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08/Jan/2026

EUA reforça as ameaças de anexar a Groenlândia

O governo norte-americano anunciou na terça-feira (06/01), que o presidente Donald Trump analisa vários caminhos para anexar a Groenlândia, incluindo recorrer à força. Segundo a presidência norte-americana, adquirir a ilha, território semiautônomo da Dinamarca, é prioridade para a segurança nacional dos Estados Unidos. A declaração foi divulgada em comunicado da secretária de imprensa, Karoline Leavitt, um dia depois de um dos principais assessores do presidente norte-americano, Stephen Miller, afirmar que a Groenlândia pertence aos Estados Unidos por direito e o país poderia tomá-la se quisesse. “Ninguém vai lutar militarmente contra os Estados Unidos pelo futuro da Groenlândia”, disse Miller. As declarações fazem parte de uma campanha de Miller, figura influente nos bastidores do governo, para justificar o imperialismo e defender uma nova ordem mundial na qual os Estados Unidos poderiam derrubar governos, tomar territórios e recursos estrangeiros, desde que isso seja de interesse nacional.

“Vivemos em um mundo, no mundo real, Jake, que é governado pela força, pelo poder”, afirmou Miller. “Essas são as leis de ferro desde o início dos tempos.” Ele fez os comentários após sua mulher, Katie Miller, publicar, no fim de semana, uma imagem nas redes sociais sugerindo que os Estados Unidos assumiriam em breve o controle da Groenlândia. Na segunda-feira (05/01), a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, disse que a anexação à força da Groenlândia pelos Estados Unidos equivaleria ao fim da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar da qual os dois países fazem parte. Com o governo Trump discutindo publicamente a possibilidade de assumir o controle da ilha, os governos da Dinamarca e da Groenlândia pediram uma reunião com o secretário de Estado, Marco Rubio.

“Os Estados Unidos têm feito declarações cada vez mais contundentes sobre a Groenlândia”, afirmou a chanceler do território, Vivian Motzfeldt. Autoridades locais e dinamarquesas rejeitam com veemência a ideia de anexação. Pesquisas mostram que a maioria dos groenlandeses se opõe à ideia. Uma eventual tomada da Groenlândia pelos Estados Unidos romperia um dos pilares centrais da Otan. Pela Carta do Atlântico, tratado de fundação da aliança, um ataque a qualquer país-membro é considerado um ataque a todos. O temor de uma agressão norte-americana se espalhou pela Europa, com seis líderes (França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido) se unindo à primeira-ministra dinamarquesa em uma declaração conjunta conclamando Donald Trump a trabalhar “coletivamente” com seus aliados para abordar as preocupações com a segurança no Ártico.

Marco Rubio procurou aplacar os temores no Congresso. Segundo o Wall Street Journal, o secretário de Estado disse a parlamentares que as recentes ameaças não sinalizam uma invasão iminente e o objetivo seria comprar a ilha da Dinamarca, que repete insistentemente que ela não está à venda. As declarações foram feitas na segunda-feira (05/01) durante uma reunião fechada, um dia antes de a Casa Branca reiterar o argumento de que tomar a ilha é uma questão de segurança nacional. O Departamento de Estado não comentou. Donald Trump discutiu a compra da Groenlândia em seu primeiro mandato, mas tem insistido em tornar a maior ilha do mundo parte dos Estados Unidos. Alguns legisladores americanos e autoridades europeias temem que a recente operação militar na Venezuela e os ataques dos Estados Unidos na Nigéria e no Irã indiquem que Trump esteja mais aberto ao uso da força do que em qualquer outro momento de seus dois mandatos.

A Dinamarca e a Groenlândia estão buscando uma reunião com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e sua contraparte groenlandesa, Vivian Motzfeldt, solicitaram a reunião com Rubio "em um futuro próximo". Pedidos anteriores para uma reunião não foram bem-sucedidos. As tensões entre as partes aumentaram depois que a Casa Branca afirmou que "o exército dos Estados Unidos é sempre uma opção", mesmo quando uma série de líderes europeus rejeitou os renovados apelos de Trump para que os Estados Unidos assumissem o controle da Groenlândia, citando razões estratégicas. Os líderes da França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido se juntaram a ela em uma declaração na terça-feira reafirmando que a ilha rica em minerais "pertence ao seu povo". O texto defendeu a soberania da Groenlândia, que é um território autônomo da Dinamarca e, portanto, parte da Otan.

Nesta quarta-feira (07/01), em publicação em rede social, Donald Trump, criticou integrantes da Otan e questionou se estariam ao lado dos norte-americanos em uma possível necessidade, mas logo reiterou o apoio à organização, em meio às tensões entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia. "Sempre estaremos lá pela Otan, mesmo que eles não estejam lá por nós", escreveu, ao alegar que, por mais que tenha "encerrado" oito guerras, a Noruega, que é membro da Otan, "ingenuamente optou por não conceder" o Prêmio Nobel da Paz ao republicano. Em sua publicação, Trump disse que os Estados Unidos pagavam por outros integrantes da aliança militar, cuja contribuição em defesa "sequer chegava a 2% do Produto Interno Bruto (PIB)". Segundo ele, a situação mudou quando o republicano assumiu a presidência dos Estados Unidos porque os outros líderes "são todos meus amigos" e aceitaram "facilmente" aumentar a participação para 5% do PIB.

"Sem a minha intervenção, a Rússia teria toda a Ucrânia agora", afirmou. Ainda em relação à Rússia, ele avaliou que, sem os Estados Unidos, a Rússia e a China não teriam "nenhum medo" da Otan. "Todos têm sorte de eu ter reconstruído nossas forças armadas no meu primeiro mandato e continuar fazendo isso. A única nação que a China e a Rússia temem e respeitam é a reconstruída dos Estados Unidos por Donald Trump", escreveu, sobre sua própria liderança. Por meio de suas redes sociais, os países europeus estão reforçando a mensagem expressa em declaração conjunta assinada pelos líderes de França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca de apoio e defesa da Groenlândia. O texto destaca que a segurança no Ártico continua sendo uma prioridade fundamental para a Europa e para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"Nós e muitos outros aliados aumentamos nossa presença, atividades e investimentos para manter o Ártico seguro e dissuadir adversários. O Reino da Dinamarca, incluindo a Groenlândia, faz parte da Otan", destaca o comunicado. Os países europeus citam que a segurança da região deve ser alcançada coletivamente, junto aos Estados Unidos, e "sustentando os princípios da Carta da ONU, incluindo soberania, integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras. Estes são princípios universais, e não vamos parar de defendê-los". O texto termina destacando que a "Groenlândia pertence ao seu povo". O líder norte-americano argumenta que os Estados Unidos precisam controlar a Groenlândia para garantir a segurança do território da Otan, diante das crescentes ameaças da China e da Rússia no Ártico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.