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09/Jan/2026

Mercosul-UE: França se posiciona contra o acordo

O presidente da França, Emmanuel Macron, informou que a França votará contra a assinatura do acordo entre União Europeia e Mercosul. "A França apoia o comércio internacional, mas o acordo UE-Mercosul é um acordo ultrapassado, negociado por muito tempo em termos obsoletos (mandato de 1999). Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu (+0,05% do PIB da União Europeia até 2040, segundo a Comissão Europeia)", escreveu Macron em rede social. O presidente francês afirmou também que não é justificável expor setores agrícolas sensíveis essenciais para a soberania alimentar europeia. "Desde o anúncio do fim das negociações em dezembro de 2024, tenho defendido incansavelmente um acordo mais justo para proteger os nossos agricultores", disse Macron. Ele citou três reivindicações feitas pelo país que avançaram. Uma delas é a garantia de uma cláusula de salvaguarda específica, a qual classificou como um "freio de emergência" para as importações agrícolas dos países do Mercosul.

O mecanismo, segundo Macron, poderá ser acionado a pedido dos países membros do bloco ou de representantes de setores agrícolas, se os preços e volumes dos produtos agrícolas importados aumentarem 5%. Outra reivindicação citada por Macron é a reciprocidade em termos de condições e regras de produção. "Os nossos produtores cumprem as normas mais rigorosas do mundo em matéria de saúde, ambiente e bem-estar animal. Os produtos importados devem estar sujeitos às mesmas condições no que diz respeito a pesticidas, rações para animais e utilização de antibióticos, para evitar a concorrência desleal com os nossos produtores", defendeu o presidente francês. A terceira reivindicação citada por Macron é quanto ao reforço do controle sanitário na Europa com auditorias veterinárias e fitossanitárias em países do Mercosul para garantia do cumprimento das normas. "Vários desses avanços ainda precisam ser finalizados, e a França garantirá que isso aconteça", afirmou Macron.

Ele citou ainda outros compromissos firmados pela Comissão Europeia durante a reunião de ministros de Agricultura realizada na quarta-feira (07/01) em Bruxelas, como a antecipação de 45 bilhões de euros em apoio aos produtores rurais e a suspensão do imposto de carbono atrelado aos fertilizantes. "Apesar desses avanços inegáveis, é preciso ressaltar que houve uma rejeição política unânime ao acordo, como demonstrado claramente pelos recentes debates na Assembleia Nacional e no Senado", continuou Macron. O presidente francês concluiu sua mensagem ressaltando que a França votará contra o pacto de livre comércio. "A assinatura do acordo não é o fim da história. Continuarei lutando pela implementação plena e concreta dos compromissos obtidos junto à Comissão Europeia e pela proteção de nossos agricultores", destacou. A manifestação de Macron ocorre em meio à pressão dos agricultores franceses pela rejeição do acordo com o Mercosul. Produtores rurais realizam protestos no país contra o pacto comercial. Eles alegam que a agricultura francesa enfrenta uma crise e que o acordo com o Mercosul geraria concorrência desleal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.