mas não está parado". Ou seja, acompanha com atenção e busca outras frentes negociadoras para ampliar a rede de acordos. É um objetivo do governo brasileiro. O Mercosul já assinou acordos com Singapura (em 2023) e com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), em 2025, para defender que os movimentos levaram ao aumento do interesse de outros países pelo bloco sul-americano. O próximo acordo em estágio mais avançado é o com os Emirados Árabes Unidos. Há ainda expectativa de conclusão do acordo Mercosul-Canadá neste ano, além de frentes de negociação pela ampliação da cobertura do acordo Mercosul-Índia. Também estão em foco acordos com Panamá, Japão, Indonésia, Vietnã e Reino Unido. Bilateralmente, o Brasil visa ampliar o acordo com o México.

A história das negociações comerciais do Mercosul é uma história de dificuldades. A partir de 2023, com a conclusão dessas três negociações, mais do que dobra a corrente de comércio amparada por. Em números de 2024, a corrente com os mercados que o Brasil tem acordo foi de US$ 73 bilhões. Com a assinatura dos acordos com Efta, Singapura e União Europeia, a corrente de comércio sob regimes preferenciais passará para US$ 185 bilhões, subindo de 12,2% para 30,8% na participação total. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse estar confiante com a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia. A Itália que havia recuado em dezembro sinalizou que está disposta a assinar. Com o apoio da Itália, o acordo “vai sair", disse Fávaro. O ministro lembrou que a Comissão Europeia anunciou a antecipação de 45 bilhões de euros em subsídios para a agricultura local. A medida de apoio aos agricultores europeus é vista como parte de um esforço do bloco para diminuir a resistência à conclusão do acordo. Para Fávaro, com o acordo, o agronegócio brasileiro amplia o acesso ao mercado europeu, reconhecido por ser remunerador e de elevada qualidade.

O acordo prevê eliminar progressivamente as tarifas, a chamada desgravação tarifária, mais de 90% dos produtos comercializados entre os blocos, incluindo itens agropecuários. Uma série de produtos agrícolas do Mercosul terá, entretanto, acesso ao bloco europeu com tarifas reduzidas condicionado a cotas. Nos bastidores do governo brasileiro, há expectativa de que o acordo possa ser assinado na próxima segunda-feira (12/01), no Paraguai, após a União Europeia ter retomado as tratativas internas para ratificar o tratado. Uma reunião do Conselho Europeu, prevista para esta sexta-feira (09/01), pode confirmar o apoio do bloco. O acordo, que cria uma zona de livre comércio entre Europa e América do Sul, enfrenta resistência dos agricultores europeus que pedem garantias de proteção à produção local, sobretudo dos franceses. Protestos angariados por produtores rurais são registrados na Europa nesta quinta-feira (08/01) em contrariedade ao pacto.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, disse torcer por uma solução positiva no acordo entre o Mercosul e a União Europeia. A França lidera um bloco de resistência que ganhou reforços nas últimas 24 horas. A Hungria e a Irlanda oficializaram que também votarão contra a proposta. No entanto, a matemática final da votação dependerá da consolidação do voto da Itália e da capacidade da Alemanha de garantir a coesão dos demais Estados-membros a favor do livre comércio com o bloco sul-americano. “É difícil você ter unanimidade. Nós torcemos para que ocorra, porque isso é importante para os 27 países da União Europeia, e é importante para o Mercosul - de quatro passamos para cinco países, com a entrada da Bolívia -, e isso é importante para o mundo. Em um momento de instabilidade, de guerras, de conflitos, você mostra que é possível fortalecer o multilateralismo e o nível de comércio”, sustentou Alckmin. “Torço para que a gente possa ter uma solução positiva, no que depender do Brasil, o Brasil fez todo o trabalho para que isso ocorra”, completou. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.