05/Jan/2026
As projeções climáticas para 2026 apresentam um cenário complexo e de incertezas para o setor agropecuário, marcado pela transição entre padrões atmosféricos globais e a influência de fatores oceânicos menos previsíveis. No início do ano, espera-se um quadro de neutralidade climática, que ocorre quando fenômenos clássicos como La Niña estão em enfraquecimento, reduzindo seu impacto direto sobre a distribuição das chuvas. Essa neutralidade implica que a atmosfera passa a ser mais governada por sistemas regionais, o que tende a aumentar a variabilidade espacial das precipitações e das temperaturas.
Para o primeiro trimestre, as expectativas são de chuvas fortes em algumas regiões mais ao Sul, com risco de alta umidade e excessos hídricos, enquanto áreas centrais e do Centro-Oeste podem experimentar precipitações irregulares, temperaturas acima da média e regimes pluviométricos pouco definidos. Esse padrão complica decisões de plantio e manejo: atrasos no início da estação chuvosa reduzem a janela ótima para semeadura, comprometendo o calendário agronômico tradicional e aumentando a exposição das culturas, especialmente no caso de lavouras de milho de segunda safra, ao calor e à seca no período final de desenvolvimento.
Ao longo do ano, a perspectiva é de que chuvas abaixo da média e elevação das temperaturas passem a se tornar mais frequentes a partir de março e abril, ampliando os riscos de déficit hídrico em áreas essenciais ao ciclo de produção agrícola. Essa tendência decorre não apenas da irregularidade das precipitações, mas também da desorganização dos padrões de circulação atmosférica que historicamente eram mais vinculados ao Pacífico equatorial, agora influenciados de forma expressiva pelo aquecimento de outros oceanos. Essa mudança na dinâmica climática pode significar menor regularidade na chegada das chuvas quando comparado a anos anteriores, reduzindo a confiabilidade das previsões sazonais e elevando a volatilidade dos resultados produtivos.
No segundo semestre, há indícios de que outro fenômeno oceânico possa emergir, o que tradicionalmente está associado a mudanças dramáticas de padrão climático. Os efeitos desse possível novo episódio ainda são incertos em intensidade e distribuição, mas, se ocorrer de forma definida, podem alterar substancialmente as condições de chuva e temperatura, favorecendo algumas regiões e prejudicando outras. Em um contexto de variabilidade aumentada, a agronomia enfrenta o desafio de adaptar cronogramas, cultivares e estratégias de mitigação de risco hídrico.
O conjunto dessas projeções indica um ano de 2026 com maior complexidade climática, em que padrões históricos de estação chuvosa estão menos claros e a distribuição das chuvas e temperaturas se torna mais errática. No agronegócio, isso se traduz em maior exposição a riscos (como seca em períodos críticos de desenvolvimento das culturas e excesso de umidade em outras fases), necessidade de ajustes no manejo, e uma dependência maior de recursos de irrigação e de escolhas varietais resilientes ao estresse hídrico.
A análise climática evidencia, portanto, que o setor produtivo deve se preparar para um ambiente climático mais incerto, em que tradições de planejamento agrícola precisarão ser complementadas por estratégias flexíveis e respostas adaptativas ao comportamento atmosférico fora das normas recentes. Essa realidade reforça a importância de sistemas de monitoramento climático, práticas que aumentem a resiliência das culturas e de uma gestão do risco integrada às decisões produtivas no campo. Fonte: Cogo Inteligência em Agronegócio.