26/Nov/2025
O ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Roberto Azevêdo afirmou que o momento entre Brasil e Estados Unidos é de oportunidade, mas com uma janela "efêmera", que precisa ser aproveitada idealmente nos próximos três meses. O governo do presidente norte-americano Donald Trump deseja baixar os juros dos Estados Unidos, mas para isso precisa reduzir as pressões inflacionárias na economia. Além disso, precisa melhorar sua posição política antes das eleições legislativas do ano que vem, em particular diante da possibilidade de derrota nos questionamentos judiciais às tarifas de importação norte-americanas. O tema precisa ser resolvido antes de o processo eleitoral ganhar ímpeto. O horizonte de tempo é curto.
Além de capitalizar as vulnerabilidades internas dos Estados Unidos, o Brasil também pode explorar o interesse geoestratégico do país, com a oferta de terras raras e minerais críticos. O Brasil se posiciona como um parceiro preferencial seguro e tem boas condições de negociar acordo com os Estados Unidos nesta área, inclusive com investimentos em processamento no Brasil. O Brasil deve adotar postura pragmática e transacional nas tratativas com os Estados Unidos, ciente de que componentes políticos podem comprometer negociações em curso ou novas, como exemplo pode-se citar possíveis desdobramentos relacionados à Venezuela. As conversas não seguirão o roteiro tradicional de "pedidos e ofertas", e tendem a se parecer mais a um "jogo de sedução interesseira".
A rivalidade entre China e Estados Unidos é uma das maiores oportunidades para o Brasil no cenário atual. Os países são respectivamente, o primeiro e o segundo maiores parceiros comerciais do País, com características distintas: a China é o principal destino das exportações brasileiras, vitais para o equilíbrio das contas correntes, e fonte crucial de investimentos em infraestrutura. Os Estados Unidos, por sua vez, fazem investimentos sólidos, volumosos e orientados a setores de maior valor agregado no Brasil, e a parceria com os norte-americanos alavanca a credibilidade do País. Para Azevêdo, perder a conexão com qualquer um dos dois polos teria custos altíssimos ao Brasil. "Um não substitui o outro." Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.