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09/Jan/2026

Mercosul-UE: França, Irlanda e Hungria contra acordo

O governo da Irlanda anunciou que votará contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul na reunião decisiva agendada para esta sexta-feira (09/01). O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, afirmou que, embora tenham sido feitos "enormes progressos" nas negociações, não há confiança necessária de que os agricultores do país não ficarão sob excessiva pressão econômica caso o tratado seja ratificado. A negativa irlandesa ocorre um dia antes da data que o governo brasileiro considera o "marco relevante" para o futuro do pacto. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou que a reunião desta sexta-feira (09/01) em Bruxelas trará a clareza necessária sobre os próximos passos. A Comissão Europeia enviou uma carta ao presidente Lula prometendo a assinatura para janeiro. A votação vai testar a coesão do bloco europeu. Enquanto a Irlanda formaliza o seu "não" e a França enfrenta protestos massivos de agricultores, com a federação FNSEA exigindo "Stop Mercosul" e bloqueando estradas, a Alemanha tenta costurar a maioria necessária.

O governo alemão afirmou estar "muito confiante" de que a Itália apoiará o acordo. O apoio da Itália é visto como fundamental para contrabalançar a oposição francesa e obter a maioria qualificada necessária para que a Comissão Europeia possa assinar o tratado, possivelmente na próxima semana. O governo da Hungria anunciou, nesta quarta-feira (08/01), que votará contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul na reunião do Conselho da União Europeia agendada para esta sexta-feira (09/01). A decisão alinha a Hungria à posição da Irlanda, que também formalizou sua rejeição ao tratado às vésperas da votação para o bloco. A Hungria criticou duramente a postura da Comissão Europeia, acusando-a de pressionar para adotar e implementar um acordo que abriria a Europa a importações ilimitadas de produtos agrícolas sul-americanos. A medida ocorreria "à custa do sustento dos agricultores húngaros" e demonstra que a liderança do bloco estaria, mais uma vez, ignorando os interesses do setor produtivo local.

O movimento da Hungria reforça o bloco de oposição que tem na França seu principal expoente. A votação testará a coesão europeia e a capacidade de a Alemanha de costurar uma maioria qualificada, dependendo crucialmente do apoio da Itália para contrabalançar os votos negativos. Apesar do cenário dividido, o governo brasileiro mantém o otimismo. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou, acreditar que o acordo "vai sair", apostando na mudança de postura da Itália e nos novos subsídios anunciados pela Comissão Europeia para melhorar a resistência agrícola. A expectativa do governo brasileiro é que, se aprovado nesta sexta-feira (09/01), o tratado possa ser assinado já na próxima semana. Como já era esperado, o presidente da França, Emmanuel Macron, informou pessoalmente à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que a França votará contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul na reunião decisiva do Conselho da União Europeia.

Apesar das intensas negociações de última hora e das concessões oferecidas pela Comissão Europeia, o chefe de Estado francês considera "impossível" assinar o tratado em sua configuração atual. A confirmação da negativa francesa ocorre em um momento crítico, quando o executivo europeu tentava angariar apoio final para o pacto por meio da promessa de um aporte suplementar de 45 bilhões de euros para a Política Agrícola Comum (PAC). Embora essa injeção de recursos e a promessa de salvaguardas pareçam ter sensibilizado o governo da Itália, Macron manteve-se irredutível, refletindo a forte pressão interna exercida pelos agricultores franceses, que retomaram bloqueios de estradas nesta semana. Diante da possibilidade de o acordo ser aprovado por maioria qualificada no Conselho Europeu, o governo francês já desenha os próximos passos da batalha política e jurídica.

A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, diz ter apelado à mobilização dos deputados no Parlamento Europeu, onde o tratado precisará ser ratificado posteriormente. Genevard mencionou explicitamente a estratégia de acionar o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para contestar o acordo. Segundo a ministra, uma ação iniciada pelo Parlamento Europeu teria o poder de suspender a aplicação do tratado, diferentemente de uma ação movida por um único país. A posição francesa lidera um bloco de resistência que ganhou reforços nas últimas 24 horas. A Hungria e a Irlanda oficializaram que também votarão contra a proposta, citando riscos para o sustento de seus produtores rurais e a falta de garantias econômicas. No entanto, a matemática final da votação dependerá da consolidação do voto italiano e da capacidade da Alemanha de garantir a coesão dos demais Estados-membros a favor do livre comércio com o bloco sul-americano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.