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09/Jan/2026

Situação e Perspectivas da Economia Mundial 2026

A Organização das Nações Unidas (ONU), no relatório “Situação e Perspectivas da Economia Mundial de 2026”, divulgado nesta quinta-feira (08/01), prevê uma continuidade da desaceleração da inflação global, mas alerta que persistem pressões sobre o custo de vida diante da elevação de preços. Os preços elevados continuam sendo um desafio global fundamental. A inflação cheia caiu de 4% em 2024 para uma estimativa de 3,4% em 2025 e deve desacelerar para 3,1% em 2026. Embora a inflação geral tenha arrefecido, os preços elevados continuam a pesar sobre a renda real.

A redução dos preços de energia e alimentos, taxas de câmbio mais estáveis e crescimento lento dos salários nominais ajudaram no arrefecimento da inflação. Diferentemente da alta sincronizada global dos anos anteriores, as tendências inflacionárias tornaram-se desiguais, moldadas por gargalos recorrentes de oferta em meio ao aumento dos riscos geopolíticos e relacionados ao clima. Diante desse cenário, os líderes globais enfrentam um cenário inflacionário cada vez mais complexo, e a política monetária adotada pelos bancos centrais permanecerá como um tema central. Essas decisões devem atuar em conjunto com arcabouços fiscais críveis e medidas sociais direcionadas para proteger os grupos mais vulneráveis.

As taxas de juros seguem acima dos níveis pré-pandemia em vários países e deve haver novos cortes graduais em 2026, sob risco de retomada da inflação ou de volatilidade cambial, que podem complicar a etapa final do ciclo de desinflação. A ação coordenada entre políticas monetária, fiscal e industrial será crucial para administrar pressões persistentes sobre os preços sem comprometer a estabilidade social ou o crescimento de longo prazo. Os preços ainda elevados continuam a corroer o poder de compra da população mais vulnerável. A inflação mais baixa poderá proteger gastos familiares essenciais, fortalecer a concorrência nos mercados e enfrentar os fatores estruturais que impulsionam choques recorrentes de preços.

O comércio global cresceu 3,8% em 2025, uma aceleração comparando aos 3,5% registrados em 2024. Contudo, é estimada uma desaceleração a 2,2% neste ano, em decorrência de efeitos atrasados das tarifas dos Estados Unidos. A performance melhor que a esperada no ano passado reflete a resiliência do comércio de mercadorias, que continuou a se fortalecer apesar das incertezas e ventos contrários. O volume do comércio de bens aumentou 3,3% na comparação anual de 2025, com crescimento de 20% no segmento de inteligência artificial (IA) somente no primeiro semestre. As tarifas dos Estados Unidos e problemas no sistema multilateral do comércio foram os principais fatores de pressão em 2025.

A taxa efetiva de tarifas dos Estados Unidos subiu de 2,5% em 2024 para 15% em novembro de 2025, com alíquotas que variam significativamente para parceiros com acordos comerciais e a depender das tarifas setoriais, sujeitas a investigações, como os bens incluídos na Seção 232. Para este ano, a redução nas importações feitas para mitigar efeitos de tarifas e as alíquotas elevadas devem pesar na atividade econômica. Há riscos em possível escalada nas tensões comerciais e medidas de retaliação. Por outro lado, revisão de acordos comerciais e menor tensão global podem favorecer o comércio, conforme as cadeias de oferta se ajustam.

Mesmo com tarifas, protecionismo e ambiente de incertezas elevadas, a economia global continua "notavelmente integrada" e o comércio representa mais de 50% do PIB, o que reforça a interdependência entre os países. As normas do multilateralismo seguem resilientes em meio a crescente fragmentação, sugerindo que os motores centrais da integração global ainda operam apesar das tarifas dos Estados Unidos remontarem os padrões do comércio. Além de mercadorias, o comércio de serviços se manteve sólido e cresceu 5,3% em 2025, apoiado por serviços de viagem e digital, com projeção de leve arrefecimento a 5% em 2026.

As perspectivas econômicas globais permanecem incertas devido às elevadas incertezas macroeconômicas, às mudanças nas políticas comerciais e aos persistentes desafios fiscais. As tensões geopolíticas e os riscos financeiros aumentam essas pressões, tornando a economia global fragilizada. Apesar do choque tarifário em 2025, a atividade econômica global se mostrou resiliente. A situação no ano passado recebeu o apoio de embarques antecipados, acúmulo de estoques e gastos sólidos do consumidor em meio à flexibilização monetária e mercados de trabalho "amplamente estáveis". Espera-se que o apoio contínuo da política macroeconômica amorteça o impacto das tarifas mais altas, mas o crescimento do comércio e da atividade geral provavelmente se moderarão no curto prazo.

O crescimento econômico global, estimado em 2,8% para 2025, deverá diminuir marginalmente para 2,7% em 2026, antes de acelerar para 2,9% em 2027, ainda abaixo do nível antes da pandemia, de 3,2%. Para Europa, Japão e Estados Unidos, a expectativa é de que o crescimento se mantenha praticamente estável, e siga em ritmo moderado, com o apoio monetário ou fiscal continuando a sustentar a demanda. Grandes economias em desenvolvimento, como a China, Índia e Indonésia, devem continuar apresentando crescimento sólido, impulsionado por uma demanda interna resiliente ou por medidas políticas direcionadas. Por outro lado, as perspectivas para muitos países de "baixa renda" e considerados "vulneráveis" permanecem menos favoráveis.

O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,9% em 2025 e deve desacelerar para alta de 4,6% em 2026. As estimativas representam um aumento em relação ao levantamento divulgado no ano passado, em que as previsões eram de 4,6% e 4,4%, respectivamente. Para 2027, a projeção de crescimento do PIB chinês é de 4,5%. A economia chinesa manteve um crescimento robusto no primeiro semestre do ano passado, apoiado pela aceleração dos embarques de exportação antes do aumento das tarifas dos Estados Unidos e por um consumo doméstico mais forte. No entanto, o ritmo começou a perder fôlego no terceiro trimestre.

Em setembro, o crescimento das vendas no varejo desacelerou para 3%, ante um pico de 6,4% em maio, a taxa mais alta desde janeiro de 2024. O investimento em ativos fixos teve contração de 0,5% nos três primeiros trimestres do ano. Isso sugere uma atividade de investimento significativamente mais fraca no terceiro trimestre. O setor industrial e de infraestrutura foram impulsionados por estímulos governamentais, como os títulos ultralongos para renovação urbana. Em contrapartida, esses ganhos foram compensados pela contração do setor imobiliário. Para este ano, os principais riscos decorrem de uma possível deterioração das relações comerciais entre China e Estados Unidos, de uma demanda global mais fraca e de uma nova desaceleração do setor imobiliário.

A economia dos Estados Unidos deve manter um crescimento moderado nos próximos anos, sustentada por consumo resiliente e forte investimento em tecnologia, mas cercada por incertezas associadas a tarifas comerciais, política fiscal e à possível acomodação dos gastos em inteligência artificial (IA). O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos desacelerou para 1,9% em 2025, de 2,8% em 2024, mas deve retomar fôlego e avançar 2% em 2026. No relatório anterior, as estimativas eram de avanço de 1,6% e 1,5%, respectivamente. Para 2027, a previsão é de continuidade da expansão apoiada por políticas macroeconômicas mais favoráveis e pela resiliência da demanda doméstica, com crescimento do PIB de 2,2%.

No campo do investimento, a infraestrutura relacionada à IA é um dos principais motores da formação de capital nos Estados Unidos, refletindo gastos elevados em equipamentos, software e data centers. Contudo, parte desse movimento pode ter sido antecipado em meio à incerteza comercial, deixando o investimento vulnerável a uma desaceleração temporária. As tarifas implementadas ao longo de 2025 criaram incerteza significativa, elevaram custos de comércio e pressionaram mercados, ainda que o impacto macroeconômico tenha sido mais moderado do que o inicialmente esperado. No mercado de trabalho, as condições permanecem amplamente estáveis, mas observa-se sinais de moderação na criação de vagas e no crescimento dos salários. O setor habitacional segue contido, pressionado por custos elevados e taxas de juros ainda acima dos níveis pré-pandemia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.