28/Nov/2025
A Sociedade Rural Brasileira (SRB) afirmou que, apesar das dificuldades atuais enfrentadas pelo setor, o agronegócio brasileiro segue destinado a ocupar papel cada vez mais central no abastecimento global de alimentos e na agenda de soluções climáticas. A sigla ESG, muitas vezes associada apenas ao meio ambiente, envolve também pilares econômicos e sociais, dimensões que o agro brasileiro já incorpora amplamente, embora sem o reconhecimento proporcional. O que o agronegócio brasileiro tem feito pelo Brasil em promoção social e abastecimento não tem sido devidamente destacado. O setor vive hoje uma fase marcada por economia global desaquecida, preços mais baixos de commodities e turbulências geopolíticas. O caso da soja é um exemplo: o preço caiu de US$ 15,00 por bushel para US$ 11,00 por bushel. Ainda assim, o ciclo deve se inverter.
Em relação às disputas tarifárias internacionais, guerras comerciais não beneficiam ninguém. Produtos mais caros reduzem demanda. Mesmo que o Brasil ganhe mercado, venderá mais barato. Sobre o Acordo Mercosul-União Europeia, a SRB avaliou que há um "arrefecimento natural" da pressão europeia sobre temas ambientais, motivado pela necessidade crescente do bloco pelos produtos do Mercosul. A SRB manifestou preocupação com a reforma tributária, citando falta de regulamentação e imprevisibilidade. O próximo ano, marcado por disputas eleitorais, tende a travar avanços estruturais. O sistema financeiro está mais cauteloso devido ao aumento das recuperações judiciais. A RJ é uma ferramenta legítima, mas tem sido usada de forma fraudulenta por alguns setores. Isso não é problema do agro, é caso de polícia. A SRB também defendeu que o seguro rural deixe de ser entendido como venda casada e passe a integrar os contratos de financiamento como ferramenta de mitigação de risco.
Outro ponto enfatizado foi o pagamento por serviços ambientais (PSA), pauta histórica da entidade. Os produtores preservam, em média, 35% das florestas nativas em suas propriedades, prestando um grande serviço ao País e ao mundo. Mas ninguém paga por isso. A lei do PSA segue sem regulamentação por falta de funding. Sob este aspecto, destaca-se a proposta defendida pelo governo federal na COP30, de financiar o PSA a partir da exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas. Apesar dos obstáculos conjunturais, o Brasil tem tudo para consolidar-se como grande abastecedor global de alimentos e protagonista das soluções climáticas. Para a BMJ Consultoria, a crescente onda de protecionismo no comércio internacional está redesenhando fluxos, estratégias e parcerias, colocando o agro brasileiro em posição ainda mais estratégica.
O mundo vive a maior concentração de medidas protecionistas desde 2009, com impactos diretos na segurança alimentar global. A segurança alimentar, hoje, é um ativo, especialmente diante das disrupções que ainda não se normalizaram, como o frete internacional e a inflação de consumo. A combinação entre custos elevados, volatilidade de preços e novas barreiras comerciais criou uma turbulência que não vai parar. Desde o fim da pandemia, quase 3 mil medidas de caráter protecionista foram registradas globalmente. Dessas quase 3 mil, 50% estão concentradas em Europa, China e Estados Unidos. Na prática, isso significa que cerca de 40% do comércio internacional é afetado por decisões de poucos blocos de poder. Relatório recente da OCDE aponta que 2024 e 2025 são os anos com o maior número de ações protecionistas desde 2009.
São 920 medidas comerciais, defesa comercial, proteção comercial, restrições a exportações e importações de alimentos, barreiras técnicas, sanitárias e fitossanitárias. Nesse cenário, o Brasil ganha relevância por sua capacidade de assegurar oferta contínua de alimentos ao mundo. O agro brasileiro tem volume, tem escala, tem regularidade e, principalmente, tem qualidade. A redução das tarifas pelos Estados Unidos foi adotada pelo caráter essencialmente complementar da produção agrícola brasileira. Não há como produzir café nos Estados Unidos nem suco de laranja, não há como garantir oferta de carne sem o Brasil. O consumidor americano consome produtos do agro brasileiro “todos os dias”, reforçando o peso do País nas cadeias globais de alimentos. A intensificação de medidas estatais sobre o comércio global faz parte de um ambiente estrutural, e não de uma fase temporária. Essa turbulência não vai passar; é o novo normal. Mesmo assim, o Brasil segue posicionado para navegar nesse ciclo com vantagem competitiva. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.