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24/Nov/2025

COP30: projeto visa recuperar áreas degradadas

O Brasil juntamente com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apresentou na quarta-feira (19/11) na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) uma iniciativa internacional para a recuperação de áreas degradadas. Batizada de RAIZ (Resilient Agriculture Investment for Net Zero Land Degradation), o projeto é voltado à mobilização de investimentos para a conversão de áreas agrícolas degradadas em diferentes países em áreas produtivas. O projeto poderá mobilizar cerca de US$ 400 bilhões para recuperação de 300 milhões de hectares em dez anos. No Brasil, o projeto é liderado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, com o apoio dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da Pesca e Aquicultura e do Ministério do Meio Ambiente (MMA). O Brasil apresentou aos demais países o modelo do Programa Caminho Verde Brasil, que prevê recuperar 40 milhões de hectares de pastagens degradadas em dez anos.

A intenção é que o Brasil exporte o modelo do projeto e as tecnologias adotadas, com adaptações para ser incorporado à realidade de cada país. É um projeto transformador. Estimativas da FAO apontam que, dos 850 milhões de hectares de pastagens no mundo, cerca de 30% possuem algum grau de degradação. Já há propostas para implementação da RAIZ em países do Oriente Médio, Ásia e África. Os investimentos partirão tanto do setor privado como de agentes do setor público, com aportes de organismos multilaterais, bancos de fomento e fundos de pensão, combinados a recursos privados. Países do Brics, Arábia Saudita, China e Índia já mostraram interesse na adesão imediata à RAIZ. A Índia sozinha tem 130 milhões de hectares de pastagens degradadas de um total de 330 milhões de hectares de pastos, enquanto o Brasil tem outros 80 milhões de hectares degradados a serem recuperados. Há um enorme potencial. A FAO e o governo brasileiro apresentam a RAIZ, nos documentos oficiais, como um “mutirão” global para acelerar os investimentos em agricultura resiliente e restauração de terras agrícolas.

No documento, alegam que a degradação do solo é um dos desafios mais urgentes da atualidade, prejudicando a segurança alimentar, acelerando a perda de biodiversidade e exacerbando as mudanças climáticas, e mais de 30% das terras agrícolas estão degradadas em todo o mundo. Restaurar terras degradadas é uma prioridade em todas as Convenções do Clima, afirma o documento oficial de apresentação do projeto. É preciso ampliar rapidamente o financiamento para cumprir esses compromissos globais e alcançar importantes benefícios conjuntos para o clima, a natureza e a segurança alimentar, justificam a FAO e a presidência da COP no documento. A RAIZ será voltada ao diagnóstico de áreas com potencial de restauração e fomentará projetos em escala, além de destravar o financiamento (blendend finance) para os projetos de recuperação de áreas. Ao integrar metas de segurança alimentar, clima, biodiversidade e saúde do solo, a RAIZ busca mobilizar e coordenar os esforços e parcerias globais existentes em prol de uma agricultura sustentável e resiliente.

A Presidência da COP30 espera ainda que o lançamento da RAIZ gere endosso político da iniciativa como um legado da conferência para restauração de terras agrícolas e agricultura sustentável e que, a partir disso, fomente o anúncio de investimentos e compromissos iniciais de governos, bancos multilaterais de desenvolvimento, fundos multilaterais e do setor privado. A iniciativa para restaurar áreas degradadas globalmente tem o apoio de nove países. O programa RAIZ conta com a adesão de Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Canadá, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Peru e Reino Unido. O RAIZ vai apoiar os governos a mobilizar e a alocar estrategicamente investimentos públicos e privados voltados à restauração. Com o programa, o objetivo dos participantes é aumentar o fluxo de capital para a restauração. Segundo a iniciativa, os governos, sozinhos, não conseguem suprir o déficit de financiamento nessa área. O programa RAIZ foi criado para apoiar governos e parceiros na cocriação de soluções de financiamento adaptadas a cada país, destravando investimentos em larga escala.

Participam do RAIZ o Ministério da Agricultura, a FAO, a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o World Business Council for Sustainable Development (WBSCD), além dos nove países já mencionados. Ainda, Brasil e Japão firmaram acordo de cooperação técnica internacional para o Programa Caminho Verde Brasil. O memorando de entendimento foi assinado entre o Ministério da Agricultura, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) na terça-feira (18/11) na Agrizone, na COP30. Batizado de Parceria Verde pela Agricultura, o acordo prevê cooperação para expansão da recuperação de pastagens degradadas e conversão em áreas produtivas. O projeto é voltado ao diagnóstico de pastagens degradadas e ao monitoramento da recuperação e intensificação agrícola sustentável no Cerrado. A ideia é tirar o máximo de proveito daquilo que já foi ocupado e que está com algum nível de degradação. São 40 milhões de hectares e o desafio é fazer isso entrar em operação, afirmou Fávaro na assinatura do acordo.

De acordo com o ministro, em três Planos Safras, com recursos do Renovagro, já foram recuperados 3 milhões de hectares. Os aportes da Jica no projeto ainda serão definidos, segundo Fávaro. As tratativas para um novo EcoInvest estão avançadas. A Jica vai se somar e fará investimento em um futuro próximo colocando recursos em investimentos além de pesquisa. A Jica e a Embrapa vêm dimensionando os investimentos recíprocos para equalizar o tamanho desse investimento e os recursos ainda estão sendo fechados. A Jica também já está em processo avançado, junto com o Ministério da Fazenda, com o Ministério da Agricultura e com o BNDES para aportar financiamento para esse programa, afirmou Fávaro. O valor "robusto" será anunciado no "tempo deles", segundo o ministro. O embaixador do Japão no Brasil, Hayashi Teiji, afirmou que o país estuda um maior apoio financeiro para os agricultores brasileiros e classificou o acordo como representativo. "Precisamos levar ao público a importância da recuperação das pastagens degradadas", afirmou. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.