18/Aug/2025
Grandes produtores rurais, especialmente das Regiões Centro-Oeste e Sul, estiveram no centro dos problemas na carteira de crédito do Banco do Brasil, que provocaram uma queda para 8,4% no retorno (ROE) do banco no segundo trimestre. O patamar é o menor entre os grandes bancos e o mais baixo do BB desde 2016. Com a piora da inadimplência, o banco precisou aumentar as provisões para calotes em 105% entre abril e junho. A sinalização do BB é de que o estresse vai prosseguir no terceiro trimestre, e que o resultado volta a melhorar no ano que vem. Para o resto de 2025, o balanço do banco deve seguir pressionado pela carteira do agronegócio e provisões que serão necessárias, diante da expectativa de que a inadimplência seguirá tendo um peso relevante no segmento. É o maior nível de inadimplência do agro já visto no BB. O ano de 2025 é ano de ajuste para retomar a rentabilidade.
Nem mesmo no cenário mais pessimista o BB previa uma inadimplência do agronegócio como a que ocorreu. O indicador fechou junho em 3,49%, quase o triplo do que era há um ano. Em dezembro de 2022, na mínima recente, caiu para apenas 0,52%. O problema na carteira de agronegócio do banco começou em 2023, com o crescimento dos pedidos de recuperação judicial (RJ) no setor, vindos de grandes produtores na pessoa física que tinham se endividado muito na época do juro baixo. O banco tem 808 clientes na carteira do agronegócio em recuperação judicial, somando dívidas de R$ 5,4 bilhões, concentrados no segmento de private banking (voltado para alta renda). O BB tem 600 mil clientes na carteira agro, sendo 20 mil inadimplentes, dos quais 74% nunca tinham apresentado inadimplência com o BB até dezembro de 2023.
Dos clientes que estão inadimplentes, 52% estão nas Regiões Centro-Oeste e Sul do País, e são em sua maioria produtores de soja, milho e de bovinocultura. Parte das recuperações judiciais estava vindo de uma mesma região e dos mesmos escritórios de advocacia. Há clientes na recuperação judicial em que de fato esse é o caminho, mas tem uma parcela significativa das RJs que são fruto de má orientação e consultoria. Muitas consultorias estavam orientando para que produtores, incluindo os menores, entrassem em RJ. O BB acata as decisões da Justiça, que deferiram os pedidos de recuperação, mas o banco está analisando juridicamente a possibilidade de acionar a Justiça contra pedidos abusivos. Em alguns casos, como um em Goiás, a Justiça acabou negando os pedidos de RJ. Com a piora da carteira de agro e de parte do segmento de pequenas e médias empresas, o BB precisou fazer reforço importante da provisão para devedores duvidosos. A recuperação depende da reversão do ciclo de crédito no agronegócio, o que pode destravar valor a partir de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.