18/Dec/2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (17/12), que teve informações de que a União Europeia não conseguirá aprovar o acordo com o Mercosul a tempo da assinatura no sábado (20/12). Em tom duro, Lula afirmou que se o acordo não for assinado agora, "o Brasil não fará mais acordo" enquanto ele for presidente. A declaração ocorreu durante reunião ministerial na Granja do Torto nesta quarta-feira (17/12). Lula reclamou do fato de a reunião do Mercosul ter sido adiada de 2 para 20 de dezembro a pedido da União Europeia, justamente para que fosse possível a assinatura. A situação está difícil, porque Itália e França não querem fazer por problemas políticos internos, afirmou o presidente. "Eu já avisei para eles que se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente. Faz 26 anos que a gente espera esse acordo. Esse acordo é mais favorável para eles do que para nós. O Macron não quer fazer por causa dos agricultores deles, a Itália não quer fazer não sei por que", completou.
Lula afirmou que o acordo é mais benéfico aos europeus do que aos sul-americanos. Disse que se não houver a assinatura agora, o governo "será duro daqui para frente com eles". "Nós do Brasil trabalhamos muito para aceitar esse acordo e passar uma ideia, em um momento em que o presidente dos Estados Unidos quer fragilizar o multilateralismo e fortalecer o unilateralismo. Mostrar ao mundo que um PIB de US$ 22 trilhões estava fazendo um acordo para defender o multilateralismo", afirmou. "Vou para Foz do Iguaçu na expectativa de que eles (europeus) digam 'sim'. Mas também, se disserem 'não', vamos ser duros daqui para frente. Nós cedemos a tudo o que era possível a diplomacia ceder", declarou. Lula adiantou que viajará à Índia no início do ano que vem e que sua última viagem internacional de 2026 será à Coreia do Sul. Disse que não pretende ir à reunião do G7 porque está em "franca campanha".
A Alemanha e a Comissão Europeia intensificaram, nesta semana, uma última rodada de articulações para convencer a Itália a apoiar o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. O avanço do tratado depende de uma decisão rápida e corre o risco de fracassar caso não seja assinado em breve. O acordo com o Mercosul é considerado o maior da União Europeia em termos de redução tarifária. Países como Alemanha, Espanha e nações nórdicas defendem que o tratado pode impulsionar as exportações europeias, hoje pressionadas pelas tarifas dos Estados Unidos, além de reduzir a dependência da China e ampliar o acesso a matérias-primas estratégicas. Apesar disso, o acordo enfrenta resistência interna. Setores contrários temem que a abertura comercial resulte em aumento da entrada de commodities a preços mais baixos, com impactos sobre a agricultura europeia.
A Polônia mantém oposição firme, enquanto a França atua para adiar a votação, o que deslocou o foco das negociações para a Itália. Sem o apoio da Itália, o acordo dificilmente avançará. Itália e França teriam concordado em trabalhar por um adiamento da votação, o que aumenta a incerteza sobre o cronograma. A União Europeia e o Mercosul chegaram a um acordo de princípio em dezembro do ano passado. Von der Leyen planeja viajar ao Brasil neste fim de semana para formalizar a assinatura, mas, para isso, é necessária a aprovação do Conselho da União Europeia, que reúne os governos dos países-membros. Para bloquear o tratado, é preciso a oposição de pelo menos quatro países que representem 35% da população do bloco, e diplomatas avaliam como provável que outra nação, como a Hungria, vote contra. Caso o acordo não seja assinado ainda neste ano, a oportunidade poderá ser perdida.
Os países do Mercosul estão perdendo a paciência. Se não for possível assinar agora, essa janela se fecha e eles podem voltar sua atenção para parceiros estratégicos que a Europa não considera prioritários. Na terça-feira (16/12), parlamentares europeus votaram propostas de reforço às salvaguardas para os agricultores, ponto sensível nas negociações e uma das principais exigências da França para avançar no acordo. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que considera prematuro assinar o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul nos próximos dias, ao avaliar que ainda faltam garantias suficientes para agricultores. Em discurso à Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (17/12), Meloni disse que a Itália sempre viu a iniciativa com interesse, mas ressaltou que o governo só dará aval quando houver "adequadas garantias de reciprocidade para o setor agrícola".
Segundo a premiê, o acordo tem valor político e econômico por funcionar como uma "ponte entre a Europa e a América Latina" e por prever importantes e positivas repercussões esperadas para as exportações italianas, tanto no setor industrial quanto no alimentar, além da proteção de mais de 50 denominações de origem geográfica italianas. Ainda assim, Meloni frisou que a iniciativa deverá ser positiva para todos os setores. A chefe do governo italiano destacou avanços obtidos junto à Comissão Europeia, como a criação de um mecanismo específico de salvaguarda, de um fundo adequado de compensação e o reforço significativo dos controles fitossanitários na entrada. Contudo, observou que essas medidas inda não estão totalmente finalizadas. Por isso, Meloni afirmou que assinar o acordo nos próximos dias ainda é prematuro e defendeu aguardar a conclusão do pacote de salvaguardas e o diálogo com agricultores italianos. Segundo ela, essa posição não significa que a Itália pretenda bloquear ou se opor ao acordo no seu conjunto, mas apenas aprová-lo quando houver garantias suficientes.
A premiê disse estar muito confiante de que, com o início do próximo ano, todas essas condições possam se concretizar. Ainda, o presidente francês Emmanuel Macron indicou nesta quarta-feira (17/12), que a França vai se opor “de maneira muito firme” à eventual adoção do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, quer assinar no sábado (20/12) no Brasil. Para assinar o acordo, von der Leyen precisa primeiro da aprovação do Conselho da União Europeia, mas vários países, entre eles França e Itália, consideram prematuro se pronunciar esta semana, uma vez que consideram que não estão reunidas as condições para proteger seus agricultores europeus. O sentimento em Bruxelas, cidade das negociações na Europa, está muito negativo em relação ao fechamento do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Até terça-feira (16/12), era grande a expectativa de que na reunião do Conselho Europeu, nesta quinta-feira (18/12), os chefes de Estado e de governo votassem majoritariamente a favor do tratado.
O sinal vermelho até aqui havia sido dado apenas por França e Polônia, que, mesmo juntas, não têm o condão de barrar o pacto. A França é a antagonista principal do texto que vem sendo costurado há mais de 20 anos. Mais recentemente, mudou de tática e, em vez de pedir pela obstrução do acordo, começou a defender o adiamento da votação pelos líderes da União Europeia. Para aprovar o tratado, é preciso ter o aval de 15 dos 27 países membros e de membros que representem 65% da população. A postura da França se dá mesmo após o país ter conseguido esta semana do Parlamento Europeu salvaguardas que blindam a União Europeia, principalmente em relação a produtos agrícolas. Ocorre que, nesta quarta-feira (17/12), a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, reforçou o coro, dizendo que assinar o pacto agora sem garantias suficientes para agricultores seria prematuro.
Segundo ela, seu governo só dará aval quando houver "adequadas garantias de reciprocidade para o setor agrícola italiano". As fontes que estão na Europa informaram que ainda não há posição oficial sobre a retirada da pauta da reunião desta quinta-feira (18/12) no Conselho Europeu. Se a Itália for contra o acordo, atinge-se a representatividade da população, já que a França detém 15,2%; Polônia, 8,1% e Itália, 13,1%, um total de 36,4%. Se a votação sair de pauta, não há, portanto, assinatura. A fala de Lula sobre o tema tem sido acompanhada por embaixadores europeus que trabalham no Brasil. "Estou seguindo as falas do presidente, mas agora tudo depende de Meloni", disse um deles. Fontes: Broadcast Agro, Reuters e AFP. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.