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09/Jan/2026

Projeções da economia brasileira em 2026 e 2027

A Organização das Nações Unidas (ONU) espera que a economia brasileira cresça 2,0% em 2026, ano de eleição presidencial no País. Se confirmada, a taxa de crescimento apontará desaceleração em relação ao ano passado, quando o Brasil deve ter avançado 2,5%. Ao atualizar suas projeções, a ONU manteve a expectativa de crescimento do Brasil em 2026, mas aumentou a de 2025 em 0,7%. Ainda assim, a expansão econômica do País no ano passado também representa uma desaceleração na comparação com 2024, quando o Brasil cresceu 3,4%. A desaceleração projetada reflete os efeitos defasados do aperto monetário, que elevou as taxas de juros a níveis mais altos em décadas e continua a pesar sobre o investimento. Uma postura fiscal "moderadamente expansionista", porém, deve compensar parcialmente a desaceleração. Ventos contrários adicionais surgiram das tarifas recentemente impostas pelos Estados Unidos, de até 50%, sobre uma ampla gama de importações brasileiras.

Apesar disso, o impacto geral no Brasil deve ser limitado, já que os Estados Unidos representam apenas cerca de 12% de suas exportações, além do governo norte-americano já ter voltado atrás na taxação de diversos segmentos da pauta exportadora brasileira. O País só voltará a acelerar o ritmo de expansão no próximo ano. A economia brasileira deve crescer 2,3% em 2027. O Brasil deve crescer mais em 2025 do que a média da América Latina e do Caribe, cuja economia avançou 2,4% no ano passado. No entanto, o País tende a se expandir em ritmo menor que o da região nos anos seguintes. Em relação ao México e à América Central, o Brasil mostra maior vigor econômico em 2025, 2026 e 2027, mas deve perder essa posição em 2027. A ONU reforça o alerta da comunidade internacional para os desafios fiscais do Brasil. A relação entre a dívida bruta do governo geral e o PIB ultrapassou 90% no ano passado, atingindo 91,4%, ante 87,3% em 2024.

O patamar supera a média dos países em desenvolvimento, cuja relação subiu de 73% para 76,9% no mesmo período. Desvios recentes do arcabouço fiscal, em meio a isenções fiscais temporárias, despesas acima do planejado e o uso de linhas de crédito extraordinárias, ressaltam os desafios contínuos em reforçar a credibilidade fiscal, mesmo que as autoridades mantenham um compromisso de médio prazo com a consolidação gradual. A entidade estima que o Brasil não conseguirá cumprir a meta de inflação em 2025. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial, deve ter fechado o ano passado em 5,0%. A meta contínua para o índice é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo. No Brasil, a inflação geral permanece teimosamente acima da meta do Banco Central, apesar das taxas de juros estarem em níveis mais altos em várias décadas. A projeção da organização supera o consenso de mercado.

As estimativas de economistas apontam para uma inflação de 4,27% em 2025. O resultado do IPCA será divulgado nesta sexta-feira (09/01). Nos próximos anos, porém, a inflação deve convergir para a meta. O ritmo de crescimento do IPCA deve se reduzir para 4,3% em 2026 e 4,0% em 2027. Quanto à política monetária, o Brasil foi uma "exceção importante" na tendência de afrouxamento vista em países em desenvolvimento na Ásia, América Latina e Caribe no ano de 2025, mas o País deve voltar a baixar suas taxas neste ano. Após um aperto substancial na primeira metade de 2025, o Banco Central do Brasil manteve sua taxa de política em 15% (a mais alta desde 2006), com um ciclo de afrouxamento esperado para começar em 2026, à medida que a inflação modera. O Brasil foi um dos países em desenvolvimento a reduzir o desemprego e a elevar o salário-mínimo em 2025. O Brasil atingiu o menor índice de desemprego em décadas. O indicador estava em 5,2% em novembro de 2025. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.