ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

17/Dec/2025

RS: previsão indica de recuo no PIB do Agronegócio

Segundo a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), a agropecuária voltou a ser o principal fator de pressão sobre a economia do Rio Grande do Sul em 2025. A nova quebra de safra provocada pela estiagem deve levar o PIB agropecuário do Estado a recuar 10,66% no ano, comprometendo o desempenho do PIB total. A entidade estima uma frustração de cerca de 8 milhões de toneladas na produção de arroz, milho, soja e trigo. A safra inicialmente projetada em aproximadamente 39 milhões de toneladas ficou pouco acima de 31 milhões, resultando em uma perda de quase R$ 20 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária em 2025. O impacto da quebra agrícola extrapola o setor primário.

Considerando os encadeamentos produtivos, como ração, esmagamento, proteína animal, exportações e logística, a perda acumulada de faturamento direto ao produtor chega a R$ 126,3 bilhões. O choque econômico equivale a mais da metade do PIB anual do Estado e ajuda a explicar o desempenho sistematicamente inferior do Rio Grande do Sul em relação ao restante do País. Mesmo com crescimento em outros segmentos, o peso do agro negativo domina o resultado final. Para 2025, a Farsul projeta expansão de 3,99% na indústria, impulsionada pela recomposição após a enchente de 2024, e de 1,59% nos serviços, ainda sustentados por efeitos de recuperação, apesar do aperto monetário.

Ainda assim, o PIB total deve crescer apenas 1,15%, abaixo da projeção de 2,35% para o Brasil. Sem a recorrência de eventos climáticos adversos, o Estado teria condições de apresentar desempenho superior ao nacional. A repetição de estiagens, porém, segue corroendo renda, investimento e competitividade, tornando a resiliência climática uma agenda central para o desenvolvimento econômico do Estado. Após anos consecutivos de perdas no campo, a agropecuária pode voltar a ser o principal motor da economia do Rio Grande do Sul em 2026. Uma safra dentro da normalidade permitiria uma forte recomposição do setor, com alta de 36,75% no PIB agropecuário, impulsionando o crescimento do PIB estadual para 4,4%. A projeção, no entanto, é condicional.

A Farsul ressalta que a economia do Rio Grande do Sul tornou-se altamente dependente do desempenho do agro, e que a variabilidade climática pode deslocar significativamente o resultado final. Assim, o comportamento do clima permanece como o principal fator de risco para 2026. A recuperação do agro ocorreria sobre uma base fragilizada. O setor chega ao próximo ciclo com endividamento elevado e perdas irreversíveis acumuladas, o que limita o ritmo de retomada dos investimentos, apesar do forte efeito de recomposição estatística.

Enquanto o campo lideraria a retomada, os demais setores devem crescer de forma mais moderada. Para 2026, a Farsul projeta avanço de 1% na indústria e de 1,26% nos serviços, ambos ainda sob influência dos efeitos defasados da política monetária restritiva e de um ambiente financeiro mais apertado. Uma safra razoável seria suficiente para produzir um impacto relevante sobre a atividade econômica do Estado. Ainda assim, sem avanços estruturais na mitigação das estiagens, o Rio Grande do Sul tende a permanecer preso a ciclos recorrentes de quebra do agro seguidos por recomposições parciais, com efeitos duradouros sobre o crescimento de longo prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.