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08/Jan/2026

Mudanças climáticas e a relação com Agropecuária

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, inicia este novo ano com uma novidade: seus pesquisadores passam a divulgar, de maneira pontual, os chamados “Textos Ocasionais para Discussão” (ou “Occasional Papers for Discussion”), que são estudos analíticos que abordam temas atuais, emergentes ou polêmicos, demonstrando sua importância com base em sólida evidência empírica. E o primeiro Texto Ocasional para Discussão (TOD nº 1), escrito pelo coordenador científico do Cepea, Geraldo Barros, traz uma discussão mais que necessária, atual e polêmica: as mudanças climáticas e suas relações de causa e efeito com a Agropecuária e outros setores econômicos.

O texto do Prof. Barros revela que:

“Não pairam mais dúvidas, entre as pessoas esclarecidas, a respeito da gravidade das mudanças climáticas mundiais e sua decorrência do alto e descontrolado crescimento das emissões globais dos chamados gases de efeito estufa. Desde 1960 até os dias atuais, as emissões multiplicaram-se por sete. Desde 1990, a ocorrência de desastres climáticos mundo afora vem crescendo, de forma preocupante, pari passu ao aumento da temperatura global. No Brasil, por exemplo, o número de tais desastres saltou, de 1990 a 2023, de 403 para 4.818. Enquanto isso, as emissões globais líquidas continuam crescendo a taxas significativas de 1,3% ao ano, puxadas pelo setor de energia (com 1,8% ao ano) e que atualmente responde por 75% do total global de emissões. A Agricultura, quase sempre apontada como vilã, representa 12% do total de emissões, crescendo a 0,5% ao ano. Lamentavelmente, olhando historicamente, um grande potencial já foi desperdiçado com o desflorestamento de mais de 75% das florestas originárias da Europa e 50% da América do Norte. Na América do Sul, 30% dessas florestas já foram derrubadas. Focando no Brasil, das emissões líquidas totais, a agropecuária responde por 38%. E vêm em franca desaceleração. O desempenho da Agropecuária Brasileira revela esforços para redução de emissões, mas ainda o posiciona como tendo que aumentar esses esforços na agenda climática. Nos últimos 30 anos, as emissões totais líquidas no Brasil caíram 21%, em grande parte devido à redução das emissões devidas a mudanças no uso do solo e florestas. As dificuldades na formulação de estratégias de combate ao Desmatamento se fundam no fato de que 17% do território brasileiro não está de alguma forma registrada e georreferenciada, fenômeno que se concentra nas Regiões Norte e Nordeste. Os povos originários nas regiões de Desmatamento podem, em princípio, se beneficiar do mercado de crédito de carbono. Entretanto, ainda não há definição de critérios e orientações para a inserção das terras indígenas no mercado voluntário de carbono. Entre os temas a serem tratados estão estruturas de governança, a segurança jurídica, os potenciais benefícios para os povos indígenas”. Fonte: Cepea.