28/Nov/2025
O Brasil se destaca cada vez mais na agenda climática global, com o avanço técnico, regulatório e produtivo da agricultura tropical. A COP30, realizada em Belém (PA), não apenas deu visibilidade ao setor, como acelerou debates cruciais sobre financiamento, redução de emissões, integração produtiva e construção de mercados de carbono. Para a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o País vive um "momento histórico" após a COP30. O agro brasileiro, responsável por cerca de 640 milhões de toneladas de CO2 equivalente emitidas, possui potencial de sequestrar 1,1 bilhão de toneladas, estratégia prevista no Plano ABC, do Ministério da Agricultura.
Essa diferença criaria um valioso excedente de créditos para negociação. É preciso regulamentar o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões. O decreto existe, mas falta regulamentar para criar o mercado e brigar para valer o Artigo 6, que cria o mercado de carbono global. O Brasil mostrou que é possível combinar agro e meio ambiente. A partir desta COP, o Brasil mostrou que é uma potência agroambiental. Destaque também para os avanços tecnológicos na redução de gases de efeito estufa. A Syngenta revelou que o setor está testando aditivos alimentares com impacto significativo nas emissões entéricas. A empresa tem um produto capaz de reduzir 55% do metano em bovinos confinados.
O desempenho varia conforme o sistema produtivo: em pasto, o tipo de alimentação e fermentação é totalmente diferente. É preciso cuidado ao aplicar. A descoberta é "muito importante" e reforça que o País tem ciência, tecnologia e capacidade de inovar no ritmo exigido pela agenda climática. A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), apontada como uma das maiores vitrines do agro brasileiro durante a COP, voltou ao centro do debate da Rede ILPF. O Brasil tem área e tecnologia para expandir de forma expressiva os atuais 17,4 milhões de hectares em ILPF, diante dos 127 milhões de hectares de pastagens existentes. E não há barreiras legais para isso. Só é preciso entender a vocação de cada região.
Nem toda área tem atratividade para floresta, mas ILPF pode ser aplicado em qualquer lugar. O principal gargalo é acelerar a regularização do Cadastro Ambiental Rural (CAR), fundamental para dar segurança jurídica ao produtor. Qualquer tecnologia precisa ser economicamente viável; e ILPF é. O Brasil precisa "falar alto" sobre seus resultados, especialmente no mercado internacional. O País tem uma janela estratégica para promover seus produtos com valor agregado, mas tem que divulgar no exterior o que está fazendo para agregar valor. Vender a carne, por exemplo, de forma diferenciada. A pecuária brasileira precisa ser vista como parte da solução, e não só do problema. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.