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09/Jan/2026

Brasil-EUA: geopolítica não atrapalha negociações

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os movimentos geopolíticos recentes de 2026, a priori, não afetam o diálogo do Brasil com os Estados Unidos em torno da sobretaxa aplicada pelo governo norte-americano. No dia 3 de janeiro, os Estados Unidos invadiram a Venezuela e forças especiais norte-americanas prenderam o presidente Nicolás Maduro. O interesse do Brasil é seguir negociando com os norte-americanos, buscar mais exclusões do tarifaço e normalizar o tratamento tarifário concedido ao Brasil. Há uma relação histórica com os Estados Unidos, houve dificuldades muito importantes no ano passado, mas houve também a superação de um momento mais crítico no relacionamento bilateral.

No segundo semestre do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se aproximou do presidente norte-americano, Donald Trump, com reuniões presenciais seguidas por recuos dos Estados Unidos nas tarifas aplicadas ao Brasil. Entre os produtos brasileiros que seguem sujeitos a tarifas de 50%, estão máquinas e equipamentos, móveis e calçados. O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, tem dito que o objetivo atual da pasta é aumentar o número de itens excluídos da sobretaxa. O empenho é pelo restabelecimento de um comércio que não seja marcado por barreiras discriminatórias. Houve, no primeiro semestre de 2025, uma antecipação de embarques, a partir das sinalizações de que haveria taxação. Então, se está trabalhando no primeiro semestre de 2026 com uma base de comparação elevada.

São vários fatores, mas esse é um elemento a se levar em conta ao analisar o comércio com os Estados Unidos neste ano. As exportações de produtos brasileiros para os Estados Unidos caíram 6,6% em 2025, totalizando US$ 37,716 bilhões. As importações de produtos dos Estados Unidos subiram 11,3% no ano passado, somando US$ 45,246 bilhões. Com isso, os Estados Unidos tiveram superávit com o Brasil em 2025, de US$ 7,530 bilhões. Houve recorde na exportação da indústria de transformação, com R$ 189 bilhões vendidos. Esses volumes são especialmente relevantes nesse contexto externo desafiador, uma vez que os Estados Unidos são tradicionalmente o primeiro destino das exportações de indústrias de transformação no Brasil.

Ainda assim, com a barreira, com o tarifaço, a indústria conseguiu alcançar valores históricos. No ano passado, houve recorde de itens, desde carne bovina a caminhões, passando por motores elétricos e outros. É interessante ver o desempenho da indústria de transformação nesse cenário externo especialmente desafiador, em particular para o mercado que é o destino principal dessas vendas. Outro ponto de atenção no comércio bilateral com os norte-americanos em 2026 é a investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que tem por objetivo determinar "se atos, políticas e práticas do governo brasileiro são irracionais ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos Estados Unidos".

Em julho do ano passado, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou que iniciou uma investigação contra o Brasil a pedido do presidente Trump. A ferramenta da legislação norte-americana já foi utilizada em outros momentos, inclusive contra o Brasil nos anos 1980. Nas justificativas para a abertura da investigação, o governo dos Estados Unidos citou alguns pontos que considera prejudiciais à atuação das empresas norte-americanas no Brasil. Entre eles, estão a questão da propriedade intelectual, existência de tarifas preferenciais para outros países, taxas mais altas para o etanol norte-americano, desmatamento ilegal e até mesmo o Pix. Em meio ao tarifaço e às incertezas do comércio mundial, em 2025, as exportações brasileiras bateram recordes não só no cômputo geral, com US$ 349 bilhões vendidos ao mundo, mas também em contextos regionais.

Sete Estados tiveram suas melhores marcas em vendas externas no ano passado: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Pernambuco e Acre. Juntos, esses Estados responderam por 35% das exportações totais do País. Além deles, vale destacar o crescimento expressivo das exportações de Ceará (55,6%), Roraima (23%), Tocantins (21,7%) e Pernambuco (16,4%), entre outros. O comércio exterior do Brasil é, historicamente, concentrado em poucas Unidades da Federação. A lógica é levar o comércio exterior do Brasil adentro, porque os estudos mostram que as empresas que exportam remuneram melhor seus empregados, são mais competitivas, mais longevas, resistem melhor às adversidades, contratam mão de obra mais qualificada, enfim, é uma série de benefícios associados ao comércio exterior. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.