20/Aug/2025
A economia brasileira dá sinais de desaceleração, refletindo um ajuste em setores que até então estavam em forte crescimento, como o agropecuário. Isso é o que mostrou o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de junho. A maioria dos analistas atribui essa moderação do crescimento ao impacto de uma política monetária restritiva, que visa controlar a inflação, mas também inibe o crédito e o consumo. Em junho, o IBC-Br, índice que representa uma prévia do PIB, caiu 0,10% na comparação mensal com ajuste sazonal. Na comparação anual, o índice subiu 1,4%, superando a mediana das projeções de 1,25%. As estimativas do mercado iam de 0,70% a 2,80%. O indicador da agropecuária mostrou melhora no comparativo mensal, mas puxou o índice para baixo com uma queda de 2,3% em junho, ante 4,25% em maio.
Na comparação com junho de 2024, desacelerou a alta, fechando em 5% em junho, após ter crescido 8,43% em maio. Segundo o PicPay, sob a ótica macroeconômica, os números apontam para uma economia em fase de "transição". O contraste entre a dinâmica mensal e a anual ilustra um ciclo de crescimento mais moderado, condicionado por fatores internos de demanda e externos de oferta. Para a XP, essa desaceleração dos setores sensíveis ao ciclo econômico é parte da estratégia monetária contracionista. A maior parte dos setores perdeu fôlego recentemente. Mas, o setor primário, incluindo a agropecuária, ainda impulsiona o crescimento no curto prazo. Além disso, essa retração no agro, segundo o ASA, ainda está na “ressaca” de um primeiro trimestre muito forte.
Este cenário influenciou na revisão da previsão do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2025 de 0,4% para 0,3%. Já o Banco Inter minimizou a extensão do recuo do IBC-Br, argumentando que ele foi puxado principalmente pelo agro. O Inter estima um crescimento de 0,4% do PIB no segundo trimestre e acredita que a atividade continue perdendo força ao longo do segundo semestre. A Suno Research revisou a previsão de crescimento do PIB para 2025 de 2,4% para 2,3% após o IBC-Br de junho. O recuo no mês foi influenciado, principalmente, pela retração do IBC-Br Agropecuária. O Santander alertou para riscos adicionais ao PIB, como o tarifaço promovido pelo governo dos Estados Unidos, que pode afetar o crescimento econômico. O banco mantém, entretanto, sua previsão de crescimento de 2,0% para o PIB de 2025. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.