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07/Jan/2026

Brasil: dólar deverá se manter sob controle em 2026

O mercado financeiro espera que a taxa de câmbio continue relativamente controlada em 2026, com episódios frequentes de volatilidade. As premissas são de um desempenho altamente sensível ainda ao ciclo de corte de juros nos Estados Unidos, ao início esperado da flexibilização monetária no Brasil, ao clima de negócios global e ao desenrolar da disputa eleitoral brasileira. As projeções de várias instituições financeiras são de queda para o dólar ante o Real no primeiro trimestre e maior pressão ao longo do ano, especialmente na segunda metade. O câmbio médio poderia ficar em R$ 5,35, mas a cotação da moeda norte-americana pode chegar a R$ 7,00 em momentos de maior tensão, sobretudo no segundo e terceiro trimestres, auge da campanha presidencial.

Para o fim de 2026, essas casas estimam uma taxa de câmbio em R$ 5,50, após a valorização de mais de 10% do Real ante o dólar em 2025. A BuysideBrazil aponta o ciclo eleitoral como principal fonte de volatilidade interna, mas não vê descontrole cambial. A questão fiscal segue relevante, mas o desfecho eleitoral será o divisor de águas para a dinâmica do câmbio. Seu cenário-base para o começo deste ano é de dólar mais fraco no mundo e diferencial de juros ainda favorável ao Brasil sustentando um viés de Real mais apreciado. Prevê um dólar médio em torno de R$ 5,35 frente o Real no ano. Um fator externo de peso é a substituição do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) Jerome Powell, por um nome com perfil dovish, alinhado à visão econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Pode ter uma queda mais acentuada dos juros norte-americanos até a faixa de 3% ao ano, o que implicaria um dólar globalmente mais fraco e possibilidade de o índice DXY do dólar frente seis pares fortes testar níveis entre 96 e 97 pontos. Este cenário favorece o apetite por risco e o fluxo de capital para mercados emergentes, especialmente aqueles que oferecem prêmio elevado de carry trade, como o Brasil. Por outro lado, a moeda norte-americana tende a se fortalecer em cenários de avanço do governo atual nas pesquisas e a perder força caso candidatos mais pró-mercado ganhem espaço, com o impacto se intensificando principalmente no segundo e terceiro trimestres do ano. No começo de dezembro, o mercado já experimentou um sobressalto com o noticiário eleitoral e a expectativa é de que irá potencializar a volatilidade cada vez mais daqui para a frente.

O inesperado anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para a Presidência em 2026, em 5 de dezembro, causou rebuliço nos ativos locais pela visão de que inviabilizaria a esperada candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, considerado o nome mais competitivo da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem intenção de reeleição, e promover o ajuste fiscal das contas públicas. O UBS Wealth Management também vê o Real sustentado pelo carry trade, mas diz que o risco fiscal pode limitar o desempenho em 2026. O comportamento do Real dependerá da postura fiscal do candidato favorito, já que gastos elevados com juros altos são vistos como insustentáveis, em um cenário de dívida/PIB em forte alta e déficit nominal elevado.

A instituição projeta a taxa de câmbio oscilando em torno de R$ 5,40 no 1º trimestre e de R$ 5,50 do 2º ao 4º trimestre. No primeiro semestre, os cortes de juros pelo Fed e uma postura monetária mais dovish tendem a enfraquecer o dólar globalmente, enquanto o diferencial de juros ainda elevado no Brasil, mesmo com início de redução da Selic, deve apoiar as operações de carry trade e favorecer o real, aposta a Corano Capital. No segundo semestre, o fim ou pausa no ciclo de cortes nos Estados Unidos e a intensificação do risco eleitoral doméstico, com foco na política fiscal, tendem a reduzir o fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes, provocando maior volatilidade, com espaço para desvalorização do Real. Não se descarta o salto do dólar até R$ 7,00 nos piores momentos de tensão política.

O Citi atribui a valorização do Real em 2025 majoritariamente a fatores externos e, portanto, é vulnerável a mudanças no cenário global. A queda dos preços das commodities tende a pressionar o câmbio, enquanto a proximidade das eleições aumenta o foco no risco fiscal. Sem perspectiva de consolidação fiscal rápida, o banco projeta a taxa de câmbio em torno de R$ 5,50 ao fim de 2026, em linha com a projeção do último boletim Focus. A XP trabalha com premissas para 2026 de taxa de câmbio em R$ 5,50 por dólar, preço internacional do petróleo nos patamares atuais e cenário ainda desinflacionário para commodities, devido ao menor dinamismo da economia chinesa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.