28/Nov/2025
Segundo a Rede MapBiomas, a rastreabilidade ambiental e a adequação a padrões internacionais já não são mais tendências, mas exigências estruturais para o futuro do agronegócio brasileiro. A Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) consolida um movimento global que tende a se aprofundar e se espalhar. A rastreabilidade "veio para ficar" e outras potências, como a China, podem seguir caminho semelhante. O principal motivo é que os impactos do desmatamento sobre a economia brasileira já são evidentes: o Pantanal perdeu 60% da água que vinha da Amazônia nas últimas três décadas; reservatórios de hidrelétricas na Região Sul do País, como em Santa Catarina e no Paraná, não se recuperam como deveriam, e algumas áreas do Cerrado já não conseguem manter a 2ª safra por falta de chuvas. Diante da escassez hídrica, muitos produtores recorrem à construção de reservatórios privados.
Só na Amazônia, entre 2000 e 2024, foram detectados mais de 100 mil deles. Cada produtor tenta resolver seu próprio problema hídrico, mas o efeito combinado agrava a falta de água, já que essa água represada não retorna ao sistema hídrico. Isso exige regulação urgente. se não houver coordenação, todos vão perder. Limitar a expansão de áreas agrícolas tende a acelerar a produtividade. São Paulo é um exemplo: entre 2000 e 2024 reduziu pela metade a área de pecuária, substituindo-a por cana-de-açúcar, soja, eucalipto e recuperação de áreas degradadas. A lei da Mata Atlântica, aprovada em 2006, funcionou como limitador e impulsionou a eficiência agrícola. Quando há restrições de expansão, todos, especialmente os pequenos produtores, que não têm capital para comprar terras adicionais, são estimulados a buscar produtividade.
Isso contradiz algo bastante falado no setor do agronegócio, de que o aumento da produtividade agropecuária no País limitou a expansão de áreas para cultivos, o famoso efeito "poupa terra". É o contrário: quando se limitam as áreas possíveis de serem utilizadas para a agropecuária é que se aumenta a produtividade como consequência. Ainda sobre a EUDR, o Brasil já possui tradição em rastreabilidade em diversas cadeias e setores como café e soja estão bem estruturados para atender às exigências europeias. Na EUDR, produtos como soja, café, carne, cacau, borracha, óleo de palma e madeira estão na lista de monitoramento. Café é hoje a cadeia mais avançada nesse sentido no Brasil, seguido pela soja, cujas tradings possuem sistemas maduros de rastreabilidade. O maior gargalo é a pecuária, especialmente o couro.
O Brasil exporta 80% do couro que produz, mas a rastreabilidade do setor fica limitada pela indústria da carne por questões sanitárias, o que pode se tornar um entrave sério para o cumprimento das futuras regras da EUDR. O Parlamento Europeu adiou por mais um ano a implementação da EUDR, para 30 de dezembro de 2026. Embora óleo de palma e cacau não sejam cadeias dominantes no Brasil, a EUDR evidencia a fragilidade de mercados globais, especialmente na África, onde falta georreferenciamento básico e sistemas de monitoramento. Há casos de má-fé em narrativas sobre o Brasil. Comunicar corretamente o que é feito no campo é essencial para garantir competição justa. A sustentabilidade deixará de ser uma pauta ambiental para se transformar em uma questão econômica central, conforme água, energia e produtividade se tornem fatores críticos. Preparar o Brasil para atender às novas exigências é urgente, não apenas para manter acesso a mercados, mas para proteger os recursos naturais e garantir competitividade no longo prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.