28/Nov/2025
Empresas, instituições financeiras e organizações de comércio exterior estão alinhando inovação, crédito, mercado e comunicação para acelerar a transição sustentável no agronegócio brasileiro. O setor vive avanços concretos, como o uso crescente de bioinsumos, fertilizantes de baixo carbono e sistemas regenerativos, mas ainda enfrenta gargalos estruturais, especialmente no acesso ao crédito, na regularização ambiental e na necessidade de métricas adequadas ao ambiente tropical. A Yara Brasil destacou que os fertilizantes nitrogenados são um dos principais pontos de atenção na agenda de emissões e a empresa tem investido fortemente na inovação dessa cadeia. Foi citado o desenvolvimento de um novo portfólio que inclui bioinsumos e a adoção de biometano na produção de fertilizantes, em parceria com grandes indústrias de alimentos. O produtor brasileiro está cada vez mais engajado em práticas sustentáveis, olhando para a saúde do solo, que é seu maior ativo.
A empresa citou a parceria com a Pepsico, pela qual a Yara passou a fornecer fertilizantes produzidos a partir de biometano, reduzindo em 40% a pegada de carbono da operação. A Yara renovou a matriz energética e mostrou que é possível reduzir emissões em toda a cadeia. O papel do sistema financeiro na transformação do campo foi ressaltado pelo Banco do Nordeste. Hoje não há mais espaço para o produtor rural que descumpre a legislação ambiental. Quem não atua com respeito à lei ambiental não consegue crédito. O Banco do Nordeste utiliza uma ferramenta que realiza 28 verificações socioambientais antes da liberação de empréstimos e mantém sistemas de alerta por imóvel rural. O primeiro passo da sustentabilidade é a tecnologia. Não à toa o banco financia cada vez mais práticas sustentáveis no agro. O crédito já se tornou um filtro natural que diferencia quem está preparado para a economia de baixo carbono.
A visão da indústria de alimentos foi trazida pela Pepsico Latam, que reforçou que a empresa é essencialmente agroindustrial, dependendo de cadeias como milho e batata para seus produtos. A Pepsico compra 450 mil toneladas de produtos agrícolas no Brasil, das quais 125 mil toneladas de batatas destinadas à produção de chips, todas cultivadas, hoje, sob princípios de agricultura regenerativa. A parceria com a Yara, iniciada na Europa e agora expandida para Brasil e demais países da América Latina, garante o uso de fertilizantes produzidos com biometano. Mas não basta aplicar o fertilizante. É preciso capacitar. A empresa tem programas de formação para orientar o produtor sobre como usar essa tecnologia de forma correta. Essa integração entre insumo, capacitação e regeneração é decisiva para reduzir a pegada de carbono no campo. A necessidade de comunicar melhor o avanço do agro brasileiro e alinhar a agenda comercial à agenda climática foi reforçada pela ApexBrasil.
A sustentabilidade se tornou, definitivamente, um diferencial competitivo global, algo que a Apex passou a incorporar há cerca de 15 anos, ainda enfrentando resistência de empresas brasileiras. Hoje, isso está nos jornais de todos os países, no cotidiano dos consumidores e nas políticas de comércio. Reputação e credibilidade dos setores produtivos dependem da capacidade de comunicar o que é, de fato, a agricultura tropical brasileira, ainda pouco compreendida inclusive dentro do próprio País. A Apex trabalha para levar soluções e produtos sustentáveis ao exterior e para atrair investimentos, especialmente em biocombustíveis, energia renovável e projetos de regeneração de áreas degradadas. A FGV Bioeconomia destacou que o Brasil é "vitrine de sustentabilidade", algo evidenciado pela AgriZone da COP30, mas ainda precisa superar barreiras estruturais. Há três gargalos principais: acesso ao crédito, regularização ambiental e métricas adequadas à realidade tropical.
O País possui milhões de hectares degradados e pequenos e médios produtores enfrentam mais obstáculos. O crédito é difícil, caro e burocrático. E ainda há enormes desafios na organização fundiária e na completa regularização do CAR, que traz segurança jurídica e atrai investimento. O segundo ponto, disse, é a inclusão desses produtores por meio de assistência técnica. O Brasil é enorme, e pequenos e médios têm características completamente diferentes dos grandes. Não dá para medir todo mundo pela mesma régua. O terceiro desafio é "tropicalizar as métricas". No caso da soja, por exemplo, quando medidas pelo inventário nacional, as emissões aparecem 90% maiores do que quando se considera o balanço completo, que inclui sequestro de carbono. O Brasil é um país tropical, com solo pobre, agricultura de alta tecnologia e sistemas que emitem, mas também sequestram. É preciso métricas que reconheçam oficialmente essas práticas como mitigadoras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.