19/Aug/2025
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o comércio entre Brasil e Estados Unidos tende a cair ainda mais daqui para a frente. A corrente de comércio entre os dois países representa hoje menos da metade do que foi nos anos 1980 e deve cair ainda mais, após a imposição de novas tarifas dos Estados Unidos a produtos brasileiros. Haddad reforçou que o Brasil "fez sua parte" na mesa de negociações para reverter o quadro do tarifaço e que, para saber o que virá à frente é preciso "perguntar do lado de lá", em referência ao governo norte-americano. O ministro também reforçou que o cancelamento da reunião entre ele e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, partiu do governo dos Estados Unidos. Questionado sobre se o gesto de Bessent poderia ser interpretado como uma "provocação", Haddad respondeu que não pode cometer "deslizes" e que a situação atual já é "tensa". Haddad também pontuou que cada país tem sua maneira de proceder, mas que "nunca faria isso". "Por mais hostil que o outro país fosse, se eu marquei um compromisso, eu cumpro", reforçou ele.
Haddad, reforçou há pouco que houve "má vontade" por parte dos Estados Unidos em relação às negociações sobre o tarifaço imposto ao Brasil. Ele explicou que recebeu um convite de Bessent, o convocando para uma reunião sobre essa negociação. O ministro disse que resolveu divulgar que houve esse convite para "dissipar" qualquer dúvida sobre o Brasil estar disposto a negociar com os Estados Unidos. Mas, ao divulgar essa notícia, a extrema direita se mobilizou nos Estados Unidos para reverter a situação. Haddad frisou que o Brasil possui documentos oficiais que deixam claro que o País estava disposto a negociar. O ministro também destacou que, com o tarifaço, os Estados Unidos quiseram impor ao Brasil uma situação inegociável e inconstitucional, que seria o Executivo brasileiro interferir em questões do Judiciário, em referência ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Fernando Haddad reforçou que, enquanto ministro, tem relação com Estados e, por isso, a troca no governo dos Estados Unidos, com a saída do ex-presidente Joe Biden e a chegada do presidente Donald Trump não significa que a relação entre norte-americanos e brasileiros deveria ficar arranhada.
O ministro também destacou que teve uma reunião "excelente" com o secretário Scott Bessent, em maio e que é preciso "perguntar para ele" o porquê do cancelamento da reunião que deveria ocorrer na semana passada entre os dois. Foi uma reunião de quase uma hora em que se discutiu questões como a possibilidade de novas parcerias entre Brasil e Estados Unidos, o grupo Brics e a Venezuela. Ainda em relação ao canal de negociação com os Estados Unidos, Haddad disse que, para que haja tratativas, é preciso haver disposição dos dois lados. Ele mencionou que para haver um canal de comunicação dos dois lados e reforçou que, do lado do Brasil, há disposição para o diálogo. Ainda sobre a situação com os Estados Unidos, o ministro mencionou que as tarifas são resultado da polarização interna no Brasil. Ele afirmou que a oposição no País precisa voltar a ter credibilidade. O ministro da Fazenda voltou a afirmar que não sabe que caminho tomar para ajudar as empresas que destinam mais de 80% de suas produções para os Estados Unidos, emendando que o melhor para estas empresas seria buscar outros mercados. Ele disse que o pacote de ajuda às empresas prejudicadas pelo tarifaço está bem calibrado.
Haddad afirmou que a "tarefa da semana" em relação à reposta ao tarifaço dos Estados Unidos é fazer a regulamentação do plano de contingência aos setores afetados, que foi apresentado semana passada, para fazer chegar na ponta os recursos liberados e proteger o Brasil dessa agressão externa. Em relação à resposta oficial do governo às autoridades norte-americanas, no âmbito das investigações do Escritório do Representante Comercial (USTR), o tema não está na alçada do Ministério da Fazenda. Haddad criticou alguns artigos que circulam na imprensa dizendo que o Brasil ainda é um país protecionista. O país mais liberal do mundo, os Estados Unidos, é o mais protecionista do mundo hoje, tarifa de 30%, 50% o mundo inteiro. Segundo Haddad, o Brasil tem feito um movimento contrário, reduzindo muito a sua alíquota efetiva nas últimas três décadas. Ele acrescentou que o mundo hoje exige uma "visão de parceria". O ministro reforçou que o Brasil tem buscado cada vez mais acordos, não só com os principais blocos econômicos, mas por meio de inúmeras tratativas de comércio bilateral. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.