19/Dec/2025
Após subir a R$ 5,56 no início da sessão desta quinta-feira (18/12), o dólar perdeu força no Brasil e encerrou praticamente estável ante o Real, em sintonia com a melhora mais ampla dos ativos brasileiros após o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçar que a decisão sobre a Selic em janeiro ainda não está tomada. A esperança de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ainda seja o principal nome da direita na eleição presidencial também tirou força da moeda norte-americana, em meio ao noticiário político do dia. O dólar fechou com variação positiva de 0,04%, a R$ 5,52. No ano, a moeda acumula baixa de 10,59%. A moeda norte-americana ensaiou ganhos firmes ante o Real, na esteira do avanço da divisa no exterior e do mal-estar em relação ao cenário político, desde que o senador Flávio Bolsonaro (PL) despontou como o principal nome da direita para a eleição presidencial. Ainda na primeira hora de negócios, o dólar atingiu a máxima intradia de R$ 5,56 (+0,68%).
No entanto, a moeda perdeu força, chegando a ceder ante o Real, em meio a uma melhora dos ativos locais. Um dos fatores para isso foi a sinalização de Galípolo de que o Banco Central ainda não definiu se cortará ou não em janeiro a taxa básica Selic, hoje em 15% ao ano. O Relatório de Política Monetária mostrou que o Banco Central projeta uma inflação em 12 meses de 3,2% no terceiro trimestre de 2027, ainda um pouco acima do centro da meta contínua perseguida pela instituição, de 3%. O terceiro trimestre de 2027 passou a ser considerado pelo mercado como um período-chave, já que se torna a referência para o horizonte relevante da política monetária na reunião de janeiro do Banco Central. Galípolo pontuou que as projeções são embutidas de incerteza e que há limitações para elas em um horizonte de 18 meses. O Banco Central mira "o redor da meta" de inflação. Galípolo também disse que a autarquia segue dependente de dados e que "não há portas fechadas" nem "setas dadas" para as decisões de política monetária. Os comentários mantiveram a expectativa de que o Banco Central possa cortar a Selic em 25 pontos-base em janeiro, o que pesou sobre a curva de juros e deu força ao Ibovespa.
No mercado de câmbio, o dólar cedeu à mínima de R$ 5,50 (-0,37%), pegando carona em uma percepção geral mais positiva após os comentários de Galípolo, em movimento ajudado ainda pelo noticiário político. O presidente da federação União Brasil-Progressistas, senador Ciro Nogueira (PP-PI), afirmou que o nome de Tarcísio de Freitas (candidato preferido do mercado) não está sepultado, apesar da recém-lançada candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). Ele defendeu que o cenário eleitoral seja reavaliado em março. Segundo a Nomad, a leitura de que a pré-candidatura presidencial ainda está em aberto favoreceu uma melhora marginal do humor, permitindo recuperação do Ibovespa em direção às máximas do dia, enquanto câmbio e curva de juros passaram a devolver ganhos. No exterior, o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas, subia 0,06%, a 98,433. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.