05/Jan/2026
Em 2025, os preços dos alimentos surpreenderam positivamente ao registrar desaceleração relevante, inclusive em períodos tradicionalmente marcados por pressões sazonais, como os últimos meses do ano. Esse comportamento foi sustentado por uma combinação pouco comum de fatores: safra agrícola recorde no Brasil, bom desempenho produtivo em outros países relevantes e apreciação do real frente ao dólar. Esse conjunto reduziu custos de produção, diminuiu a atratividade das exportações e ampliou a oferta de alimentos no mercado doméstico, resultando em variações moderadas da inflação alimentar e quedas expressivas de preços em diversos itens importantes da cesta de consumo. A desvalorização do dólar teve papel central ao baratear insumos, fertilizantes, máquinas e equipamentos, além de reduzir a paridade de exportação, o que contribuiu para direcionar maior volume da produção ao mercado interno.
Para 2026, contudo, esse ambiente favorável tende a se dissipar. Embora a produção agrícola deva permanecer elevada, a contribuição do câmbio para conter os preços não deve se repetir, especialmente em função de maior volatilidade macroeconômica e do contexto eleitoral. A expectativa predominante é de um câmbio mais depreciado ou, no mínimo, neutro, o que reduz o efeito desinflacionário observado em 2025. Nesse cenário, mesmo uma safra volumosa não garante aumento proporcional da oferta doméstica, pois a maior competitividade externa pode estimular exportações, limitando quedas adicionais de preços no mercado interno. As projeções indicam que a safra agrícola de 2026 deverá ser ligeiramente inferior à de 2025, que foi excepcional, mas ainda suficientemente robusta para evitar pressões relevantes nos preços de grãos. A soja tende a manter produção elevada, com novo avanço marginal, enquanto o milho deve apresentar recuo mais expressivo, refletindo ajustes de área e produtividade após ciclos de grande oferta.
Esse perfil produtivo sugere que grãos e derivados continuarão exercendo papel moderador sobre a inflação, ainda que com intensidade menor do que no ano anterior e com maior dependência do comportamento cambial. O principal vetor de pressão inflacionária em 2026 deve ser o segmento de proteínas animais, especialmente a carne bovina. O ciclo pecuário aponta para redução da oferta, consequência do elevado abate de fêmeas nos anos anteriores e da necessidade de recomposição do rebanho. Esse ajuste estrutural tende a resultar em menor produção e elevação dos preços ao consumidor. Com a carne bovina mais cara, é esperado um efeito de substituição da demanda para outras proteínas, como frango, suínos e ovos, o que amplia a pressão de preços também nesses segmentos, mesmo onde a oferta se mantém relativamente equilibrada.
Após um ano de inflação de alimentos excepcionalmente baixa, o cenário base para 2026 aponta para aceleração moderada, ainda distante de episódios mais críticos do passado, mas claramente superior ao resultado de 2025. Essa aceleração deve ocorrer de forma desigual entre os grupos de alimentos, com predominância das pressões vindas das proteínas animais. A inflação da alimentação no domicílio tende a se situar em patamar intermediário, refletindo o equilíbrio entre uma oferta agrícola ainda robusta e pressões estruturais associadas à pecuária e ao câmbio. Em síntese, 2026 deve marcar o encerramento do ciclo de forte descompressão dos preços dos alimentos observado em 2025 e o início de um processo de normalização inflacionária, com riscos concentrados sobretudo nas cadeias de proteínas e maior sensibilidade ao ambiente macroeconômico. Fonte: Cogo Inteligência em Agronegócio.