27/Nov/2025
De acordo com dados da Sondagem do Consumidor, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), a proporção de consumidores usando recursos da poupança para quitar despesas correntes ficou em 14,0% em novembro, na métrica de médias móveis trimestrais. Embora tenha havido leve melhora ante o desempenho de outubro, quando 14,2% dos consumidores estavam nessa situação de lançar mão das economias para pagamentos de contas, a proporção nessa situação permaneceu na faixa considerada "alta" pelo segundo mês consecutivo. A proporção de pessoas usando a poupança no pagamento de despesas correntes é considerada "alta" na faixa entre 13,4% e 14,2%. Essa incidência é considerada "muito alta" quando a proporção de consumidores nessa situação ultrapassa 14,3% ou mais.
Ou seja, o resultado de novembro permanece pelo segundo mês consecutivo muito próximo à faixa "muito alta", alcançando os patamares mais elevados desde 2022. Apesar de ter calibrado em novembro ante outubro, esse indicador tem piorado nos últimos meses. O que acende até um sinal de alerta. O cenário atual é de inadimplência e endividamento já elevados, com a taxa básica de juros no patamar de 15,00% ao ano acarretando um encarecimento de dívidas. O aumento recente na confiança do consumidor pode ser passageiro. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) avançou 1,3 ponto em novembro ante outubro, na série que desconta influências sazonais, para o patamar de 89,8 pontos, o maior nível desde dezembro de 2024. O resultado representa a terceira alta consecutiva, mas há chances de novo arrefecimento já no curto prazo.
Essa confiança está melhorando muito por conta de o mercado de trabalho continuar forte, e, principalmente, por conta da inflação que tem desacelerado na ponta gradualmente. Isso tem ajudado o consumidor a ter uma percepção melhor para o presente e para o futuro. Essa melhora está nos dois horizontes, mas, provavelmente, não vai ser sustentada por tantos meses. Talvez no curto prazo, já para o ano que vem, pode ser que essa trajetória de melhora seja interrompida, dado o contexto de endividamento e inadimplência muito elevados com uma taxa de juros a 15%. A taxa de juros por si só tem um efeito de desestimular a economia, e, além disso, encarece dívidas. Em novembro, o Índice de Situação Atual (ISA) da Confiança do Consumidor subiu 1,8 ponto, para 84,8 pontos, o maior nível desde dezembro de 2014. O Índice de Expectativas (IE) aumentou 1,0 ponto, para 93,8 pontos.
Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a proporção de famílias brasileiras com dívidas subiu a 79,5% em outubro, maior patamar da série histórica iniciada em 2010. A fatia de famílias inadimplentes se manteve em outubro no ápice histórico de 30,5% já alcançado em setembro. Além disso, houve um recorde de 13,2% das famílias brasileiras afirmando que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso, ou seja, que permanecerão inadimplentes. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). O bom momento do mercado de trabalho não tem sido suficiente para frear o avanço na inadimplência devido ao elevado patamar atual dos juros. Como consequência, o comércio varejista já estaria percebendo uma desaceleração das vendas. A CNC projeta que a proporção de famílias endividadas aumente 3,3% até o fim deste ano em relação ao patamar que encerrou 2024, enquanto a inadimplência subiria 1,5%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.