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24/Nov/2025

COP30 destaca agropecuária tropical sustentável

A COP entrou em sua segunda semana, que é, na verdade, aquela em que as importantes decisões sobre os compromissos dos países quanto às mudanças climáticas serão tomadas pelos representantes dos governos presentes em Belém. Desde logo vale ressaltar que a ausência de algumas lideranças de países centrais, como Estados Unidos, China, Índia e Rússia, que são grandes emissores, pode enfraquecer a dinâmica das negociações. Mas, por outro lado, a dedicação dos líderes presentes, e com a direção competente do presidente da COP, tem permitido acreditar que avanços no combate ao aquecimento global vão acontecer.

No entanto, entre manifestações de grupos descontentes com suas realidades, e centenas de eventos que acontecem o tempo todo e simultaneamente nos três diferentes sites da COP (Blue zone, Green zone e Agrizone), já se pode afirmar que há um grande setor se destacando em Belém. É a agropecuária tropical sustentável e regenerativa. Com efeito, a Agrizone, localizada na sede do Centro da Embrapa em Belém, tem oferecido uma ampla visão do que fez o setor rural brasileiro nos últimos 50 anos, com base na ciência e na tecnologia tropical aqui desenvolvidas.

E ainda mais: está claro que este processo segue criando inovações sustentáveis que se traduzem em maior competitividade do agro em termos mundiais. Com o apoio precioso da CNA e outras entidades do agro, foi montado pela Embrapa uma verdadeira vitrine dos progressos alcançados nas principais culturas cultivadas no País. O visitante vê os avanços da soja carbono neutro, do café carbono neutro, e de muitas outras plantas, incluindo o trigo plantado em Belém. Temas como adaptação e mitigação às mudanças estão exibidos para quem quiser ver. Em centenas de eventos ali realizados, o estrangeiro fica conhecendo a atuação da ciência na produção de alimentos, na energia renovável, nas florestas plantadas e na agenda proteica. Tudo exposto didaticamente e com a maior simpatia por parte dos pesquisadores presentes.

O texto trazido à COP pelo Fórum Brasileiro da Agricultura Tropical, por sua vez, complementa o que é visual com um conjunto sóbrio de propostas a serem implementadas pelo Brasil e pelos países do cinturão tropical do planeta que queiram se movimentar como agentes de segurança alimentar global, da transição energética justa, criando empregos, riqueza e renda e cuidando do clima com ciência objetiva. Este “museu vivo” da Agrizone ergueu com vigor a régua do agro positivo na agenda de ação pós COP. E os países que vierem a suceder ao Brasil na COP31 (provavelmente a Austrália) terão uma dura tarefa para fazer algo parecido.

Também importante foi a criação, no âmbito da COP, da Rede de Inteligência em Clima e Agricultura, com várias organizações ligadas aos dois setores, com o objetivo de incluir formalmente a Agricultura nas negociações da UNFCCC e na agenda de adaptação. De qualquer forma, um fato é real: a agropecuária, tratada nas COPs anteriores como Sistemas de Produção, ganhou em Belém o lugar que merecia, de estrela de primeira grandeza aliada aos movimentos a favor das mudanças climáticas. Fonte: Roberto Rodrigues. Broadcast Agro.