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07/Jan/2026

Brasil registra recorde nas exportações em 2025

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, afirmou, nesta terça-feira (06/01), que o Brasil bateu recorde nas exportações mesmo em um ano difícil na geopolítica, com tarifaço dos Estados Unidos. Mesmo com o tarifaço norte-americano e com as dificuldades geopolíticas, o Brasil bateu recorde na exportação de US$ 348,7 bilhões. Também teve um recorde na importação. A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 68,3 bilhões em 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O valor foi alcançado com exportações de US$ 348,7 bilhões e importações de US$ 280,4 bilhões. O resultado é o terceiro melhor da série histórica, atrás de 2023 e 2024. O resultado das exportações foi US$ 9 bilhões maior que o então recorde para a série histórica de 2023.

A queda de 6,6% nas exportações para os Estados Unidos no ano passado ficou concentrada entre agosto e dezembro. A maior redução ocorreu em outubro (-35,4%). Em dezembro, porém, houve melhora, com queda de 7,2% e embarques acima de US$ 3 bilhões (US$ 3,4 bilhões). Alckmin também comemorou o resultado o crescimento no volume de exportações brasileiras. Segundo ele, o número é mais que o dobro do avanço do resto do mundo. No Brasil, o volume em termos de exportação cresceu 5,7%. O mundo cresceu 2,4%. Isso mostra boa resiliência e boa competitividade dos produtos brasileiros. Geraldo Alckmin afirmou que o quadro melhorou em relação ao tarifaço dos Estados Unidos. Segundo ele, o trabalho continua e será acelerado. Ele afirmou querer excluir mais produtos das alíquotas de 50% e reduzir estas tarifas também.

Alckmin disse que são 22% dos produtos brasileiros que ainda estão sujeitos a essa carga mais alta dos Estados Unidos. Ele declarou ainda que há uma boa expectativa para fechar um acordo de livre comércio entre o Mercosul e os Emirados Árabes Unidos. Além disso, citou que trabalha para aumentar preferências tarifárias com Índia, México e Canadá. Ainda, o vice-presidente afirmou que a Venezuela não é hoje tão relevante no comércio exterior com o Brasil. Ele informou que foram exportados ao país produtos brasileiros no valor equivalente a US$ 838 milhões em 2025 e importados o equivalente a US$ 349 milhões. A corrente de comércio é de US$ 1,2 bilhão. É o 52º país no ranking de exportação brasileira. O Brasil espera que a Venezuela possa se recuperar e aumentar a sua exportação e importação. Na década de 1960, o país era “uma das economias mais pujantes da América do Sul”, tendo chegado a representar mais de 12% do PIB do subcontinente.

Alckmin destacou que o país vizinho tem grande reserva de petróleo, mas ponderou que a exploração não é feita tão rápido. O vice-presidente ainda defendeu que a exportação de petróleo pelo Brasil deve crescer em 2026, devido ao aumento de produção do pré-sal. Os itens seguintes na pauta de exportação brasileira, por ordem, são minério de ferro, soja, carne e açúcar. Há uma expectativa de crescimento da questão do petróleo em razão do pré-sal. A Margem Equatorial ainda tem mais algum tempo para entrar em produção. O Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior afirmou que o aumento das importações brasileiras dos Estados Unidos é muito explicado pela demanda brasileira, mas o tarifaço afetou as exportações, causando um déficit comercial com aquele país de US$ 7,9 bilhões. Em grande medida, os bens de capital, que foram o setor que mais cresceu na importação, vem dos Estados Unidos, então é muito explicado pela demanda brasileira.

A economia cresceu mais de 2% no ano passado, o dado final ainda vai ser divulgado, mas todas as expectativas apontam para isso. Os Estados Unidos são a terceira maior origem de importações brasileiras, atrás da Europa e da China. Óleos brutos de petróleo caíram em volume nas vendas para os Estados Unidos, mas bateram recorde de exportações. O Brasil tem um déficit histórico com os Estados Unidos. No ano passado, esse déficit havia sido de US$ 284 milhões, agora passou para US$ 7,5 bilhões. Mesmo com as tarifas afetando diversos produtos brasileiros na exportação, a queda da exportação não é totalmente explicada pelas tarifas, porque houve redução, nesses meses, em diversos produtos que não foram afetados, principalmente o petróleo. O Brasil aumentou o fornecimento de carne a países vizinhos como Uruguai e Paraguai. Possivelmente, esses países passaram a fornecer carne aos Estados Unidos.

Há evidência de que a revogação de parte das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros afetou positivamente as exportações nacionais, com o movimento de carne bovina exportada em dezembro especificamente. Esse produto aumentou em 44,4% em relação a dezembro do ano anterior, os embarques para os Estados Unidos. O produto saiu da tarifa em novembro e observou-se esse grande aumento em dezembro. Os produtos que cresceram no Brasil já estavam sem tarifas, mas a principal evidência foi o desempenho da carne bovina. Sobre a expectativa para 2026, muito provavelmente o movimento de exportações aos Estados Unidos será de queda no primeiro semestre, em razão do tarifaço. Observou-se um grande aumento de volumes de embarques para os Estados Unidos em 2025 enquanto não ocorriam os aumentos de tarifas. Quanto ao segundo semestre, as vendas àquele país vão depender da situação das tarifas até lá.

A tendência é que os exportadores absorvam uma parte desse choque, aumentem um pouco o preço ao consumidor final, reduzam um pouco as suas margens. Sobre o adiamento da assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, que estava previsto para ser feito em dezembro de 2025, a negociação não afeta diretamente o movimento de comércio bilateral. Por mais que se adie ou antecipe ou se mude a data de assinatura do acordo, ainda há um caminho para que as reduções tarifárias entrem em vigor. Isso não é automático, tem que ser internalizado pelos blocos e isso pode levar algum tempo ainda. Então, os exportadores, as empresas não realizam negócios tendo esse horizonte de assinatura num curto prazo. Segundo a 4intelligence, as importações devem perder força ao longo de 2026, na esteira da atividade econômica mais fraca esperada para o período. O superávit comercial de 2025, de US$ 68,3 bilhões, valor 7,9% menor ao saldo do ano anterior (US$ 74 bilhões), foi impactado pelo avanço relevante das compras externas.

Para este ano, a 4intelligence projeta superávit comercial de US$ 68,4 bilhões, em linha com a desaceleração das importações e um cenário de acomodação no comércio global. A expectativa é de continuidade de bons resultados na indústria extrativa em 2026, principalmente com a exportação de petróleo. Ao olhar para o resultado de 2025, o destaque é o desempenho forte da carne bovina e do café nas exportações, ambos com crescimento acima de 30% na comparação interanual. Em dezembro, commodities tradicionais da pauta exportadora brasileira, como petróleo, minério de ferro e soja, apresentaram recuperação nos envios. Parte da surpresa altista do mês partiu do minério de ferro. Do lado das importações, a entrada de produtos chineses e norte-americanos aumentou mais de 10% na comparação interanual, devido à demanda brasileira resiliente e ao redirecionamento do comércio global no último ano. O superávit comercial de dezembro foi de US$ 9,633 bilhões e ficou acima das estimativas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.