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09/Jan/2026

Mercosul-UE: protestos de agricultores na Europa

Produtores rurais da França e da Grécia intensificaram nesta quinta-feira (08/01) os protestos contra os planos da União Europeia de avançar com um acordo de livre comércio com países do Mercosul, alegando que a medida ameaça a sobrevivência da agricultura local. Com tratores, os agricultores bloquearam estradas, interromperam o tráfego e realizaram manifestações em áreas simbólicas, chamando atenção para o impacto que a abertura do mercado pode ter sobre seus rendimentos. Em Paris, cerca de uma centena de tratores avançou em direção ao centro da capital francesa, onde manifestantes se concentraram diante da Assembleia Nacional, sob forte vigilância policial. Apesar de uma proibição oficial, pequenos comboios conseguiram chegar a pontos próximos a monumentos emblemáticos, como o Arco do Triunfo, enquanto a maioria foi contida nos principais acessos da cidade.

O protesto foi organizado pelo sindicato Coordenação Rural, que acusa o governo do presidente Emmanuel Macron de não adotar uma posição firme contra o acordo. Na Grécia, agricultores iniciaram um bloqueio nacional de 48 horas em rodovias estratégicas, incluindo a principal via que liga Atenas a Tessalonica. Tratores ocuparam cruzamentos e pedágios, paralisando o trânsito, abrindo exceção para veículos de emergência. Os manifestantes afirmam que os custos de produção elevados e a falta de apoio estatal tornaram a atividade insustentável, levando muitos ao limite financeiro. A oposição ao acordo Mercosul-UE é antiga entre agricultores europeus, que temem a entrada de produtos sul-americanos mais baratos, produzidos com custos significativamente mais baixos.

Na Grécia, líderes do movimento alertam que a agricultura nacional não conseguiria competir, citando diferenças expressivas nos custos de produção, como no caso da batata, cujo preço mínimo para viabilidade econômica no país é várias vezes superior ao praticado no Brasil. As manifestações ocorrem em meio à retomada das negociações internas da União Europeia sobre o acordo, que pode criar uma ampla zona de livre comércio entre Europa e América do Sul. Há especulações de que o tratado possa ser assinado no Paraguai no dia 12 de janeiro. Embora países como a Alemanha apoiem o avanço do tratado, a França reafirmou recentemente sua oposição, argumentando que setores como os de carne bovina, aves, açúcar, etanol e mel seriam duramente afetados. A pressão dos agricultores busca impedir que o acordo seja assinado sem garantias de proteção à produção europeia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.