28/Nov/2025
Segundo o Itaú BBA, o agronegócio brasileiro deve enfrentar um ano de 2026 marcado por custos elevados, margens comprimidas e forte dependência do clima. O ambiente do setor está bem desafiador, em um cenário de juros altos no Brasil e nos Estados Unidos e preocupação com a evolução dos custos de produção. O ciclo de juros e câmbio será decisivo para o desempenho das margens ao longo do próximo ano. Projeções indicam que o dólar deve encerrar 2025 a R$ 5,35 e avançar para R$ 5,50 no fim de 2026, em um cenário ainda marcado por instabilidade. No front doméstico, a perspectiva de juros elevados se mantém como obstáculo. O Banco Central tem sinalizado uma taxa de 15% por período prolongado. O custo do capital está muito alto, e isso é um grande complicador para o agronegócio. Mesmo com expectativas de cortes no próximo ano, o Itaú projeta que 2026 termine com Selic ainda em 12,75%.
A combinação de moedas mais fortes frente ao Real, custos de fertilizantes ainda sensíveis e preços internacionais com pouco espaço para alta tende a apertar as margens do produtor. Tudo isso significa que as margens da maior parte das culturas vão cair por conta de custos mais altos, preços estáveis e custo financeiro elevado. Mesmo com perspectivas de boa produção no Brasil, a oferta global segue elevada, o que limita a reação das cotações. É improvável que haja uma melhora substancial dos preços agrícolas", disse. O atraso das chuvas e o retorno da La Niña também elevam a incerteza para 2026. Culturas como café, laranja e cana-de-açúcar já sentem os efeitos do clima irregular. Ainda se espera boas safras, mas está muito dependente de que as previsões de chuva se confirmem. Para o Rio Grande do Sul, o fenômeno climático segue sendo um ponto de atenção, embora os mapas indiquem condição melhor que em anos anteriores.
Para o Morgan Stanley, o atual ciclo de preços baixos das commodities agrícolas deve se encerrar em 2026, com redução dos estoques globais e recuperação gradual da demanda. O balanço mundial de soja está deixando para trás anos de superávit. É muito possível que 2026 marque um déficit pequeno ou um superávit mínimo. A demanda continuará crescendo porque a população mundial aumenta e precisa se alimentar. O Brasil se destaca no cenário internacional por manter crescimento mesmo com juros elevados e crédito restrito. Fabricantes de máquinas agrícolas como AGCO, CNH Industrial e John Deere reportaram quedas de 20% a 30% nas vendas na América do Norte nos últimos trimestres, enquanto a América do Sul apresenta retração menor. O etanol de milho mudou a dinâmica de armazenagem no Brasil ao exigir estoque permanente. Esse espaço sistêmico não existe hoje. O conjunto estoques menores, juros caindo em 2026 e demanda firme deve reequilibrar preços. O ajuste já está em curso. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.