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20/Aug/2025

COP30: demanda por artesanato extrativista cresce

A 1.200 quilômetros a oeste de Belém (PA), em uma comunidade às margens do Rio Arapiuns, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas já altera a rotina de 114 artesãos. A proximidade do evento, que será em novembro na capital paraense, provocou um salto nas vendas, de 200 a 300 peças por mês para cerca de 1 mil peças por mês, conta a cooperativa Turiarte. Com a COP30, a demanda por artesanato aumentou muito. A maior parte das vendas vai para fora do Estado. Na comunidade do Rio Arapiuns, afluente do gigante Tapajós, as mulheres ribeirinhas utilizam a palha seca do tucumã para produzir peças decorativas, mandalas, porta-copos, sous-plats, porta-lápis, cestos. A tinta de sementes e plantas locais como urucum, açafrão e jenipapo é utilizada no tingimento das peças. A cooperativa comercializa a produção das artesãs sob encomenda para lojistas e tem planos de estruturar um e-commerce no curto prazo.

No momento, a demanda parte sobretudo de empresas e instituições que querem mostrar a produção sustentável e a sociobioeconomia praticada no bioma amazônico, como a ONG WWF. A demanda é muito grande. A estratégia é expandir o trabalho com a inclusão de mais artesãs. A Turiarte busca obter financiamento de cerca de R$ 30 mil, por meio de editais públicos, para formar estoque de produtos. Fora os efeitos positivos da COP30 na rotina dos artesãos, com a demanda adicional por artesanato, as mudanças climáticas já estão no dia a dia das comunidades locais. Na seca, a palha fica muito seca e se rompe na produção. No ano passado, a seca atrapalhou o envio do artesanato para os lojistas e prejudicou o turismo. Foi a estiagem mais severa dos últimos 20 anos. A produção de artesanato a partir das matérias-primas naturais da floresta, como sementes nativas, fibras vegetais, escamas de peixe e argila marajoara, é uma tradição ancestral. O artesanato foi passado de avós para mães e filhas.

É uma forma de as mulheres terem uma renda adicional nas famílias. Não é preciso desmatar, mantendo a floresta em pé. O próximo objetivo é levar a produção ao mercado internacional. Neste ano, a Turiarte realizou sua primeira exportação no âmbito do projeto Cooperação + Exportação, coordenado pelo Sistema OCB juntamente à Apex Brasil. O trabalho é muito bem aceito no mercado internacional. Além do artesanato, as comunidades e aldeias tradicionais que formam a Turiarte recebem, de forma comunitária, turistas para conhecer a cultura da região e a produção local. Mas, a intenção é a de que o artesanato continue sendo a principal renda da comunidade local, para evitar os impactos de um turismo exploratório. Em 2024, a Turiarte faturou pouco mais de R$ 400 mil, sendo cerca de R$ 300 mil do artesanato e outros R$ 100 mil do turismo. A cooperativa reúne 180 cooperados de 12 comunidades locais, que atuam também com piscicultura e meliponicultura (produção de mel a partir de abelhas nativas). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.