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15/Aug/2025

Brasil busca reunir Brics e UE para debater tarifas

Depois de conversar com líderes da Índia, da China e da Rússia sobre o tarifaço de Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer estreitar contatos com outros chefes de Estado e de governo dos países do Brics e até de outros países europeus e latino-americanos. O presidente tenta organizar uma teleconferência do Brics e tem uma lista de telefonemas a fazer que inclui os presidentes da França, Emmanuel Macron, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, e a presidente da Comissão da União Europeia, Ursula von der Leyen. Também se cogita no governo contatos com os presidentes da África do Sul, Cyril Ramaphosa, da Indonésia, Prabowo Subianto, e o premiê do Reino Unido, Keir Stamer. Para além da retórica do enfrentamento, no entanto, o Palácio do Planalto e o Itamaraty veem limites na estratégia e praticamente descartam uma reação comum do Brics, como Lula pretendia discutir com os demais líderes. Depois de especular uma possível resposta conjunta do bloco, Lula já modulou o objetivo e falou que esses contatos são uma tentativa de "melhorar a relação" entre todos os países afetados.

Para o governo Lula, a forma como Trump aplicou o tarifaço, dividindo os países e decidindo caso a caso, complicou uma reação conjunta em algum foro multilateral. O governo é cético quanto à possibilidade de reação uníssona do Brics, e os comunicados do grupo precisam ser aprovados por unanimidade. Mesmo que Lula consiga convocar uma reunião de líderes virtual, embaixadores avaliam que seria muito difícil obter consenso por uma manifestação em bloco mais direta contra o tarifaço de Trump. Eles veem espaço político limitado para ir além das declarações já emitidas durante a Cúpula de Líderes do Rio de Janeiro. A razão para isso é que os países do Brics possuem graus de relação histórica diferentes com os Estados Unidos, e alguns não aceitam embate direto com o país. No quesito tarifário, os estágios de negociação comercial variam. Alguns países receberam a tarifa mínima de 10% (Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Egito, Irã e Rússia). A Indonésia fechou acordo em 19%. Brasil e Índia foram os mais taxados, com alíquotas de até 50%.

Alvo inicial de Trump, a China teve a tarifa reduzida para 30% e entabulou uma negociação ainda em andamento. A África do Sul sofreu enfrentamentos políticos e foi sobretaxada em 30%. E a Rússia agora terá uma reunião entre Trump e Vladimir Putin nesta sexta-feira (15/08). O governo brasileiro espera que um acerto entre eles minimize o risco de nova sanção ao Brasil, por ter ampliado compras do óleo diesel de origem russa. O presidente Lula iniciou a rodada de diplomacia presidencial no dia 7 de agosto, com o premiê da Índia, Narendra Modi, tão afetado quanto o Brasil, com tarifas de 50%, apesar do perfil ideológico do indiano ser mais afinado com Trump e da aliança estratégica do país com os Estados Unidos. O presidente brasileiro também conversou na segunda-feira (11/08), com o presidente da China, Xi Jinping, país que desafia a liderança norte-americana e é o alvo principal da guerra comercial, mas negocia um acordo amplo e ganhou novo prazo de 90 dias. Nas reuniões virtuais, Lula mencionou o tarifaço.

Nem o governo chinês, nem o indiano explicitaram esse tópico em comunicados sobre os telefonemas. No caso da Índia, o governo brasileiro informou que eles discutiram a "imposição de tarifas unilaterais", mas Modi não quis abrir sua estratégia na conversa privada. O indiano disse que discutiram como ampliar o comércio e questões globais de interesse mútuo. O comunicado a respeito do telefonema com Xi omite o tema e cita apenas a "conjuntura internacional" e a busca por novas oportunidades de negócio. O chinês, por sua vez, afirmou que os países devem trabalhar juntos contra o protecionismo e unilateralismo e podem dar "exemplo da autossuficiência do Sul Global". Xi disse que a China apoia o Brasil na defesa de sua soberania e na salvaguarda de seus interesses legítimos. Lula recebeu ainda, no sábado (09/08), telefonema de Vladimir Putin, focado na guerra entre a Rússia e Ucrânia. Eles também falaram, no entanto, sobre a cooperação no âmbito do Brics e o cenário econômico internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.